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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu093910
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Homem de 58 anos vai a uma consulta de retorno no ambulatório de clínica médica. Relata ser portador de bronquiectasias difusas, com diagnóstico após episódios de pneumonia de repetição na adolescência. Apresentou três episódios de exacerbação dos sintomas respiratórios no último ano. Ao exame clínico, apresenta: FC: 84 bpm; FR: 18 irpm; PA: 126 x 78 mmHg; T: 36,6 ºC. À ausculta pulmonar, identificam-se roncos difusos e estertores em bases. A espirometria mostra VEF1 68% do predito (VR: > 80%). Relata limitação importante nas atividades diárias devido à tosse produtiva crônica e à recorrência de infecções.Considerando as estratégias terapêuticas a seguir, qual tem a melhor expectativa de benefício?
  1. AIniciar prednisona em dose baixa (< 10 mg/dia) em uso contínuo.
  2. BAssociar macrolídeo por tempo prolongado.
  3. CRealizar teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons.
  4. DIniciar teste terapêutico com dornase alfa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Associar macrolídeo por tempo prolongado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bronquiectasias: manejo da exacerbação e prevenção

Gabarito: letra B. Em paciente com bronquiectasias difusas e exacerbações frequentes (3 no último ano), a estratégia com melhor expectativa de benefício é o macrolídeo em uso prolongado, que reduz a frequência de exacerbações por seus efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores, além de diminuir a carga bacteriana. As demais opções não têm indicação estabelecida nesse cenário: corticoides sistêmicos crônicos não são recomendados, inibidor de bomba de prótons só se houver suspeita de refluxo como causa base, e dornase alfa é reservada para fibrose cística.

As bronquiectasias são dilatações anormais e irreversíveis de brônquios, geralmente decorrentes de infecções de repetição que destroem os componentes elástico e muscular da parede brônquica. O círculo vicioso infecção-inflamação-destruição leva ao acúmulo de secreção, obstrução e novas infecções. O paciente do caso tem o perfil clássico: tosse produtiva crônica, infecções recorrentes e limitação funcional, com VEF1 de 68% do predito, caracterizando doença moderada.

O manejo das bronquiectasias não-císticas baseia-se em três pilares: (1) tratamento da causa de base quando identificável, (2) higiene brônquica com fisioterapia respiratória e agentes mucoativos, e (3) prevenção de exacerbações. Quando o paciente apresenta exacerbações frequentes (≥3/ano), apesar do tratamento otimizado, a diretriz da European Respiratory Society (ERS) recomenda considerar o uso de macrolídeo em dose baixa por tempo prolongado (azitromicina 250-500 mg 3x/semana ou claritromicina 500 mg/dia), pois reduz em cerca de 50% a taxa de exacerbações. O mecanismo envolve efeitos anti-inflamatórios, redução da produção de biofilme e modulação da resposta imune.

A escolha da alternativa correta exige distinguir o que é tratamento de exacerbação aguda (antibiótico de curta duração, broncodilatador) do que é prevenção de novas exacerbações (macrolídeo prolongado, vacinas, fisioterapia). A questão pede exatamente a estratégia de longo prazo com melhor benefício, e o macrolídeo é a única com evidência robusta nesse contexto.

Bronquiectasias não-císticas
  • 1Pilares do manejo
    • Tratar causa de base
    • Higiene brônquica
    • Prevenir exacerbações
  • 2Exacerbações frequentes (≥3/ano)
    • Macrolídeo prolongado
      • Azitromicina 250-500 mg 3x/semana
      • Claritromicina 500 mg/dia
      • Reduz ~50% das exacerbações
  • 3Estratégias sem indicação
    • Corticoide sistêmico crônico
    • IBP empírico (sem refluxo)
    • Dornase alfa (só fibrose cística)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Corticoides sistêmicos em dose baixa contínua não têm indicação no manejo crônico de bronquiectasias não-císticas. Não há evidência de benefício na redução de exacerbações, e o uso prolongado expõe o paciente a efeitos adversos (osteoporose, hiperglicemia, imunossupressão). Corticoides inalatórios podem ser considerados em casos selecionados com componente asmático ou alergia broncopulmonar, mas não é o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O macrolídeo prolongado (azitromicina ou claritromicina) é a estratégia com melhor evidência para reduzir exacerbações em bronquiectasias com ≥3 episódios/ano. Seus efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores diminuem a inflamação brônquica, a produção de muco e a formação de biofilme bacteriano, reduzindo a frequência e a gravidade das exacerbações. É a recomendação da diretriz da ERS para esse perfil de paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Inibidor de bomba de prótons (IBP) só teria papel se houvesse suspeita de doença do refluxo gastroesofágico como causa base das bronquiectasias ou fator contribuinte para exacerbações. No caso, não há dados clínicos que sugiram refluxo (pirose, regurgitação, tosse pós-prandial), e o teste terapêutico empírico não é recomendado como estratégia de primeira linha. Além disso, o uso crônico de IBP tem riscos (pneumonia, fraturas, deficiência de B12).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Dornase alfa (DNase recombinante) é indicada exclusivamente para fibrose cística, onde reduz a viscosidade do muco e melhora a função pulmonar. Em bronquiectasias não-císticas, não há evidência de benefício e pode até piorar a função pulmonar em alguns estudos. O paciente não tem diagnóstico de fibrose cística (não há relato de manifestações típicas como má absorção, íleo meconial, ou teste do pezinho alterado), portanto não se aplica.

Gabarito: letra B — macrolídeo prolongado é a estratégia com melhor expectativa de benefício para reduzir exacerbações em bronquiectasias difusas com exacerbações frequentes.

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