Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu093898
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
O paciente S.G.M., sexo masculino, 76 anos, apresenta-se à unidade de pronto atendimento com dispneia aos esforços progressiva, associada a tontura aos esforços e, ocasionalmente, dor torácica, que melhoram no repouso. Nega síncope. Ao exame físico, apresenta estertores em 1/3 inferior de ambos hemitórax, turgência jugular e sopro de ejeção crescendo-decrescendo no segundo espaço intercostal do rebordo costal direito. Frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto; pressão arterial de 96 x 56 mmHg. Realizada eletrocardiografia: ritmo sinusal, sem evidências de isquemia aguda.Qual é a melhor conduta para esse paciente, nesse momento?
ASeriar eletrocardiografia e troponina.
BIndicar estratificação não invasiva com angiotomografia de coronárias diante do quadro de angina estável com dispneia como equivalente anginoso.
CIndicar implante percutâneo de válvula aórtica por quadro sintomático em paciente idoso.
DSolicitar ecocardiografia transtorácia, BNP. A depender do resultado, pode-se indicar ecocardiografia com estresse (dobutamina).
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Solicitar ecocardiografia transtorácia, BNP. A depender do resultado, pode-se indicar ecocardiografia com estresse (dobutamina).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estenose aórtica no idoso: abordagem diagnóstica inicial
Gabarito: letra D. O paciente apresenta quadro clássico de estenose aórtica grave sintomática (dispneia, tontura, dor torácica aos esforços, sopro sistólico em foco aórtico, estertores e turgência jugular por congestão). Nesse momento, a conduta é confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade com ecocardiografia transtorácica e BNP, e, se necessário, prosseguir com ecocardiograma de estresse com dobutamina para avaliar a reserva contrátil e a gravidade da estenose em casos de baixo fluxo/baixo gradiente — exatamente o que a alternativa D propõe.
A estenose aórtica é a valvopatia mais comum no idoso, geralmente por degeneração calcífica. A tríade clássica de sintomas — angina, síncope e dispneia — marca a transição para a fase sintomática, que tem prognóstico sombrio sem intervenção. O sopro característico é sistólico, de ejeção, crescendo-decrescendo, mais bem auscultado no foco aórtico (segundo espaço intercostal direito), podendo irradiar para as carótidas. No idoso, a apresentação pode ser atípica, com dispneia como equivalente anginoso, como neste caso.
O ecocardiograma transtorácico é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, quantificar a gravidade (área valvar, gradiente médio, velocidade de pico) e avaliar a função ventricular. O BNP é útil para avaliar o componente de insuficiência cardíaca e auxiliar no prognóstico. Em pacientes com estenose aórtica grave de baixo fluxo e baixo gradiente (fração de ejeção reduzida), o ecocardiograma com estresse por dobutamina é indicado para distinguir estenose verdadeiramente grave de estenose moderada com disfunção ventricular, avaliando a reserva contrátil.
A alternativa A (seriar ECG e troponina) é apropriada para investigar síndrome coronariana aguda, mas o quadro aqui é mais sugestivo de valvopatia, e o ECG já foi realizado sem isquemia. A alternativa B (angiotomografia de coronárias) é um exame para doença arterial coronariana, não para valvopatia, e não é a primeira linha na investigação de estenose aórtica. A alternativa C (implante percutâneo de válvula aórtica) é um tratamento, não uma conduta diagnóstica inicial — antes de indicar qualquer intervenção, é preciso confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar imediatamente (alternativa C) ou de investigar doença coronariana (alternativas A e B), quando o passo correto é diagnosticar e estratificar antes de qualquer decisão terapêutica. O raciocínio clínico exige que se confirme a suspeita de estenose aórtica grave com exames não invasivos antes de considerar intervenção.
1Suspeita clínica (tríade + sopro)
2Ecocardiograma + BNP
3Baixo fluxo/baixo gradiente?
4Ecocardiograma com dobutamina
5Decisão terapêutica (TAVI/cirurgia)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Seriar eletrocardiografia e troponina é a conduta para investigar síndrome coronariana aguda (SCA). Embora o paciente tenha dor torácica e dispneia, o sopro de ejeção em foco aórtico e a congestão pulmonar apontam fortemente para estenose aórtica, não para SCA. O ECG já foi realizado e não mostra isquemia aguda. A troponina pode estar elevada em diversas condições (como estenose aórtica grave por desbalanço oferta-consumo), mas não é o exame que define a conduta neste momento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A angiotomografia de coronárias é um exame para avaliar doença arterial coronariana obstrutiva. O quadro clínico, com sopro de ejeção em foco aórtico, é muito mais sugestivo de estenose aórtica. Além disso, a dispneia como equivalente anginoso é um conceito que se aplica à doença coronariana, mas aqui o exame físico direciona para a valvopatia. A estratificação não invasiva com angiotomografia não é o primeiro passo na investigação de estenose aórtica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O implante percutâneo de válvula aórtica (TAVI) é um tratamento para estenose aórtica grave sintomática, não uma conduta diagnóstica inicial. Antes de indicar qualquer intervenção, é obrigatório confirmar o diagnóstico com ecocardiograma e avaliar a gravidade da estenose, a função ventricular e a reserva contrátil. Indicar TAVI neste momento, sem exames complementares, seria um erro grave de conduta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é solicitar ecocardiografia transtorácica e BNP para confirmar o diagnóstico de estenose aórtica, avaliar a gravidade (área valvar, gradientes) e a função ventricular, e avaliar o componente de insuficiência cardíaca (BNP). A depender do resultado — especialmente em casos de baixo fluxo/baixo gradiente com disfunção ventricular — pode-se indicar ecocardiograma com estresse por dobutamina para avaliar a reserva contrátil e distinguir estenose grave verdadeira de estenose moderada. Essa é a sequência diagnóstica correta antes de qualquer decisão terapêutica.