Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu093851
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Homem de 22 anos, vítima de colisão de motocicleta versus automóvel, ocupante da motocicleta, sem capacete, a 50 km/h. Colidiu com a face contra o para-brisa traseiro do veículo. Levado ao pronto-socorro em prancha rígida, com colar cervical e máscara não reinalante com oxigênio 100% a 15 L/min. Há múltiplas fraturas de face, fratura de mandíbula e sangramento em grande quantidade em cavidade oral. Realizada aspiração de via aérea e tentativa de laringoscopia, sem sucesso devido a sangramento contínuo em orofaringe.Qual a complicação tardia mais frequente do procedimento necessário para assegurar a via aérea do paciente?
AHipotiroidismo.
BDisfonia.
CEstenose subglótica.
DFístula aérea subglótica.
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GabaritoB — Disfonia.
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Via aérea difícil e traqueostomia: complicações tardias
Gabarito: letra B. O procedimento necessário para assegurar a via aérea diante de sangramento orofaríngeo contínuo e laringoscopia sem sucesso é a traqueostomia de urgência; a complicação tardia mais frequente desse procedimento é a disfonia (letra B), decorrente de alterações na dinâmica vocal e na cicatrização da região. A estenose subglótica (letra C) é uma complicação tardia possível, porém menos frequente que a disfonia, e a fístula aérea subglótica (letra D) é uma complicação rara. O hipotireoidismo (letra A) não é complicação da traqueostomia.
A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura (estoma) na traqueia, geralmente no segundo ou terceiro anel traqueal, para estabelecer uma via aérea definitiva quando a intubação orotraqueal não é possível ou está contraindicada. No caso descrito, o paciente apresenta trauma facial extenso com sangramento oral abundante, o que impede a visualização das cordas vocais e torna a laringoscopia inviável. Nesse cenário, a traqueostomia de urgência (ou cricotireoidostomia, em situações extremas) é o procedimento que salva a vida ao garantir a ventilação e a oxigenação.
As complicações da traqueostomia podem ser divididas em precoces (sangramento, pneumotórax, enfisema subcutâneo, deslocamento do tubo) e tardias. Entre as tardias, a disfonia (alteração da voz) é a mais frequente. Ela ocorre porque a presença do tubo traqueostômico, a cicatrização e a possível lesão do nervo laríngeo recorrente ou das estruturas fonatórias podem alterar a coaptação das cordas vocais e a ressonância da voz. A disfonia pode ser transitória ou permanente, dependendo da extensão do dano.
A estenose subglótica (letra C) é uma complicação tardia grave, mas menos comum que a disfonia. Ela se desenvolve por isquemia e fibrose da mucosa subglótica, geralmente associada ao uso prolongado de tubo traqueostômico com balonete hiperinsuflado ou a traumas repetidos. A fístula aérea subglótica (letra D) é uma comunicação anormal entre a traqueia e o esôfago ou a pele, sendo uma complicação rara, frequentemente relacionada a lesões cirúrgicas ou à erosão pelo tubo. O hipotireoidismo (letra A) não é uma complicação da traqueostomia; ele pode ocorrer após tireoidectomia, não após traqueostomia.
A banca explora a confusão entre as complicações da traqueostomia e as de outros procedimentos de via aérea. A disfonia é a complicação tardia mais comum, enquanto a estenose subglótica, embora seja uma complicação conhecida, é menos frequente. O candidato deve lembrar que a traqueostomia, ao contrário da intubação prolongada, tem como principal complicação tardia a disfonia, e não a estenose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a complicação tardia mais frequente (disfonia) por uma complicação tardia possível, porém menos comum (estenose subglótica). O candidato que associa traqueostomia a estenose subglótica cai na armadilha, pois a estenose é mais relacionada à intubação prolongada, enquanto a disfonia é a sequela mais comum da traqueostomia.
Traqueostomia
1Complicações precoces
Sangramento
Pneumotórax
Enfisema subcutâneo
Deslocamento do tubo
2Complicações tardias
Disfonia (mais frequente)
Estenose subglótica (menos comum)
Fístula aérea subglótica (rara)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo é uma complicação da tireoidectomia (remoção da glândula tireoide), não da traqueostomia. A traqueostomia não envolve a glândula tireoide, embora a incisão seja próxima a ela. Portanto, não há relação causal entre o procedimento e o hipotireoidismo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A disfonia é a complicação tardia mais frequente da traqueostomia. A alteração da voz ocorre devido a fatores como a presença do tubo, a cicatrização, a possível lesão do nervo laríngeo recorrente ou a alteração da dinâmica das cordas vocais. É a complicação mais comum, tornando a letra B a resposta correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A estenose subglótica é uma complicação tardia da traqueostomia, mas não é a mais frequente. Ela é mais associada à intubação orotraqueal prolongada, devido à pressão do balonete na mucosa subglótica. Na traqueostomia, a estenose pode ocorrer, porém com menor incidência que a disfonia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A fístula aérea subglótica é uma complicação rara, caracterizada por uma comunicação anormal entre a via aérea e estruturas adjacentes (como o esôfago). Não é a complicação tardia mais frequente da traqueostomia.
Gabarito: letra B — a disfonia é a complicação tardia mais frequente da traqueostomia.