Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Homem de 72 anos, tabagista de longa data, foi diagnosticado com um câncer de pulmão em estádio inicial e será submetido à ressecção cirúrgica pulmonar com intento curativo. Tem diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica, não sendo usuário de oxigênio domiciliar. Não tem outros antecedentes dignos de nota.Sobre a avaliação pré-operatória para esse paciente, assinale a alternativa que apresenta a melhor predição para complicações pós-operatórias pulmonares.
AProva de função pulmonar no repouso.
BGasometria arterial.
CTomografia de tórax.
DEletrocardiograma de repouso.
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GabaritoA — Prova de função pulmonar no repouso.
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Avaliação pré-operatória em ressecção pulmonar: predição de complicações
Gabarito: letra A. A prova de função pulmonar no repouso (espirometria) é o exame que melhor prediz complicações pós-operatórias pulmonares em pacientes candidatos à ressecção pulmonar, pois avalia diretamente a reserva funcional respiratória — o fator determinante da capacidade de tolerar a perda de parênquima pulmonar. As diretrizes de cirurgia torácica e as sociedades de pneumologia recomendam a espirometria como exame obrigatório e inicial nessa avaliação, sendo os valores de VEF1 e DLCO os principais preditores de risco.
A avaliação pré-operatória para ressecção pulmonar tem como objetivo central estimar se o paciente tolerará a perda de parênquima funcional sem desenvolver insuficiência respiratória ou complicações graves no pós-operatório. O raciocínio fisiológico é direto: ao remover um lobo ou um pulmão inteiro, o paciente perde uma parcela da sua capacidade ventilatória e de troca gasosa. Portanto, a melhor forma de prever o risco é medir a função pulmonar basal — exatamente o que a espirometria faz, quantificando o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e a CVF (capacidade vital forçada). Esses valores, quando integrados ao cálculo do percentual do parênquima a ser ressecado, permitem estimar a função pulmonar pós-operatória prevista (VEF1ppo), que é o parâmetro mais robusto para decisão de operabilidade.
A espirometria é o exame inicial e obrigatório em todo paciente candidato à ressecção pulmonar, mesmo naqueles assintomáticos. Ela fornece dados objetivos sobre o grau de obstrução (relação VEF1/CVF) e o volume expiratório, que são os principais determinantes do risco cirúrgico. Quando o VEF1 é baixo, o risco de complicações aumenta proporcionalmente, e exames complementares como a cintilografia de perfusão ou o teste de exercício cardiopulmonar podem ser necessários para refinar a estimativa. A lógica é que a função pulmonar em repouso reflete a reserva funcional disponível — quanto menor a reserva, maior o risco de o paciente não tolerar a ressecção.
As demais alternativas representam exames que, embora façam parte da avaliação pré-operatória em contextos específicos, não são os melhores preditores de complicações pulmonares. A gasometria arterial avalia a troca gasosa em um momento pontual e pode estar normal mesmo em pacientes com risco elevado; a tomografia de tórax é essencial para o estadiamento anatômico do tumor, mas não mede função; o eletrocardiograma avalia risco cardíaco, não pulmonar. A distinção crucial é entre exames que avaliam anatomia/estadiamento e exames que avaliam função/reserva — e é a função que decide a tolerância à cirurgia.
A pegadinha desta questão está em confundir exames de estadiamento (tomografia) ou de avaliação cardíaca (eletrocardiograma) com exames de avaliação funcional pulmonar. O candidato que pensa apenas no "paciente com câncer" pode escolher a tomografia, mas a pergunta é específica sobre predição de complicações pulmonares — e a resposta está na fisiologia: quem tem DPOC e será submetido à ressecção precisa ter sua função pulmonar quantificada antes de qualquer decisão cirúrgica. Guarde o princípio: para complicações pulmonares, o preditor é funcional (espirometria); para complicações cardíacas, o preditor é cardiológico (eletrocardiograma, escore de risco cardíaco).
1Espirometria (VEF1, CVF)
2VEF1/DLCO < 40%?
3Cintilografia / teste de exercício
4VEF1ppo < 30% → alto risco
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prova de função pulmonar no repouso (espirometria) é o exame que melhor prediz complicações pós-operatórias pulmonares. Ela mede diretamente a reserva funcional respiratória — VEF1, CVF e relação VEF1/CVF — que são os parâmetros que determinam se o paciente tolerará a perda de parênquima pulmonar. Em pacientes com DPOC, como o do caso, a espirometria é ainda mais crítica, pois quantifica o grau de obstrução e permite calcular o VEF1 pós-operatório previsto, o principal preditor de risco. As diretrizes de cirurgia torácica recomendam a espirometria como exame inicial e obrigatório em todo candidato à ressecção pulmonar, mesmo assintomático.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A gasometria arterial avalia a troca gasosa (PaO2, PaCO2) em um momento pontual, mas não é o melhor preditor de complicações pulmonares. Ela pode estar normal mesmo em pacientes com risco elevado, pois não mede a reserva funcional ventilatória. A gasometria é útil em casos selecionados — como suspeita de hipercapnia crônica (PaCO2 > 45 mmHg, que é um fator de risco) — mas não substitui a espirometria como exame inicial de predição. O erro da alternativa está em superestimar o papel da gasometria, que é um exame complementar, não o principal preditor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tomografia de tórax é essencial para o estadiamento anatômico do tumor — avalia tamanho, localização, linfonodos mediastinais e metástases — mas não mede função pulmonar. Ela não prediz complicações pós-operatórias pulmonares porque não quantifica a reserva ventilatória. A confusão aqui é entre estadiamento (anatômico) e avaliação funcional (fisiológica): a tomografia responde "onde está o tumor e até onde se estende", enquanto a espirometria responde "quanto de função o paciente tem e quanto perderá". Para a pergunta sobre complicações pulmonares, a resposta é funcional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O eletrocardiograma de repouso avalia o risco cardíaco, não o pulmonar. Ele é parte da avaliação pré-operatória para detectar arritmias, isquemia ou outras cardiopatias, mas não tem relação com a predição de complicações pulmonares. A confusão aqui é entre os dois grandes eixos de risco cirúrgico: o cardíaco (avaliado por ECG, ecocardiograma, escores como o de Goldman) e o pulmonar (avaliado por espirometria). O paciente do caso tem DPOC e será submetido à ressecção pulmonar — o risco dominante é o pulmonar, e o exame que o avalia é a prova de função pulmonar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames de estadiamento e exames de avaliação funcional. O candidato que foca no "câncer" escolhe a tomografia; o que pensa em "avaliação geral" escolhe o ECG. Mas a pergunta é específica: complicações pulmonares em ressecção pulmonar. A palavra-chave é "função" — e quem mede função pulmonar é a espirometria. Na prova, sublinhe o que a questão pede: se é predição de complicações pulmonares, a resposta é sempre funcional.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de avaliação pré-operatória em cirurgia torácica, monte o fluxo mental: (1) espirometria é sempre o primeiro exame — mede VEF1 e CVF; (2) se VEF1 ou DLCO < 40% do previsto, ou VEF1ppo < 30%, o risco é alto e exames adicionais (cintilografia, teste de exercício) são necessários; (3) gasometria e ECG são complementares, não preditores principais. Essa sequência resolve a maioria das questões do tema.
Gabarito: letra A — a prova de função pulmonar no repouso é o melhor preditor de complicações pós-operatórias pulmonares em ressecção pulmonar.