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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2025

MedicinaUrologia
Código
vu093878
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Homem de 65 anos, sem comorbidades graves, independente para atividades da vida diária, comparece em consulta de rotina. Refere estar em bom estado de saúde, sem sintomas urinários ou ósseos. Em exames de rotina, teve PSA dosado com valor de 3,2ng/mL, valor que se manteve inalterado após 6 meses da primeira dosagem.Em discussão com seu médico, e considerando as recomendações atuais sobre o rastreamento do câncer de próstata, optou-se pela realização de ressonância da próstata para complementar o diagnóstico.Em face do exposto, assinale a alternativa correta.
  1. ANesse paciente, a indicação principal ocorreria apenas com PSA ≥ 6 ng/mL. Nessa situação, a ressonância serviria para localizar lesões suspeitas que justifiquem biópsia.
  2. BCom o PSA nesse valor (3,2 ng/mL) e inalterado nos últimos 6 meses, não se faz necessário a realização de exame complementar para seguimento da investigação.
  3. CPara esse caso, a biópsia transretal guiada por ultrasom poderia substituir a ressonância, pois teria sensibilidade/acurácia semelhantes e menor custo para o paciente.
  4. DCom PSA 3,2 ng/mL persistente, a ressonância é indicada para reduzir biópsias desnecessárias, sem comprometer a detecção de tumores clinicamente significativos.
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GabaritoD — Com PSA 3,2 ng/mL persistente, a ressonância é indicada para reduzir biópsias desnecessárias, sem comprometer a detecção de tumores clinicamente significativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de próstata e uso da ressonância magnética multiparamétrica

Gabarito: letra D. Com PSA persistentemente elevado (3,2 ng/mL), a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp) é indicada para reduzir biópsias desnecessárias, sem comprometer a detecção de tumores clinicamente significativos — exatamente o que a alternativa D afirma. Essa é a recomendação atual baseada na evidência de que a RMmp, interpretada pelo sistema PI-RADS, permite direcionar a biópsia para lesões suspeitas, evitando procedimentos em homens com baixa probabilidade de câncer relevante.

O rastreamento do câncer de próstata (CaP) é um dos temas mais controversos da medicina preventiva. O PSA é uma variável contínua de risco: quanto mais elevado, maior a chance de CaP e de CaP clinicamente significativo. Não existe um valor de PSA abaixo do qual não haja câncer, e valores entre 2 e 9 ng/mL têm forte correlação com hiperplasia prostática benigna (HPB), a causa mais comum de elevação do PSA em homens acima de 50 anos. Por isso, o PSA isolado tem baixa especificidade — considerando o valor de PSA > 3 ng/mL para indicação de biópsia, o teste é falso-positivo em 76% dos homens.

A tabela abaixo mostra o risco de CaP conforme o nível de PSA, evidenciando que mesmo valores considerados "normais" (até 4 ng/mL) carregam risco não desprezível:

Nível do PSA (ng/mL)

Risco de CaP (%)

Risco de CaP clinicamente significativo (%)

0,0–0,5

6,6

0,8

0,6–1

10,1

1

1,1–2

17

2

2,1–3

23,9

4,6

3,1–4

26,9

6,7

Nesse contexto, a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp) surge como ferramenta de triagem antes da biópsia. Ela é interpretada pelo sistema PI-RADS (Prostate Imaging-Reporting and Data System), escala de 1 a 5 em que números mais altos indicam maior probabilidade de câncer clinicamente significativo (escore de Gleason 7 a 10). Em pacientes com RM PI-RADS 3 a 5, pode-se realizar biópsia guiada por RM para melhorar a acurácia diagnóstica. A lógica é: se a RMmp não mostra lesões suspeitas (PI-RADS 1 ou 2), a biópsia pode ser adiada ou evitada, poupando o paciente de um procedimento invasivo com riscos (sangramento, infecção) e sem ganho diagnóstico relevante.

A decisão de rastrear e investigar deve ser compartilhada com o paciente, considerando idade, comorbidades, expectativa de vida e preferências. Homens entre 55 e 69 anos devem se engajar na tomada de decisão compartilhada sobre o rastreamento. No caso do enunciado, um homem de 65 anos, independente e sem comorbidades graves, tem expectativa de vida longa — o que justifica a investigação diante de PSA persistentemente elevado. A repetição do PSA após 6 meses, mantendo-se o valor, reforça a necessidade de complementar a investigação, não de abandoná-la.

A pegadinha central desta questão é a indicação da RMmp: ela não serve apenas para "localizar lesões" em casos de PSA muito alto, mas sim como estratégia para evitar biópsias desnecessárias em homens com PSA moderadamente elevado, sem perder tumores clinicamente significativos. É essa nuance que separa a alternativa correta (D) das demais.

Rastreamento de CaP
  • 1PSA (variável contínua de risco)
    • Quanto maior, maior o risco
    • Baixa especificidade (falso-positivo em 76%)
  • 2RMmp (PI-RADS 1–5)
    • Sem lesão suspeita (1–2)
      • adia/evita biópsia
    • Lesão suspeita (3–5)
      • biópsia dirigida
  • 3Objetivo da RMmp
    • reduzir biópsias desnecessárias
    • sem perder CaP clinicamente significativo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a indicação da ressonância ocorreria apenas com PSA ≥ 6 ng/mL. Isso é falso: não há um limiar rígido de PSA para indicar RMmp. A RMmp é útil justamente em valores moderadamente elevados (como 3,2 ng/mL), onde a especificidade do PSA é baixa e a triagem por imagem ajuda a decidir quem realmente precisa de biópsia. O valor de 6 ng/mL não corresponde a nenhum ponto de corte consagrado nas diretrizes — é um distrator numérico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que, com PSA 3,2 ng/mL inalterado em 6 meses, não é necessário exame complementar. Isso contraria a recomendação atual: a persistência da elevação do PSA (mesmo estável) em homem com expectativa de vida longa justifica investigação adicional. O PSA estável não exclui câncer de próstata — ele é uma variável contínua de risco, e o valor de 3,2 ng/mL já confere risco de CaP clinicamente significativo de cerca de 6,7%. A conduta correta é complementar a investigação, não interrompê-la.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere que a biópsia transretal guiada por ultrassom (USTR) poderia substituir a ressonância por ter sensibilidade/acurácia semelhantes e menor custo. Isso é incorreto por dois motivos: (1) a USTR não tem acurácia semelhante à RMmp para detectar lesões clinicamente significativas — a RMmp é superior na identificação de lesões suspeitas e no direcionamento da biópsia; (2) a lógica atual é usar a RMmp antes da biópsia para decidir quem precisa dela, não substituir uma pela outra. A biópsia cega (sistemática) pode perder tumores significativos e diagnosticar tumores indolentes que não precisariam de tratamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Com PSA 3,2 ng/mL persistente, a RMmp é indicada para reduzir biópsias desnecessárias, sem comprometer a detecção de tumores clinicamente significativos. A RMmp, interpretada pelo PI-RADS, permite identificar lesões suspeitas que justificam biópsia dirigida e, na ausência de lesões significativas, evitar a biópsia — reduzindo procedimentos invasivos e o sobrediagnóstico de tumores indolentes, sem perder os cânceres que realmente importam (Gleason ≥ 7).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel da RMmp no rastreamento. Muitos candidatos pensam que a ressonância serve apenas para "localizar lesões" em casos de PSA muito alto (alternativa A) ou que a biópsia por USTR é equivalente (alternativa C). Na verdade, o papel central da RMmp na era atual é triagem antes da biópsia: evitar procedimentos desnecessários em homens com PSA moderadamente elevado, sem perder os tumores clinicamente significativos. Guarde essa lógica: RMmp → PI-RADS → biópsia dirigida apenas se houver lesão suspeita.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de rastreamento de CaP, lembre-se do fluxo: PSA elevado → repetir para confirmar persistência → RMmp (PI-RADS) → biópsia dirigida se PI-RADS 3–5. A RMmp não substitui a biópsia, mas seleciona quem precisa dela. E desconfie de alternativas com limiares rígidos de PSA (como ≥ 6 ng/mL) — o PSA é uma variável contínua de risco, não um teste binário.

Gabarito: letra D

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