Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu093883
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Homem de 46 anos procura atendimento por apresentar dispepsia crônica. Há 6 meses, realizou endoscopia digestiva alta, que revelou gastrite crônica ativa, e a biópsia foi positiva para helicobacter pylori. Foi tratado, nessa ocasião, com claritromicina + amoxicilina + IBP por 14 dias, e realizou o teste respiratório com ureia 2 meses após o término, persistindo positivo mesmo após o tratamento. Retorna com manutenção de queixa de dor epigástrica leve, esporádica, sem outros sinais de alerta. Nova endoscopia foi realizada, demonstrando apenas gastrite difusa, sem úlcera ou lesão suspeita para neoplasia. Antecedentes pessoais: nega tabagismo e etilismo, não faz uso crônico de AINEs. Alergias: anafilaxia à penicilina na adolescência.Considere as diretrizes atuais sobre regimes de resgate e teste de erradicação e assinale a alternativa correta.
ARepetir esquema tríplice substituindo a amoxicilina por metronidazol, associado à claritromicina e IBP, e realizar novo teste respiratório 4 semanas após o tratamento.
BIndicar esquema quádruplo (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto), por 14 dias, e solicitar teste respiratório da ureia ou antígeno fecal após 4 semanas.
CRepetir esquema tríplice substituindo a amoxicilina por metronidazol, associado à claritromicina e IBP, e realizar nova endoscopia 4 semanas após o tratamento.
DPrescrever levofloxacino + amoxicilina + IBP por 14 dias, já que não envolve claritromicina, e verificar controle de cura com sorologia IgG anti-H. pylori.
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GabaritoB — Indicar esquema quádruplo (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto), por 14 dias, e solicitar teste respiratório da ureia ou antígeno fecal após 4 semanas.
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Erradicação do H. pylori: regimes de resgate e teste de cura
Gabarito: letra B. Após falha do esquema tríplice com claritromicina, a conduta recomendada pelas diretrizes atuais é o esquema quádruplo com bismuto (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto) por 14 dias, com teste de erradicação não invasivo (teste respiratório da ureia ou antígeno fecal) realizado 4 semanas após o término do tratamento. A alternativa B espelha exatamente essa recomendação, enquanto as demais incorrem em erros como repetir claritromicina (A e C), usar sorologia para controle de cura (D) ou indicar endoscopia sem necessidade (C).
A infecção pelo Helicobacter pylori é a principal causa de gastrite crônica ativa e está associada a úlcera péptica e neoplasia gástrica. O tratamento de primeira linha, em regiões com baixa resistência à claritromicina, é o esquema tríplice com IBP + claritromicina + amoxicilina (ou metronidazol) por 14 dias. Quando esse esquema falha — como no caso do paciente, que persistiu com teste respiratório positivo após o tratamento —, a conduta é partir para um regime de resgate. A escolha do resgate depende de fatores como alergias, resistência bacteriana e exposição prévia a antibióticos.
O paciente em questão tem alergia à penicilina (anafilaxia), o que contraindica o uso de amoxicilina. Isso elimina as alternativas que mantêm a amoxicilina (A, C e D). Além disso, a falha prévia com claritromicina sugere resistência a esse antibiótico, tornando inadequado repeti-lo em qualquer esquema (A e C). O esquema quádruplo com bismuto (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto) é uma opção de resgate eficaz, não contém penicilina nem claritromicina, e é a recomendação das diretrizes atuais para falha terapêutica.
O teste de erradicação deve ser realizado, idealmente, 4 semanas após o término do tratamento e 2 semanas após a interrupção do IBP. Os métodos não invasivos preferenciais são o teste respiratório da ureia e a pesquisa de antígeno fecal. A sorologia (IgG anti-H. pylori) não é recomendada para controle de cura, pois pode permanecer positiva por meses a anos após a erradicação bem-sucedida, não distinguindo infecção ativa de passada. A endoscopia com biópsia só é necessária em situações específicas, como suspeita de neoplasia, úlcera péptica ou necessidade de cultura para teste de sensibilidade — não é o caso deste paciente, que tem apenas gastrite difusa sem lesão suspeita.
A diretriz da ACG/CAG (American College of Gastroenterology / Canadian Association of Gastroenterology) de 2017, citada no material de apoio, orienta o manejo da dispepsia e da infecção por H. pylori. O material também destaca que, após falha do tratamento, recomenda-se um teste de cura 4 semanas após o término do tratamento e 2 semanas após a interrupção do IBP, com teste de antígeno fecal ou exame respiratório de ureia. O esquema quádruplo com bismuto é explicitamente listado como opção terapêutica: "As opções consistem em terapia quádrupla com bismuto, que consiste em IBP, bismuto, tetraciclina e metronidazol por 14 dias".
A pegadinha central desta questão é dupla: (1) a alergia à penicilina contraindica a amoxicilina, eliminando várias alternativas; (2) a falha prévia com claritromicina torna inadequado repeti-la. O candidato que não atenta para esses dois pontos pode cair nas alternativas A ou C, que repetem a claritromicina, ou na D, que usa amoxicilina. Além disso, a alternativa D usa sorologia para controle de cura, um erro conceitual grave, pois a sorologia não diferencia infecção ativa de passada.
Guarde o critério decisivo: após falha do esquema tríplice, o resgate deve evitar os antibióticos já usados (claritromicina) e respeitar alergias (penicilina), optando por esquema quádruplo com bismuto, e o controle de cura deve ser feito com teste não invasivo (respiratório ou antígeno fecal) após 4 semanas. É exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Critério
Alternativa A
Alternativa B (Gabarito)
Alternativa C
Alternativa D
Esquema proposto
Tríplice (claritromicina + metronidazol + IBP)
Quádruplo com bismuto (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto)
Tríplice (claritromicina + metronidazol + IBP)
Levofloxacino + amoxicilina + IBP
Evita claritromicina (resistência pós-falha)?
❌ Não
✅ Sim
❌ Não
✅ Sim
Evita amoxicilina (alergia à penicilina)?
❌ Não
✅ Sim
❌ Não
❌ Não
Teste de cura indicado
Teste respiratório (correto)
Teste respiratório ou antígeno fecal (correto)
Endoscopia (incorreto)
Sorologia IgG (incorreto)
Adequação às diretrizes
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
❌ Incorreta
Resgate após falha do tríplice
1Evitar claritromicina (resistência)
2Respeitar alergia à penicilina
Sem amoxicilina
3Esquema quádruplo com bismuto
IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto
14 dias
4Teste de cura (4 semanas após)
Teste respiratório da ureia
Antígeno fecal
Sorologia IgG (não diferencia ativa/passada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Repete a claritromicina, à qual o paciente provavelmente desenvolveu resistência após a falha do esquema tríplice. Além disso, mantém a amoxicilina, contraindicada pela alergia à penicilina (anafilaxia). O teste respiratório após 4 semanas está correto, mas o esquema em si é inadequado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Indica o esquema quádruplo com bismuto (IBP + tetraciclina + metronidazol + bismuto) por 14 dias, que não contém claritromicina nem amoxicilina, sendo adequado para resgate após falha do tríplice e seguro para paciente alérgico à penicilina. O teste de erradicação com teste respiratório da ureia ou antígeno fecal após 4 semanas está correto, conforme as diretrizes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repete a claritromicina e mantém a amoxicilina, ambos inadequados (resistência e alergia). Além disso, indica nova endoscopia para controle de cura, o que não é necessário em paciente com apenas gastrite difusa sem lesão suspeita — o teste não invasivo é suficiente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Usa amoxicilina, contraindicada pela alergia à penicilina. Embora evite a claritromicina, o esquema com levofloxacino não é a primeira escolha de resgate e, principalmente, o controle de cura com sorologia IgG é inadequado, pois não distingue infecção ativa de passada.