Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu093866
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Homem de 62 anos, hipertenso e obeso (IMC = 32 kg/m2 ), atualmente em tratamento atual para câncer pancreático em quimioterapia sistêmica (última sessão há 23 dias). Procura atendimento em pronto-socorro, com dor na perna direita há dois dias. Associados à dor, tem edema, vermelhidão e sensação de calor local. Não há trauma recente percebido. Febre não aferida, mas relata calafrios. Ao exame físico na admissão, são dados relevantes: temperatura axilar de 38,5 o C, pele quente ao toque, eritema bem delimitado, brilhante, com bordas elevadas na região anterior da perna direita. Frequência cardíaca de 106 bpm e PA de 88 x 60 mmHg.Com base nesse caso, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e os próximos passos adequados.
ACelulite, swab da região, antibióticos com espectro que cubram estreptococos.
BErisipela, swab da região, antibióticos com espectro que cubram estreptococos.
CCelulite, antibióticos que cubram estafilococos resistentes à meticilina e cobertura antipseudomonas, hemograma e hemocultura.
DErisipela, antibióticos que cubram estafilococos resistentes à meticilina e cobertura antipseudomonas, hemograma e hemocultura.
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GabaritoD — Erisipela, antibióticos que cubram estafilococos resistentes à meticilina e cobertura antipseudomonas, hemograma e hemocultura.
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Erisipela vs. Celulite: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra D. O quadro clínico — placa eritematosa bem delimitada, brilhante, com bordas elevadas, associada a febre e calafrios — é classicamente descrito como erisipela, e a conduta adequada em um paciente com sinais de sepse (FC 106 bpm, PA 88x60 mmHg) e imunossupressão (quimioterapia recente) inclui hemograma, hemoculturas e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, com cobertura para MRSA e Pseudomonas. A alternativa D é a única que combina corretamente o diagnóstico e os próximos passos.
A distinção entre erisipela e celulite é um clássico em infectologia e dermatologia, e a banca explora exatamente essa fronteira. Ambas são infecções bacterianas da pele e tecidos moles, mas apresentam características clínicas distintas que orientam o diagnóstico. A erisipela é uma infecção mais superficial, que acomete a derme superior e os vasos linfáticos superficiais, e se manifesta como uma placa eritematosa, brilhante, bem delimitada, com bordas elevadas — exatamente o que o enunciado descreve. Já a celulite é uma infecção mais profunda, que atinge a derme profunda e o tecido celular subcutâneo, e se apresenta como uma área de eritema mal delimitado, sem bordas elevadas, com coloração mais rosada do que vermelho intenso.
O agente etiológico mais comum da erisipela é o Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A), enquanto a celulite pode ser causada por estreptococos e também por Staphylococcus aureus. No entanto, a escolha do antibiótico empírico não se baseia apenas no diagnóstico sindrômico, mas sim na gravidade do quadro e nos fatores de risco do paciente. Neste caso, o paciente apresenta sinais de sepse (febre, taquicardia, hipotensão) e é imunossuprimido (quimioterapia recente para câncer pancreático), o que o coloca em risco de infecção por agentes mais agressivos, incluindo MRSA e Pseudomonas. Por isso, a conduta adequada é a cobertura de amplo espectro, e não apenas a cobertura para estreptococos.
Outro ponto crucial é a inutilidade do swab da lesão. Em infecções de pele e tecidos moles, a coleta de swab da superfície da lesão não é recomendada, pois o resultado não reflete o agente etiológico da infecção profunda e pode levar a tratamento inadequado. A abordagem correta é a coleta de hemoculturas (em paciente com sepse) e a realização de hemograma para avaliar a resposta inflamatória sistêmica. A hemocultura é o exame que pode identificar o agente etiológico em casos de bacteremia, permitindo a otimização do esquema antibiótico.
A pegadinha central desta questão é a troca do diagnóstico e da conduta. As alternativas A e B apresentam o diagnóstico correto (celulite e erisipela, respectivamente), mas a conduta incorreta (swab da região e antibióticos apenas para estreptococos). As alternativas C e D apresentam a conduta correta (hemograma, hemocultura e antibióticos de amplo espectro), mas apenas a D acerta o diagnóstico de erisipela. A banca espera que o candidato saiba diferenciar clinicamente as duas entidades e que reconheça a gravidade do caso, optando pela cobertura antibiótica mais ampla.
Guarde a fronteira entre erisipela e celulite — borda elevada e bem delimitada versus borda indistinta — e a regra de que, em paciente grave ou imunossuprimido, a cobertura empírica deve ser ampliada. É exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.
Infecção de pele e tecidos moles
1Erisipela
Acomete derme superior
Borda elevada e bem delimitada
Agente: Streptococcus pyogenes
2Celulite
Acomete derme profunda
Borda indistinta e mal delimitada
Agentes: estreptococos e S. aureus
3Conduta
Swab da lesão (não recomendado)
Hemograma
Hemoculturas
Paciente grave/imunossuprimido
Cobertura ampla (MRSA e Pseudomonas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O diagnóstico de celulite está incorreto, pois o quadro descrito — placa eritematosa bem delimitada, brilhante, com bordas elevadas — é característico de erisipela. Além disso, a conduta de swab da região é inadequada, pois a cultura de superfície não reflete o agente etiológico da infecção profunda. Por fim, a cobertura antibiótica apenas para estreptococos é insuficiente em um paciente com sinais de sepse e imunossupressão, que requer cobertura de amplo espectro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico de erisipela está correto, mas a conduta está errada. O swab da região não é recomendado para infecções de pele e tecidos moles, pois não identifica o agente etiológico da infecção profunda. Além disso, a cobertura antibiótica apenas para estreptococos é insuficiente, considerando a gravidade do quadro (sepse) e o estado de imunossupressão do paciente, que exige cobertura para MRSA e Pseudomonas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diagnóstico de celulite está incorreto, pois o quadro clínico é de erisipela (bordas elevadas e bem delimitadas). A conduta, no entanto, está correta: hemograma, hemoculturas e antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para MRSA e Pseudomonas são adequados para um paciente com sepse e imunossupressão. A alternativa erra apenas no diagnóstico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de erisipela está correto, pois o quadro clínico — placa eritematosa bem delimitada, brilhante, com bordas elevadas — é a descrição clássica da doença. A conduta também está correta: em paciente com sinais de sepse (febre, taquicardia, hipotensão) e imunossupressão (quimioterapia recente), a abordagem adequada inclui hemograma (para avaliar resposta inflamatória), hemoculturas (para identificar o agente em caso de bacteremia) e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, com cobertura para MRSA e Pseudomonas, devido ao risco de infecção por agentes mais agressivos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o diagnóstico e a conduta entre as alternativas. O candidato que sabe diferenciar erisipela de celulite (borda elevada e bem delimitada vs. borda indistinta) elimina as alternativas A e C. Mas o candidato que não percebe a gravidade do caso (sepse + imunossupressão) pode cair na alternativa B, que acerta o diagnóstico mas erra a conduta (swab e cobertura apenas para estreptococos). A chave é lembrar que, em paciente grave ou imunossuprimido, a cobertura empírica deve ser ampliada para MRSA e Pseudomonas, e o swab de superfície não é útil.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar erisipela de celulite na prova, foque na borda da lesão: erisipela tem borda elevada e bem delimitada; celulite tem borda indistinta e mal delimitada. E lembre-se: em paciente com sinais de sepse ou imunossuprimido, a conduta é hemograma + hemoculturas + antibiótico de amplo espectro, nunca swab de superfície.