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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093831
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
O transplante hepático pode ser uma estratégia curativa em casos selecionados de tumores primários do fígado.No que se refere a critérios e estratégias relacionados ao transplante hepático, assinale a alternativa correta.
  1. APacientes com carcinoma hepatocelular que atendem aos critérios de Milão podem ser incluídos na fila de transplante hepático, com prioridade via escore MELD determinado por exames laboratoriais.
  2. BPaciente com colangiocarcinomas peri-hilares não são candidatos a transplante hepático.
  3. CA quimioembolização transarterial (TACE) pode ser utilizada como terapia de downstaging em pacientes com carcinoma hepatocelular fora dos critérios de Milão.
  4. DEm pacientes com carcinoma hepatocelular fora dos critérios de Milão e função hepática Child-Pugh B ou C, o transplante hepático está contraindicado, e a ressecção com preservação de parênquima deve ser a alternativa de escolha.
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GabaritoC — A quimioembolização transarterial (TACE) pode ser utilizada como terapia de downstaging em pacientes com carcinoma hepatocelular fora dos critérios de Milão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante Hepático no Carcinoma Hepatocelular: Critérios de Milão e Downstaging

Gabarito: letra C. A quimioembolização transarterial (TACE) é, de fato, uma estratégia válida de downstaging para pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) que estão fora dos critérios de Milão, permitindo reduzir a carga tumoral e, em casos selecionados, torná-los elegíveis para o transplante hepático. Essa é uma prática consolidada em centros de transplante, baseada em diretrizes internacionais e na literatura especializada, como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que reconhece o transplante como tratamento para o CHC e discute estratégias de seleção e manejo.

O transplante hepático é uma opção curativa para tumores primários do fígado, especialmente o carcinoma hepatocelular, mas a seleção dos candidatos é rigorosa. Os critérios de Milão são o padrão internacional para indicar transplante em pacientes com CHC: um nódulo único de até 5 cm, ou até três nódulos, cada um com no máximo 3 cm, sem invasão vascular macrovascular e sem doença extra-hepática. Pacientes que preenchem esses critérios têm excelente sobrevida pós-transplante, com taxas de recorrência baixas. Para aqueles que estão fora desses critérios, mas sem contraindicação absoluta, surgem as estratégias de downstaging — tratamentos locorregionais que visam reduzir o tamanho e o número de lesões para que o paciente possa, então, ser incluído na fila de transplante. A TACE é uma das principais modalidades de downstaging, ao lado da ablação por radiofrequência e da radioterapia externa. O sucesso do downstaging é definido pela redução da carga tumoral a ponto de o paciente passar a atender aos critérios de Milão, momento em que pode ser listado para transplante.

A priorização na fila de transplante no Brasil é feita pelo escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que estima a gravidade da doença hepática e o risco de mortalidade em três meses. O MELD é calculado com base em exames laboratoriais: bilirrubina sérica, creatinina sérica e INR (Relação Normalizada Internacional). O escore MELD-Na, que incorpora o sódio sérico, é uma atualização que melhora a acurácia prognóstica e é utilizado na prática clínica. Para pacientes com CHC, há uma exceção ao MELD: eles recebem uma pontuação adicional (MELD exception) para refletir o risco de morte pela progressão tumoral, que não é capturado pelos parâmetros laboratoriais tradicionais. Isso garante que pacientes com CHC dentro dos critérios de Milão tenham acesso prioritário ao transplante, mesmo com MELD laboratorial baixo.

A alternativa D aborda um ponto crítico: pacientes com CHC fora dos critérios de Milão e função hepática preservada (Child-Pugh A) podem ser candidatos a ressecção cirúrgica, desde que tenham parênquima hepático suficiente e tumor ressecável. No entanto, quando a função hepática está comprometida (Child-Pugh B ou C), a ressecção é arriscada e o transplante pode ser considerado, especialmente se o downstaging for bem-sucedido. Portanto, a afirmação de que o transplante está contraindicado nesse cenário é incorreta — o transplante é uma opção, desde que o paciente seja submetido a downstaging e atinja os critérios de Milão. A ressecção com preservação de parênquima é uma alternativa para pacientes com função hepática preservada, não para aqueles com Child-Pugh B ou C.

A alternativa B também está incorreta. O colangiocarcinoma peri-hilar (tumor de Klatskin) era considerado contraindicação absoluta para transplante, mas, em casos selecionados de doença localizada e irressecável, o transplante hepático pode ser uma opção, especialmente com protocolos de neoadjuvância. O contexto menciona que "recentemente, o transplante de fígado também se tornou uma opção para pacientes cuidadosamente selecionados com doença localizada porém irressecável". Portanto, a afirmação de que esses pacientes não são candidatos é falsa.

A alternativa A, embora pareça correta à primeira vista, contém um erro sutil. Pacientes com CHC que atendem aos critérios de Milão podem ser incluídos na fila de transplante, mas a prioridade não é determinada apenas pelo escore MELD laboratorial. Eles recebem uma pontuação MELD excepcional (MELD exception), que é adicionada ao MELD laboratorial para refletir o risco de morte pela progressão tumoral. Sem essa exceção, muitos pacientes com CHC teriam MELD baixo e ficariam anos na fila, com alto risco de sair dos critérios de Milão. Portanto, a prioridade é via escore MELD, mas com a exceção específica para CHC, não apenas pelo MELD laboratorial puro.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre o MELD laboratorial e o MELD com exceção para CHC, e a compreensão de que o downstaging é uma ponte para o transplante, não uma contraindicação. A banca explora a confusão entre esses conceitos para induzir o candidato ao erro.

Critério

Critérios de Milão (CHC)

MELD laboratorial

MELD exception (CHC)

Finalidade

Selecionar candidatos a transplante com baixo risco de recorrência

Estimar gravidade da doença hepática e mortalidade em 3 meses

Refletir risco de morte por progressão tumoral no CHC

Base de cálculo

Número e tamanho dos nódulos (1 até 5 cm; ou até 3, cada ≤ 3 cm)

Bilirrubina, creatinina e INR (e sódio no MELD-Na)

Pontuação adicional ao MELD laboratorial

Uso na fila

Define elegibilidade para transplante

Priorização geral na fila

Garante prioridade ao paciente com CHC dentro dos critérios de Milão

1Critérios de Milão
1 nódulo ≤ 5 cm
Até 3 nódulos ≤ 3 cm
Sem invasão vascular
Sem doença extra-hepática
2Priorização na fila
MELD laboratorial
Exceção MELD p/ CHC
3Fora dos critérios
Downstaging (TACE)
Se atingir Milão → transplante
Child-Pugh A → ressecção
Child-Pugh B/C → transplante se downstaging
4Colangiocarcinoma peri-hilar
Selecionados irressecáveis → transplante
Transplante hepático no CHC
LEVELsoulevel.com.br
Transplante hepático no CHC: Critérios de Milão (1 nódulo ≤ 5 cm, Até 3 nódulos ≤ 3 cm, Sem invasão vascular, Sem doença extra-hepática); Priorização na fila (MELD laboratorial, Exceção MELD p/ CHC); Fora dos critérios (Downstaging (TACE), Se atingir Milão → transplante, Child-Pugh A → ressecção, Child-Pugh B/C → transplante se downstaging); Colangiocarcinoma peri-hilar (Selecionados irressecáveis → transplante)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na afirmação de que a prioridade é determinada "via escore MELD determinado por exames laboratoriais". Pacientes com CHC dentro dos critérios de Milão recebem uma exceção MELD (MELD exception), que adiciona pontos ao escore laboratorial para refletir o risco de morte pela progressão tumoral. Sem essa exceção, o MELD laboratorial seria baixo e o paciente não teria prioridade adequada na fila. Portanto, a prioridade não é apenas pelo MELD laboratorial, mas sim pelo MELD com a exceção específica para CHC.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que pacientes com colangiocarcinoma peri-hilar não são candidatos a transplante hepático é falsa. Embora historicamente fosse uma contraindicação, o transplante tornou-se uma opção para pacientes cuidadosamente selecionados com doença localizada e irressecável, especialmente com protocolos de neoadjuvância. O contexto menciona que "recentemente, o transplante de fígado também se tornou uma opção para pacientes cuidadosamente selecionados com doença localizada porém irressecável". Portanto, a alternativa está incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A TACE é uma terapia locorregional amplamente utilizada como downstaging em pacientes com CHC fora dos critérios de Milão. O objetivo é reduzir a carga tumoral para que o paciente possa, então, ser incluído na fila de transplante. Essa prática é reconhecida em diretrizes internacionais e na literatura especializada, e o contexto menciona que o transplante é indicado para o CHC, com estratégias de seleção e manejo. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que o transplante hepático está contraindicado em pacientes com CHC fora dos critérios de Milão e Child-Pugh B ou C é incorreta. Nesses pacientes, o transplante pode ser considerado, especialmente se o downstaging for bem-sucedido e o paciente atingir os critérios de Milão. A ressecção com preservação de parênquima é uma alternativa para pacientes com função hepática preservada (Child-Pugh A), não para aqueles com Child-Pugh B ou C, onde o risco cirúrgico é alto. Portanto, a alternativa está incorreta.

Gabarito: letra C

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