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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu093902
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Paciente de 65 anos, com diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica, usuário de oxigênio domiciliar contínuo, terapia medicamentosa otimizada, vem ao pronto atendimento por febre, piora da tosse e do aspecto de sua secreção e piora da dispneia. Foi realizado raio X de tórax, que revelou pneumonia. O paciente encontra-se em franco desconforto respiratório, com uso de musculatura acessória; saturação de oxigênio de 76%. O prontuário do paciente traz a diretriz antecipada de não intubação e não ressuscitação cardiopulmonar; o paciente e os familiares reiteram esse desejo.Qual é a conduta indicada diante desse cenário?
  1. AApesar da diretriz antecipada, o paciente nessa situação apresenta-se ao pronto-socorro com quadro potencialmente reversível, se adequadamente tratado, e, portanto, dado que não se trata de progressão da doença de base, nesse momento é compassiva nova reunião familiar, com a presença do paciente, para rediscutir as diretrizes antecipadas e ponderar sobre a intubação orotraqueal nesse contexto.
  2. BO paciente encontra-se em franco desconforto respiratório, já com terapia medicamentosa otimizada, quadro irreversível e incurável. Após reunião com os familiares e oportunidade de despedirem-se, deve-se, prontamente, iniciar sedação paliativa para evitar sofrimento provocado por medidas fúteis.
  3. CNesse cenário, o principal objetivo é o controle de sintomas, o que deve ser prontamente instituído com a instalação de oxigênio, dada a presença de hipoxemia, corticoide endovenoso, medicações inalatórias em spray com espaçador e início de morfina.
  4. DAo contrário do cenário ambulatorial, no contexto de emergência clínica associada a doença pulmonar obstrutiva crônica, tanto a morfina quanto os benzo­diazepínicos são reconhecidamente associados a piores desfechos, em especial pelo seu potencial de induzir bradipneia e, assim, inibindo os processos compensatórios, aumentando pressão parcial de dióxido de carbônio. Dessa maneira, essas duas medicações devem ser evitadas nesse contexto.
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GabaritoC — Nesse cenário, o principal objetivo é o controle de sintomas, o que deve ser prontamente instituído com a instalação de oxigênio, dada a presença de hipoxemia, corticoide endovenoso, medicações inalatórias em spray com espaçador e início de morfina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos na exacerbação de DPOC com diretriz antecipada de não intubação

Gabarito: letra C. Diante de um paciente com DPOC em exacerbação, hipoxemia grave (SpO₂ 76%) e diretriz antecipada de não intubação e não ressuscitação, a conduta correta é focar no controle de sintomas: oxigenoterapia para hipoxemia, broncodilatadores inalatórios, corticoide sistêmico e opioides (morfina) para alívio da dispneia. A alternativa C espelha exatamente essa abordagem, alinhada aos princípios de cuidados paliativos e à diretriz antecipada do paciente.

A questão aborda um cenário clássico de cuidados paliativos em emergência: um paciente com doença crônica avançada (DPOC em oxigenoterapia domiciliar) apresenta uma exacerbação aguda (pneumonia) com desconforto respiratório intenso e hipoxemia grave. O ponto central é que, apesar de a pneumonia ser potencialmente reversível, o paciente já manifestou, de forma reiterada (diretriz antecipada + familiares), o desejo de não ser intubado nem reanimado. Nesse contexto, o objetivo do cuidado deixa de ser a reversão do quadro a qualquer custo e passa a ser o alívio do sofrimento e o controle dos sintomas, respeitando a autonomia do paciente.

A diretriz antecipada (ou testamento vital) é a manifestação de vontade do paciente sobre tratamentos que deseja ou não receber em situações em que não possa expressar sua vontade. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece esse instrumento, e o Código de Ética Médica estabelece que o médico deve respeitar a vontade do paciente, salvo em casos de risco de morte iminente, quando pode agir para preservar a vida, mas sempre buscando o melhor interesse do paciente. No caso, o paciente está lúcido e reitera o desejo, o que torna a diretriz ainda mais forte.

O manejo paliativo da dispneia é o foco. Conforme o material de apoio, "quando não existe possibilidade terapêutica para a doença de base ou houve falência de tratamento, o manejo paliativo da dispneia está indicado". E mais: "Opioides, benzodiazepínicos e oxigenoterapia podem ser usados". A morfina é o opioide de escolha para alívio da dispneia, com eficácia baseada em evidência. O medo de depressão respiratória é um mito quando se usam doses adequadas e tituladas, especialmente em pacientes com dispneia intensa. O objetivo é o conforto, mesmo que isso possa reduzir o nível de consciência, desde que o paciente concorde.

A pegadinha desta questão é dupla: (1) achar que, por ser uma pneumonia (condição potencialmente reversível), a intubação seria obrigatória, ignorando a diretriz antecipada; (2) achar que opioides são contraindicados na DPOC por risco de depressão respiratória, quando na verdade são a base do tratamento paliativo da dispneia. A alternativa D explora exatamente esse segundo erro, afirmando que morfina e benzodiazepínicos devem ser evitados — o que contraria a prática baseada em evidências em cuidados paliativos.

Guarde a fronteira entre tratamento curativo (que busca reverter a causa) e tratamento paliativo (que busca aliviar sintomas quando o curativo não é mais desejado ou possível): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Diretriz antecipada (não intubar)
Paciente lúcido reitera
Deve ser respeitada
2Controle de sintomas (prioridade)
Oxigenoterapia (hipoxemia)
Broncodilatadores inalatórios
Corticoide sistêmico
Morfina (opioide) para dispneia
3Mitos a evitar
Pneumonia reversível obriga intubação
Opioides proibidos na DPOC
Cuidados paliativos na exacerbação de DPOC
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Cuidados paliativos na exacerbação de DPOC: Diretriz antecipada (não intubar) (Paciente lúcido reitera, Deve ser respeitada); Controle de sintomas (prioridade) (Oxigenoterapia (hipoxemia), Broncodilatadores inalatórios, Corticoide sistêmico, Morfina (opioide) para dispneia); Mitos a evitar (Pneumonia reversível obriga intubação, Opioides proibidos na DPOC)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A propõe "rediscutir as diretrizes antecipadas" e "ponderar sobre a intubação orotraqueal", mesmo diante de um paciente lúcido que, junto com os familiares, reitera o desejo de não intubação. Isso desrespeita a autonomia do paciente e a diretriz antecipada já estabelecida. Não há indicação de reunião para "ponderar" quando a vontade do paciente é clara e reiterada. A conduta correta é acolher a decisão e focar no conforto, não tentar revertê-la. A pneumonia é potencialmente reversível, mas o paciente decidiu não receber suporte avançado de vida, e essa decisão deve ser respeitada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que o quadro é "irreversível e incurável" e que se deve "iniciar sedação paliativa" após despedidas. Há dois erros: (1) a pneumonia é uma condição potencialmente reversível, e o paciente pode se beneficiar de tratamento clínico otimizado (antibióticos, broncodilatadores, corticoide) mesmo em cuidados paliativos — não se deve rotular como "irreversível" precocemente; (2) a sedação paliativa é reservada para sintomas refratários a todas as outras medidas, não é a primeira escolha. O correto é tentar o controle de sintomas com medidas específicas (oxigênio, broncodilatadores, opioides) antes de considerar sedação. A alternativa pula etapas e assume um prognóstico que não foi estabelecido.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C está correta porque propõe exatamente o manejo paliativo adequado: "controle de sintomas" com "oxigênio, dada a presença de hipoxemia", "corticoide endovenoso", "medicações inalatórias em spray com espaçador" e "início de morfina". Isso está alinhado com o material de apoio, que recomenda oxigenoterapia para hipoxemia, broncodilatadores para DPOC e opioides (morfina) para alívio da dispneia em cuidados paliativos. A conduta respeita a diretriz antecipada (não intubar) e trata ativamente os sintomas, oferecendo conforto e dignidade ao paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que morfina e benzodiazepínicos devem ser evitados na DPOC por risco de bradipneia e aumento da PaCO₂. Isso é um mito em cuidados paliativos. O material de apoio é claro: "Opioides, benzodiazepínicos e oxigenoterapia podem ser usados" para alívio da dispneia. A morfina é o opioide de escolha, com eficácia comprovada, e as doses para dispneia são geralmente mais baixas que as analgésicas. O medo de depressão respiratória é exagerado quando se titula a dose adequadamente. A alternativa D está incorreta ao afirmar que essas medicações "devem ser evitadas" — na verdade, são ferramentas essenciais no manejo paliativo da dispneia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora dois mitos comuns: (1) que a pneumonia, por ser reversível, obrigaria à intubação, ignorando a diretriz antecipada; (2) que opioides são proibidos na DPOC por risco de depressão respiratória. Na prática paliativa, a morfina é a base do tratamento da dispneia, e a diretriz antecipada deve ser respeitada. Fique atento: o objetivo não é "salvar a qualquer custo", mas sim "cuidar e aliviar" conforme a vontade do paciente.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de cuidados paliativos, lembre-se: (1) a diretriz antecipada do paciente lúcido é soberana; (2) opioides são seguros e eficazes para dispneia quando titulados; (3) o controle de sintomas é sempre a prioridade, mesmo em condições potencialmente reversíveis, se o paciente optou por não receber suporte avançado. Essa tríade resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C

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