Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Mulher de 42 anos, submetida e ureterorrenolitotripsia flexível com colocação de duplo J à direita por cálculo calicinal superior de 10 mm. No primeiro dia pós-operatório, refere hematúria, disúria e urgência miccional sem perdas urinárias.Esses sintomas estão relacionados a qual condição e qual o tratamento indicado, respectivamente?
Auso de duplo J e prescrição de tansulosina e solifenacina.
BCálculo ureteral proximal residual e tomografia de abdome sem contraste.
CUso de duplo J e a retirada do duplo J deve ser antecipada.
DLesão ureteral pela bainha de acesso e manter duplo J por 30 dias.
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GabaritoA — uso de duplo J e prescrição de tansulosina e solifenacina.
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Síndrome do stent ureteral (duplo J)
Gabarito: letra A. A hematúria, disúria e urgência miccional no primeiro dia pós-operatório de ureterorrenolitotripsia flexível com colocação de duplo J são manifestações clássicas da síndrome do stent ureteral (ou sintomas irritativos relacionados ao cateter duplo J), e o tratamento de primeira linha consiste em alfabloqueador (tansulosina) associado a anticolinérgico (solifenacina). A alternativa A é a única que correlaciona corretamente a condição (uso do duplo J) com o tratamento medicamentoso adequado.
A síndrome do stent ureteral é um conjunto de sintomas irritativos do trato urinário inferior — disúria, urgência, polaciúria, dor suprapúbica e hematúria — que ocorre em pacientes portadores de cateter duplo J. O mecanismo é multifatorial: o stent atravessa o ureter e a bexiga, causando irritação mecânica da mucosa vesical (principalmente na porção distal do cateter, que fica em contato com o trígono vesical) e do ureter, além de poder provocar refluxo vesicoureteral durante a micção. Essa irritação estimula receptores sensoriais e gera contrações involuntárias do detrusor, explicando a urgência e a disúria. A hematúria, por sua vez, decorre do atrito do cateter com a mucosa, sendo geralmente leve e autolimitada.
O tratamento da síndrome do stent é essencialmente sintomático e medicamentoso. Os alfabloqueadores (como a tansulosina) atuam relaxando o músculo liso ureteral e reduzindo a resistência ao fluxo, aliviando a dor em flanco e os sintomas obstrutivos. Os anticolinérgicos/antimuscarínicos (como a solifenacina) reduzem a hiperatividade do detrusor, controlando a urgência e a polaciúria. A combinação das duas classes é a abordagem mais eficaz e é a recomendada pelas principais diretrizes de urologia. A retirada precoce do stent não é indicada como primeira linha, pois o stent geralmente é necessário para garantir a drenagem renal no pós-operatório imediato, e a remoção antecipada pode expor o paciente a complicações como obstrução por edema ou fragmentos residuais.
É importante distinguir a síndrome do stent de outras complicações pós-operatórias. A presença de febre, dor lombar intensa ou sinais de sepse indicaria pielonefrite obstrutiva ou obstrução do stent, exigindo investigação com tomografia e possível intervenção. A lesão ureteral pela bainha de acesso é uma complicação rara, geralmente associada a dor intensa, extravasamento de urina ou hidronefrose, e não se manifesta apenas com sintomas irritativos leves. A alternativa B (cálculo residual proximal) seria uma hipótese se houvesse obstrução, mas o quadro descrito é de sintomas irritativos, não obstrutivos, e a tomografia não é o primeiro passo no manejo da síndrome do stent.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que os sintomas descritos são esperados e benignos no contexto de um duplo J recém-colocado, e não uma complicação grave que exija intervenção imediata. O candidato que não conhece a síndrome do stent pode ser levado a pensar em cálculo residual, lesão ureteral ou necessidade de retirada antecipada do cateter. A chave é lembrar que a tríade hematúria + disúria + urgência no pós-operatório de procedimento com duplo J é a apresentação típica da síndrome do stent, e o tratamento é clínico, com alfabloqueador e anticolinérgico.
Síndrome do stent ureteral: Sintomas (Hematúria, Disúria, Urgência miccional); Mecanismo (Irritação mecânica da mucosa vesical, Refluxo vesicoureteral, Hiperatividade do detrusor); Tratamento (1ª linha) (Alfabloqueador (tansulosina), Anticolinérgico (solifenacina)); Diagnóstico diferencial (Cálculo residual (obstrutivo), Lesão ureteral (rara, dor intensa))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa identifica corretamente a condição como decorrente do uso do duplo J e prescreve o tratamento adequado: tansulosina (alfabloqueador, relaxa o ureter e reduz a dor) e solifenacina (anticolinérgico, controla a urgência e a disúria). Essa combinação é a terapia de primeira linha para a síndrome do stent ureteral, aliviando os sintomas irritativos sem necessidade de retirada precoce do cateter.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa sugere cálculo ureteral proximal residual como causa dos sintomas e indica tomografia. Embora um cálculo residual possa causar sintomas, o quadro descrito (hematúria, disúria e urgência sem dor lombar intensa ou febre) é típico da síndrome do stent, não de obstrução por cálculo. Além disso, a tomografia não é o tratamento indicado — é um exame diagnóstico. A conduta correta seria clínica, com medicamentos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao propor a retirada antecipada do duplo J como tratamento. A síndrome do stent é manejada clinicamente com medicamentos; a remoção precoce não é indicada como primeira linha, pois o stent é necessário para garantir a drenagem renal no pós-operatório imediato. A retirada antecipada só é considerada em casos de sintomas intoleráveis ou complicações, não na apresentação típica descrita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere lesão ureteral pela bainha de acesso e manutenção do duplo J por 30 dias. A lesão ureteral é uma complicação rara e geralmente se manifesta com dor intensa, extravasamento de urina ou hidronefrose, não apenas com sintomas irritativos leves. O quadro descrito é compatível com a síndrome do stent, e a conduta não é simplesmente manter o stent por mais tempo, mas sim tratar os sintomas com medicação.