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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2025

MedicinaUrologia
Código
vu093857
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Mulher de 42 anos, submetida e ureterorrenolitotripsia flexível com colocação de duplo J à direita por cálculo calicinal superior de 10 mm. No primeiro dia pós-operatório, refere hematúria, disúria e urgência miccional sem perdas urinárias.Esses sintomas estão relacionados a qual condição e qual o tratamento indicado, respectivamente?
  1. Auso de duplo J e prescrição de tansulosina e solifenacina.
  2. BCálculo ureteral proximal residual e tomografia de abdome sem contraste.
  3. CUso de duplo J e a retirada do duplo J deve ser antecipada.
  4. DLesão ureteral pela bainha de acesso e manter duplo J por 30 dias.
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GabaritoA — uso de duplo J e prescrição de tansulosina e solifenacina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do stent ureteral (duplo J)

Gabarito: letra A. A hematúria, disúria e urgência miccional no primeiro dia pós-operatório de ureterorrenolitotripsia flexível com colocação de duplo J são manifestações clássicas da síndrome do stent ureteral (ou sintomas irritativos relacionados ao cateter duplo J), e o tratamento de primeira linha consiste em alfabloqueador (tansulosina) associado a anticolinérgico (solifenacina). A alternativa A é a única que correlaciona corretamente a condição (uso do duplo J) com o tratamento medicamentoso adequado.

A síndrome do stent ureteral é um conjunto de sintomas irritativos do trato urinário inferior — disúria, urgência, polaciúria, dor suprapúbica e hematúria — que ocorre em pacientes portadores de cateter duplo J. O mecanismo é multifatorial: o stent atravessa o ureter e a bexiga, causando irritação mecânica da mucosa vesical (principalmente na porção distal do cateter, que fica em contato com o trígono vesical) e do ureter, além de poder provocar refluxo vesicoureteral durante a micção. Essa irritação estimula receptores sensoriais e gera contrações involuntárias do detrusor, explicando a urgência e a disúria. A hematúria, por sua vez, decorre do atrito do cateter com a mucosa, sendo geralmente leve e autolimitada.

O tratamento da síndrome do stent é essencialmente sintomático e medicamentoso. Os alfabloqueadores (como a tansulosina) atuam relaxando o músculo liso ureteral e reduzindo a resistência ao fluxo, aliviando a dor em flanco e os sintomas obstrutivos. Os anticolinérgicos/antimuscarínicos (como a solifenacina) reduzem a hiperatividade do detrusor, controlando a urgência e a polaciúria. A combinação das duas classes é a abordagem mais eficaz e é a recomendada pelas principais diretrizes de urologia. A retirada precoce do stent não é indicada como primeira linha, pois o stent geralmente é necessário para garantir a drenagem renal no pós-operatório imediato, e a remoção antecipada pode expor o paciente a complicações como obstrução por edema ou fragmentos residuais.

É importante distinguir a síndrome do stent de outras complicações pós-operatórias. A presença de febre, dor lombar intensa ou sinais de sepse indicaria pielonefrite obstrutiva ou obstrução do stent, exigindo investigação com tomografia e possível intervenção. A lesão ureteral pela bainha de acesso é uma complicação rara, geralmente associada a dor intensa, extravasamento de urina ou hidronefrose, e não se manifesta apenas com sintomas irritativos leves. A alternativa B (cálculo residual proximal) seria uma hipótese se houvesse obstrução, mas o quadro descrito é de sintomas irritativos, não obstrutivos, e a tomografia não é o primeiro passo no manejo da síndrome do stent.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que os sintomas descritos são esperados e benignos no contexto de um duplo J recém-colocado, e não uma complicação grave que exija intervenção imediata. O candidato que não conhece a síndrome do stent pode ser levado a pensar em cálculo residual, lesão ureteral ou necessidade de retirada antecipada do cateter. A chave é lembrar que a tríade hematúria + disúria + urgência no pós-operatório de procedimento com duplo J é a apresentação típica da síndrome do stent, e o tratamento é clínico, com alfabloqueador e anticolinérgico.

1Sintomas
Hematúria
Disúria
Urgência miccional
2Mecanismo
Irritação mecânica da mucosa vesical
Refluxo vesicoureteral
Hiperatividade do detrusor
3Tratamento (1ª linha)
Alfabloqueador (tansulosina)
Anticolinérgico (solifenacina)
4Diagnóstico diferencial
Cálculo residual (obstrutivo)
Lesão ureteral (rara, dor intensa)
Síndrome do stent ureteral
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome do stent ureteral: Sintomas (Hematúria, Disúria, Urgência miccional); Mecanismo (Irritação mecânica da mucosa vesical, Refluxo vesicoureteral, Hiperatividade do detrusor); Tratamento (1ª linha) (Alfabloqueador (tansulosina), Anticolinérgico (solifenacina)); Diagnóstico diferencial (Cálculo residual (obstrutivo), Lesão ureteral (rara, dor intensa))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente a condição como decorrente do uso do duplo J e prescreve o tratamento adequado: tansulosina (alfabloqueador, relaxa o ureter e reduz a dor) e solifenacina (anticolinérgico, controla a urgência e a disúria). Essa combinação é a terapia de primeira linha para a síndrome do stent ureteral, aliviando os sintomas irritativos sem necessidade de retirada precoce do cateter.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa sugere cálculo ureteral proximal residual como causa dos sintomas e indica tomografia. Embora um cálculo residual possa causar sintomas, o quadro descrito (hematúria, disúria e urgência sem dor lombar intensa ou febre) é típico da síndrome do stent, não de obstrução por cálculo. Além disso, a tomografia não é o tratamento indicado — é um exame diagnóstico. A conduta correta seria clínica, com medicamentos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao propor a retirada antecipada do duplo J como tratamento. A síndrome do stent é manejada clinicamente com medicamentos; a remoção precoce não é indicada como primeira linha, pois o stent é necessário para garantir a drenagem renal no pós-operatório imediato. A retirada antecipada só é considerada em casos de sintomas intoleráveis ou complicações, não na apresentação típica descrita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa sugere lesão ureteral pela bainha de acesso e manutenção do duplo J por 30 dias. A lesão ureteral é uma complicação rara e geralmente se manifesta com dor intensa, extravasamento de urina ou hidronefrose, não apenas com sintomas irritativos leves. O quadro descrito é compatível com a síndrome do stent, e a conduta não é simplesmente manter o stent por mais tempo, mas sim tratar os sintomas com medicação.

Gabarito: letra A

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