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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093856
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Mulher de 62 anos, submetida a histerectomia total videolaparoscópica, sem intercorrências, há 7 dias. Chega ao pronto-socorro referindo dor abdominal difusa há 3 dias, incialmente leve, mas com piora progressiva, e que melhora com dipirona. Sem queixas miccionais. Ao exame físico, as feridas operatórias estão com bom aspecto, abdome distendido, mas compressível e dor difusa à palpação. Exames relevantes: Hb: 12,5 g/dL, Cr: 1,3 mg/dL, Ur: 25 mg/dL, PCR: 5,3 mg/dL. A ultrassonografia demonstra líquido livre abdominal em moderada quantidade.Qual estrutura está comprometida e qual a sua provável causa, respectivamente?
  1. AUretra, por lesão térmica na dissecção do colo uterino.
  2. BBexiga, no momento da sutura da cúpula vaginal.
  3. CUreter, por lesão térmica pelo uso do bisturi elétrico.
  4. DAlça de delgado, por lesão na introdução de um dos trocateres.
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GabaritoC — Ureter, por lesão térmica pelo uso do bisturi elétrico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesão de ureter em histerectomia videolaparoscópica

Gabarito: letra C. A estrutura comprometida é o ureter, e a causa mais provável é a lesão térmica pelo uso do bisturi elétrico durante a dissecção. O quadro clínico — dor abdominal difusa, distensão, líquido livre à ultrassonografia e elevação discreta da creatinina — é compatível com urinoma, uma complicação clássica da cirurgia pélvica, especialmente da histerectomia. As demais alternativas apresentam estruturas ou mecanismos que não se encaixam no cenário descrito.

A lesão ureteral é uma complicação temida em cirurgias ginecológicas, com incidência que varia de 0,2% a 1% nas histerectomias. O ureter, em seu trajeto pélvico, passa muito próximo do colo uterino e da artéria uterina — a apenas 1,5 a 2 cm lateralmente ao colo —, o que o torna vulnerável durante a dissecção, a ligadura da artéria uterina ou a aplicação de energia térmica. O mecanismo mais comum de lesão é a queimadura por eletrocautério ou bisturi elétrico, que pode causar necrose tardia da parede ureteral, com manifestação clínica dias após a cirurgia — exatamente o que ocorre com a paciente do caso, que apresenta sintomas no 7º dia de pós-operatório.

O diagnóstico de lesão ureteral deve ser suspeitado em toda paciente com dor abdominal, distensão, íleo ou líquido livre após cirurgia pélvica. A elevação da creatinina (1,3 mg/dL) e a presença de líquido livre em moderada quantidade à ultrassonografia são pistas importantes. O líquido livre pode ser urina extravasada (urinoma), que se acumula na cavidade peritoneal e causa irritação química, levando a dor e distensão. A confirmação diagnóstica é feita por exames de imagem, como urografia por tomografia computadorizada ou pielografia retrógrada, que demonstram o extravasamento de contraste.

É fundamental distinguir a lesão ureteral da lesão vesical. A lesão de bexiga, embora também possa ocorrer na histerectomia, geralmente se manifesta com hematúria, dor suprapúbica e, em casos de fístula, saída de urina pela vagina. A lesão ureteral, por sua vez, tende a ser mais silenciosa, com dor abdominal difusa e distensão, como no caso apresentado. A ausência de queixas miccionais e a localização da dor (difusa, não suprapúbica) favorecem o diagnóstico de lesão ureteral.

A banca explora a confusão entre as estruturas do trato urinário e os mecanismos de lesão. A alternativa que menciona a bexiga, por exemplo, é um distrator comum, pois a bexiga também está próxima à cúpula vaginal. No entanto, a lesão vesical durante a sutura da cúpula vaginal costuma se manifestar com hematúria ou fístula, não com dor abdominal difusa e líquido livre. A lesão de alça de delgado, por sua vez, é mais comum na introdução dos trocateres, mas geralmente causa peritonite com dor mais intensa e sinais de irritação peritoneal, o que não é o caso.

Guarde a tríade que aponta para lesão ureteral: cirurgia pélvica recente + dor abdominal difusa + líquido livre à ultrassonografia. É essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Lesão ureteral em histerectomia
  • 1Anatomia vulnerável
    • Ureter próximo ao colo uterino
    • 1,5–2 cm da artéria uterina
  • 2Mecanismo mais comum
    • Queimadura por bisturi elétrico
    • Necrose tardia (sintomas após dias)
  • 3Quadro clínico (urinoma)
    • Dor abdominal difusa
    • Distensão
    • Líquido livre à USG
    • Cr elevada
  • 4Diagnóstico
    • UroTC ou pielografia retrógrada
  • 5Distratores
    • Bexiga: hematúria, dor suprapúbica
    • Delgado: peritonite, irritação peritoneal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A uretra não é uma estrutura comprometida na histerectomia videolaparoscópica. A uretra está localizada anteriormente à vagina e não faz parte do campo cirúrgico da histerectomia. A lesão térmica na dissecção do colo uterino afetaria o ureter, não a uretra. A banca troca o ureter pela uretra, estruturas anatomicamente próximas, mas com trajetos e relações diferentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A bexiga pode ser lesada na histerectomia, especialmente durante a dissecção da bexiga do colo uterino ou na sutura da cúpula vaginal. No entanto, a lesão vesical geralmente se manifesta com hematúria, dor suprapúbica ou fístula vesicovaginal, não com dor abdominal difusa e líquido livre em moderada quantidade. A ausência de queixas miccionais e o padrão da dor tornam essa alternativa menos provável. Além disso, a lesão térmica pelo bisturi elétrico é mais característica de lesão ureteral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O ureter é a estrutura mais vulnerável na histerectomia, devido à sua proximidade com o colo uterino e a artéria uterina. A lesão térmica pelo bisturi elétrico é o mecanismo mais comum, causando necrose tardia e extravasamento de urina (urinoma), que se manifesta com dor abdominal difusa, distensão e líquido livre à ultrassonografia. A elevação da creatinina e o quadro clínico apresentado são compatíveis com essa complicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A lesão de alça de delgado na introdução de trocateres é uma complicação possível, mas geralmente causa peritonite com dor mais intensa, sinais de irritação peritoneal (defesa, rigidez) e piora rápida. No caso apresentado, a dor é difusa, mas o abdome é compressível, sem sinais de peritonite. Além disso, a lesão térmica pelo bisturi elétrico é o mecanismo mais provável, não a lesão por trocater.

Gabarito: letra C

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