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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu093894
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Mulher de 74 anos, IMC 29 kg/m² , com hipertensão controlada, doença coronariana estável e taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) de 52 mL/min/1,73m² . Apresenta HbA1c de 7,3% em uso de metformina.Levando-se em conta o cenário clínico e as evidências atuais sobre o uso de análogos de GLP-1 em idosos, qual das condutas a seguir é a mais adequada?
  1. AIniciar análogo de GLP-1 de ação prolongada, visando benefício cardiovascular e controle glicêmico, sem necessidade de preocupação quanto ao risco de sarcopenia, já que o efeito é predominantemente metabólico.
  2. BConsiderar o análogo de GLP-1 apenas se houver falha de múltiplas classes orais, uma vez que sua segurança em idosos com função renal reduzida é limitada.
  3. CAvaliar com cautela o uso de análogo de GLP-1, ponderando benefício cardiovascular e renal, mas atentar para risco aumentado de perda de massa magra e piora da sarcopenia em pacientes idosos, devendo a decisão ser individualizada.
  4. DEvitar análogos de GLP-1 em qualquer paciente com mais de 70 anos, devido ao risco elevado de eventos adversos e ausência de benefício cardiovascular documentado nessa faixa etária.
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GabaritoC — Avaliar com cautela o uso de análogo de GLP-1, ponderando benefício cardiovascular e renal, mas atentar para risco aumentado de perda de massa magra e piora da sarcopenia em pacientes idosos, devendo a decisão ser individualizada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso de análogos de GLP-1 em idosos com doença cardiovascular e função renal reduzida

Gabarito: letra C. A conduta mais adequada é avaliar com cautela o uso de análogo de GLP-1, ponderando os benefícios cardiovasculares e renais, mas atentando para o risco aumentado de perda de massa magra e piora da sarcopenia em pacientes idosos, devendo a decisão ser individualizada. Essa abordagem reflete o equilíbrio entre as evidências de proteção cardiovascular-renal dos arGLP-1 e a necessidade de considerar a vulnerabilidade do paciente idoso, especialmente quanto à sarcopenia.

Os análogos do receptor de GLP-1 (arGLP-1) são uma classe de medicamentos injetáveis utilizados no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Eles mimetizam a ação do hormônio incretina GLP-1, que estimula a secreção de insulina dependente de glicose, inibe a secreção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade. Além do controle glicêmico, os arGLP-1 demonstraram benefícios cardiovasculares e renais em estudos clínicos, sendo recomendados para pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida ou alto risco cardiovascular, bem como para aqueles com doença renal crônica (DRC).

No caso apresentado, a paciente tem 74 anos, IMC 29 kg/m² (sobrepeso), hipertensão controlada, doença coronariana estável e TFGe de 52 mL/min/1,73m² (DRC estágio G3a). A HbA1c de 7,3% em uso de metformina indica controle glicêmico razoável, mas não ideal. A presença de doença cardiovascular estabelecida e DRC são indicações fortes para considerar o uso de arGLP-1, pois essa classe demonstrou reduzir eventos cardiovasculares maiores e retardar a progressão da doença renal. No entanto, a idade avançada e a sarcopenia são preocupações importantes. Estudos observacionais e análises de ensaios clínicos sugerem que a perda de peso induzida por arGLP-1 pode incluir perda de massa magra, o que é particularmente relevante em idosos, que já apresentam risco aumentado de sarcopenia. A sarcopenia está associada a maior risco de quedas, fraturas, perda de funcionalidade e mortalidade. Portanto, a decisão de iniciar um arGLP-1 em um idoso deve ser individualizada, considerando o estado funcional, a reserva muscular, a expectativa de vida e as preferências do paciente, além dos benefícios cardiovasculares e renais.

A alternativa C captura exatamente essa nuance: reconhece os benefícios potenciais, mas alerta para o risco de sarcopenia e enfatiza a necessidade de individualização. As demais alternativas são incorretas por diferentes razões: A ignora o risco de sarcopenia, B subestima o benefício em idosos com DRC, e D é uma contraindicação absoluta sem base em evidências.

1Benefícios
Controle glicêmico
Proteção cardiovascular
Proteção renal
2Riscos
Perda de massa magra
Piora da sarcopenia
3Decisão
Individualizada
Avaliar estado funcional
Avaliar reserva muscular
Análogos de GLP-1 em idosos
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Análogos de GLP-1 em idosos: Benefícios (Controle glicêmico, Proteção cardiovascular, Proteção renal); Riscos (Perda de massa magra, Piora da sarcopenia); Decisão (Individualizada, Avaliar estado funcional, Avaliar reserva muscular)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não há necessidade de preocupação com sarcopenia, pois o efeito é "predominantemente metabólico". Isso é falso. Embora o efeito primário seja metabólico, a perda de peso induzida por arGLP-1 pode incluir perda de massa magra, e em idosos isso pode exacerbar a sarcopenia. A preocupação com a massa muscular é legítima e deve ser considerada na decisão clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o arGLP-1 só deve ser considerado após falha de múltiplas classes orais, devido à segurança limitada em idosos com função renal reduzida. Isso é incorreto por dois motivos: (1) os arGLP-1 têm benefícios cardiovasculares e renais que justificam seu uso precoce em pacientes com DCV ou DRC, independentemente da falha de múltiplas classes orais; (2) a segurança em idosos com TFGe de 52 mL/min/1,73m² não é "limitada" — a maioria dos arGLP-1 pode ser usada com ajuste de dose ou precaução nessa faixa de função renal, e o benefício geralmente supera o risco.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a prática clínica baseada em evidências: reconhece os benefícios cardiovasculares e renais dos arGLP-1, mas alerta para o risco de perda de massa magra e piora da sarcopenia em idosos, recomendando uma decisão individualizada. Essa abordagem é consistente com as diretrizes atuais, que enfatizam a avaliação do estado funcional e da fragilidade em idosos antes de iniciar terapias que possam causar perda de peso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que se deve evitar arGLP-1 em qualquer paciente com mais de 70 anos, devido a risco elevado de eventos adversos e ausência de benefício cardiovascular documentado. Isso é falso. Os ensaios clínicos de arGLP-1 incluíram pacientes idosos e demonstraram benefícios cardiovasculares nessa faixa etária. A contraindicação absoluta por idade não é baseada em evidências e contraria o princípio de que a condição funcional é mais importante que a idade cronológica.

Gabarito: letra C

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