Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093834
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Homem de 32 anos, previamente hígido, vítima de queimadura elétrica por alta tensão (10.000 V), chega em sala de emergência apresentando lesão de entrada (mão direita carbonizada) e saída (pé esquerdo com necrose). Hemodinamicamente estável.Com relação a esse caso, assinale a alternativa correta.
  1. AO cálculo volêmico inicial deve basear-se na superfície queimada pela fórmula de Parkland.
  2. BA reposição volêmica deve basear-se na diurese e em parâmetros como creatinofosfoquinase e mioglobinúria.
  3. CRecomenda-se hidratação agressiva com Ringer Lactato para atingir 10-15 mL/kg/h, ajustando conforme resposta renal.
  4. DDiuréticos osmóticos devem ser administrados juntamente com a reposição volêmica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A reposição volêmica deve basear-se na diurese e em parâmetros como creatinofosfoquinase e mioglobinúria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimadura elétrica de alta tensão: manejo volêmico

Gabarito: letra B. Em queimaduras elétricas, especialmente por alta tensão, a reposição volêmica não deve ser guiada apenas pela superfície corporal queimada (SCQ), pois a lesão muscular profunda é desproporcional à lesão cutânea visível. O correto é basear a reposição na diurese e em parâmetros laboratoriais como creatinofosfoquinase (CPK) e mioglobinúria, monitorando a rabdomiólise e prevenindo a insuficiência renal aguda.

A queimadura elétrica é uma entidade distinta da queimadura térmica convencional. Enquanto na queimadura térmica a extensão da lesão cutânea (SCQ) é o principal determinante da reposição volêmica, na queimadura elétrica a corrente elétrica percorre o corpo, causando dano muscular profundo que pode ser muito maior do que a lesão de pele sugere. Isso ocorre porque o osso é resistente à corrente elétrica, e os músculos e partes moles próximos são frequentemente envolvidos com extensa lesão, podendo ocorrer rabdomiólise e mioglobinúria. A mioglobina, liberada na corrente sanguínea, é filtrada pelos glomérulos e pode causar necrose tubular aguda, levando à insuficiência renal aguda (IRA). Por isso, a reposição volêmica deve ser agressiva, mas guiada por parâmetros objetivos de perfusão tecidual e função renal, e não por fórmulas baseadas apenas na SCQ.

A fórmula de Parkland (4 mL x peso x SCQ) é a base para o cálculo volêmico inicial em queimaduras térmicas, mas em queimaduras elétricas ela subestima a necessidade real de volume, pois não considera a lesão muscular oculta. A recomendação é iniciar a reposição com cristaloide (Ringer Lactato) e ajustar o volume conforme a resposta clínica, com o objetivo de manter diurese adequada (geralmente > 100 mL/h em adultos, ou 0,5-1 mL/kg/h) e monitorar CPK e mioglobinúria. A alcalinização da urina pode ser benéfica para aumentar a solubilidade da mioglobina e evitar nefrotoxicidade, mas deve ser feita com cautela. Diuréticos osmóticos não são recomendados de rotina, pois podem mascarar a resposta renal e não tratam a causa da lesão renal.

A pegadinha desta questão está em aplicar a fórmula de Parkland (alternativa A) ou uma hidratação agressiva fixa (alternativa C) como se fosse uma queimadura térmica comum, ignorando a especificidade da lesão elétrica. A alternativa D também é incorreta, pois diuréticos osmóticos não são indicados na fase inicial da reanimação. O manejo correto é individualizado, com monitorização contínua da diurese e de marcadores de rabdomiólise.

Guarde a distinção central: queimadura térmica → fórmula de Parkland baseada na SCQ; queimadura elétrica → reposição guiada por diurese, CPK e mioglobinúria. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o cálculo volêmico inicial deve basear-se na superfície queimada pela fórmula de Parkland. Em queimaduras elétricas, a lesão muscular profunda é desproporcional à lesão cutânea, e a fórmula de Parkland, baseada na SCQ, subestima a necessidade volêmica. A reposição deve ser guiada por parâmetros de perfusão e função renal, não apenas pela SCQ.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reposição volêmica em queimaduras elétricas deve basear-se na diurese e em parâmetros como creatinofosfoquinase (CPK) e mioglobinúria, pois a rabdomiólise é uma complicação frequente e a prevenção da insuficiência renal aguda é o objetivo central. A diurese é o parâmetro mais confiável para avaliar a adequação da reposição, e a CPK e a mioglobinúria indicam a extensão da lesão muscular e o risco de IRA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Recomenda hidratação agressiva com Ringer Lactato para atingir 10-15 mL/kg/h, ajustando conforme resposta renal. Essa taxa é excessiva e não é a recomendação padrão. A reposição deve ser guiada pela diurese (geralmente > 100 mL/h em adultos) e por parâmetros laboratoriais, não por uma taxa fixa elevada, que pode levar a complicações como síndrome compartimental e edema pulmonar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que diuréticos osmóticos devem ser administrados juntamente com a reposição volêmica. Diuréticos osmóticos não são indicados na fase inicial da reanimação de queimaduras elétricas. A prevenção da IRA é feita com reposição volêmica adequada e, se necessário, alcalinização da urina, não com diuréticos, que podem mascarar a resposta renal e não tratam a causa da lesão.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu093834