Sialoadenite aguda: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra C. O quadro clínico — dor cervical à esquerda, aumento de volume local, hiperemia, calor e saída de secreção purulenta na papila sublingual — é compatível com sialoadenite aguda de etiologia litiásica (cálculo obstrutivo no ducto da glândula submandibular). O tratamento inicial é clínico: hidratação, anti-inflamatórios e antibioticoterapia com amoxicilina-clavulanato, que cobre a flora oral polimicrobiana. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para o caso.
A sialoadenite aguda é a inflamação das glândulas salivares, mais comumente causada por obstrução do ducto por um sialolito (cálculo salivar). A glândula submandibular é a mais acometida, pois seu ducto (Wharton) é mais longo, tortuoso e com fluxo salivar contra a gravidade, favorecendo a estase e a precipitação de sais. A obstrução leva à estase salivar, que predispõe à infecção ascendente por bactérias da flora oral, principalmente Streptococcus viridans e anaeróbios. O quadro típico é dor e edema na região da glândula, que pioram à alimentação (estímulo salivar), com hiperemia e calor locais. A saída de secreção purulenta pela papila do ducto confirma o diagnóstico de sialoadenite supurada.
O diagnóstico é essencialmente clínico. A ultrassonografia de partes moles pode auxiliar na identificação do cálculo e na avaliação de abscesso, mas não é obrigatória para iniciar o tratamento. A tomografia computadorizada está reservada para casos de complicações, como abscesso profundo ou suspeita de extensão para espaços cervicais. O tratamento inicial é clínico: hidratação, analgésicos/anti-inflamatórios, massagem da glândula e antibioticoterapia empírica com amoxicilina-clavulanato, que cobre a flora oral. A drenagem cirúrgica (cervicotomia) é indicada apenas quando há abscesso formado, que não é o caso descrito, pois não há flutuação ou sinais de coleção franca. A drenagem percutânea não é o padrão para abscesso de glândula salivar.
A principal distinção a ser feita é entre sialoadenite aguda e angina de Ludwig. A angina de Ludwig é uma celulite rapidamente progressiva dos espaços submandibular e sublingual, bilateral, com risco de obstrução de via aérea. O paciente apresenta dor, edema cervical bilateral, disfagia, trismo e, frequentemente, comprometimento sistêmico (febre, toxemia). No caso descrito, o processo é unilateral, localizado em nível IB, com saída de pus pela papila sublingual, o que aponta para comprometimento da glândula submandibular, não para uma celulite difusa. A piora à alimentação é um dado clássico de obstrução do ducto salivar, não de angina de Ludwig.
A pegadinha da banca está em confundir sialoadenite aguda com angina de Ludwig e em propor condutas cirúrgicas agressivas (cervicotomia, drenagem percutânea) para um caso que responde ao tratamento clínico inicial. O candidato deve reconhecer os sinais de obstrução do ducto salivar (piora à alimentação, saída de pus pela papila) e saber que o tratamento inicial é clínico, reservando a cirurgia para complicações.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada com prioridade não é indicada como primeira abordagem, pois a principal hipótese diagnóstica é sialoadenite aguda, e não angina de Ludwig. A angina de Ludwig é uma celulite bilateral dos espaços submandibular e sublingual, com risco de obstrução de via aérea, e o paciente não apresenta esse quadro. A TC é reservada para casos de complicações, como abscesso profundo ou extensão para espaços cervicais, não para o diagnóstico inicial de sialoadenite.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cervicotomia para drenagem de abscesso não é o tratamento inicial indicado. O caso descrito é de sialoadenite aguda sem evidência de abscesso formado (não há flutuação, e a palpação profunda é impedida por dor, mas não há sinais de coleção). O tratamento inicial é clínico: hidratação, anti-inflamatórios e antibiótico. A drenagem cirúrgica é reservada para casos de abscesso ou complicações, que não estão presentes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A etiologia é provavelmente litiásica, pois a piora da dor à alimentação é um sinal clássico de obstrução do ducto salivar por cálculo. O tratamento inicial é clínico: hidratação, anti-inflamatórios e amoxicilina-clavulanato, que cobre a flora oral polimicrobiana. Essa é a conduta padrão para sialoadenite aguda não complicada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A drenagem percutânea não é o tratamento indicado para abscesso de glândula salivar. O padrão é a drenagem cirúrgica aberta (cervicotomia) quando há abscesso formado, e mesmo assim apenas após falha do tratamento clínico ou em casos de complicação. No caso descrito, não há indicação de drenagem, pois não há abscesso evidente.
Gabarito: letra C — a conduta correta é o tratamento clínico com hidratação, anti-inflamatórios e amoxicilina-clavulanato, pois a etiologia é litiásica.