Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu093896
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Após uma internação prolongada por quadro de acidente vascular cerebral, que evoluiu com crises convulsivas que levaram a intubação orotraqueal, pneumonia associada à ventilação mecânica e traquestomia, o paciente V.F.B. encontra-se em processo de reabilitação, decanulado, porém, ainda com dificuldade de deglutição, em alimentação por sonda nasoenteral, além de dificuldade de mobilidade associada a polineuropatia do doente crítico, e das limitações provocadas pelo evento vascular. O núcleo de desospitalização do hospital interroga o médico assistente se não seria possível iniciar o planejamento de alta hospitalar.Quais são as ponderações necessárias para essa ação?
AO planejamento de alta é um processo essencialmente médico. Diante da debilidade do paciente, é fundamental a avaliação pela fisiatria para que se possa elaborar um detalhado planejamento de reabilitação a ser implementado pela equipe multidisciplinar.
BA desospitalização é um processo multidisciplinar, que pode incluir tanto a modalidade de atenção domiciliar como a transferência para uma instituição de longa permanência ou hospice em seu planejamento, podendo ser uma alternativa para o caso em questão.
CNesse caso, a manutenção da dieta enteral configura o principal impedimento para a alta hospitalar. Além de não ser um recurso disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, representando assim um importante ônus para a família, trata-se de um processo que deve ser planejado precocemente durante a internação, com a definição do cuidador principal, a fim de garantir segurança no momento da alta.
DNo contexto específico desse paciente, por se tratar de um acidente vascular cerebral, situação na qual a reabilitação precoce, intensiva e multidisciplinar acarreta melhores desfechos clínicos, a desospitalização não está indicada.
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GabaritoB — A desospitalização é um processo multidisciplinar, que pode incluir tanto a modalidade de atenção domiciliar como a transferência para uma instituição de longa permanência ou hospice em seu planejamento, podendo ser uma alternativa para o caso em questão.
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Desospitalização e planejamento de alta no paciente crítico neurológico
Gabarito: letra B. A desospitalização é um processo multidisciplinar, que envolve a articulação entre equipe assistencial, família e serviços de saúde, podendo incluir tanto a atenção domiciliar quanto a transferência para instituições de longa permanência ou cuidados paliativos (hospice), sendo uma alternativa viável para o paciente descrito, que já está decanulado e em reabilitação, mas ainda dependente de cuidados. A alternativa correta reflete o conceito de que a alta hospitalar não é um ato exclusivamente médico, mas um planejamento compartilhado que considera as necessidades clínicas, funcionais e sociais do paciente.
A desospitalização é um processo complexo que visa transferir o cuidado do ambiente hospitalar para o domicílio ou para outros serviços de saúde, de forma segura e planejada. No caso de pacientes com sequelas neurológicas graves, como o AVC, esse processo envolve a avaliação de múltiplos aspectos: a estabilidade clínica, a capacidade funcional, o suporte familiar, a disponibilidade de cuidadores e os recursos da rede de atenção à saúde. A reabilitação precoce e intensiva é fundamental para melhorar os desfechos, mas isso não impede a alta hospitalar, desde que haja um plano de continuidade do cuidado. A dieta enteral, por exemplo, não é um impedimento absoluto para a alta, pois pode ser mantida no domicílio com o suporte adequado da atenção domiciliar e da família, desde que haja planejamento e treinamento adequados.
O planejamento de alta deve ser iniciado precocemente, ainda durante a internação, com a definição do cuidador principal, a avaliação das condições do domicílio e a articulação com os serviços de saúde disponíveis. No caso de pacientes com AVC, a reabilitação deve ser oferecida em ambiente interdisciplinar adequado, com intensidade proporcional ao benefício esperado e à tolerância do paciente, conforme as diretrizes atuais. A desospitalização não é contraindicada nesses casos; pelo contrário, pode ser uma estratégia para promover a continuidade do cuidado e a reintegração do paciente ao seu ambiente familiar e social.
A alternativa B está correta porque reconhece a natureza multidisciplinar do processo de desospitalização e a diversidade de modalidades de cuidado que podem ser consideradas, incluindo a atenção domiciliar e as instituições de longa permanência ou hospice. Essa abordagem é adequada para o paciente descrito, que, apesar de ainda apresentar dificuldades de deglutição e mobilidade, já está decanulado e em processo de reabilitação, podendo se beneficiar de um plano de alta bem estruturado.
A alternativa A está incorreta porque afirma que o planejamento de alta é um processo essencialmente médico, o que contraria o princípio da multidisciplinaridade. Embora a avaliação pela fisiatria seja importante para o planejamento da reabilitação, a alta hospitalar envolve a participação de diversos profissionais, como enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais e psicólogos, além da família e do próprio paciente.
A alternativa C está incorreta porque afirma que a manutenção da dieta enteral é o principal impedimento para a alta hospitalar e que não é um recurso disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na verdade, a dieta enteral pode ser mantida no domicílio com o suporte da atenção domiciliar, e o SUS oferece programas de atenção domiciliar que incluem o fornecimento de insumos e o acompanhamento por equipes multiprofissionais. Além disso, a dieta enteral não é, por si só, um impedimento para a alta, desde que haja planejamento e suporte adequados.
A alternativa D está incorreta porque afirma que a desospitalização não está indicada no contexto de AVC, o que é falso. A reabilitação precoce, intensiva e multidisciplinar é importante, mas isso não impede a alta hospitalar. Pelo contrário, a desospitalização pode ser uma estratégia para promover a continuidade do cuidado e a reintegração do paciente ao seu ambiente familiar e social, desde que haja um plano de alta bem estruturado e suporte adequado.
Critério
Alternativa A
Alternativa B (Gabarito)
Alternativa C
Alternativa D
Natureza do processo
Essencialmente médico
Multidisciplinar
(não aborda diretamente)
(não aborda diretamente)
Modalidades de cuidado
Apenas reabilitação (fisiatria)
Atenção domiciliar, ILP ou hospice
Dieta enteral como impedimento
Desospitalização contraindicada
Papel da dieta enteral
(não aborda)
(não aborda)
Principal impedimento; não disponível no SUS
(não aborda)
Indicação no AVC
(não aborda)
Viável com plano estruturado
(não aborda)
Não indicada
Correção
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
❌ Incorreta
Desospitalização: Processo multidisciplinar (Equipe assistencial, Família e cuidador, Serviços de saúde); Modalidades (Atenção domiciliar, Instituição de longa permanência, Hospice (cuidados paliativos)); Requisitos para alta (Estabilidade clínica, Suporte familiar, Planejamento precoce, Treinamento do cuidador)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que o planejamento de alta é um processo essencialmente médico. A alta hospitalar é um processo multidisciplinar, que envolve a participação de diversos profissionais de saúde, além da família e do paciente. Embora a avaliação pela fisiatria seja importante para o planejamento da reabilitação, ela não é o único componente do processo. A alternativa reduz o escopo do planejamento de alta a uma única especialidade, o que contraria o princípio da integralidade do cuidado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reconhece a desospitalização como um processo multidisciplinar, que pode incluir diferentes modalidades de cuidado, como a atenção domiciliar, a transferência para instituições de longa permanência ou hospice. Essa abordagem é adequada para o paciente descrito, que, apesar de ainda apresentar dificuldades de deglutição e mobilidade, já está decanulado e em processo de reabilitação, podendo se beneficiar de um plano de alta bem estruturado. A alternativa reflete o conceito de que a alta hospitalar não é um ato exclusivamente médico, mas um planejamento compartilhado que considera as necessidades clínicas, funcionais e sociais do paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que a manutenção da dieta enteral é o principal impedimento para a alta hospitalar e que não é um recurso disponibilizado pelo SUS. Na verdade, a dieta enteral pode ser mantida no domicílio com o suporte da atenção domiciliar, e o SUS oferece programas de atenção domiciliar que incluem o fornecimento de insumos e o acompanhamento por equipes multiprofissionais. Além disso, a dieta enteral não é, por si só, um impedimento para a alta, desde que haja planejamento e suporte adequados. A alternativa também erra ao afirmar que o processo deve ser planejado precocemente, o que é verdade, mas não é o principal impedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que a desospitalização não está indicada no contexto de AVC. A reabilitação precoce, intensiva e multidisciplinar é importante, mas isso não impede a alta hospitalar. Pelo contrário, a desospitalização pode ser uma estratégia para promover a continuidade do cuidado e a reintegração do paciente ao seu ambiente familiar e social, desde que haja um plano de alta bem estruturado e suporte adequado. A alternativa contraria o princípio de que a alta hospitalar deve ser planejada de forma individualizada, considerando as necessidades e os recursos disponíveis.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a alternativa A como correta, ao afirmar que o planejamento de alta é um processo essencialmente médico. Na verdade, a alta hospitalar é um processo multidisciplinar, que envolve a participação de diversos profissionais de saúde, além da família e do paciente. Fique atento a essa inversão de conceitos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre desospitalização, lembre-se de que o processo é sempre multidisciplinar e deve considerar as necessidades clínicas, funcionais e sociais do paciente. Avalie se a alternativa reconhece a participação de diversos profissionais e a possibilidade de diferentes modalidades de cuidado, como atenção domiciliar e instituições de longa permanência.