Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu093914
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Um homem de 76 anos é portador de fibrilação atrial permanente, hipertensão arterial e insuficiência renal crônica moderada (TFG: 35 mL/min/1,73m²). Apresenta antecedente de sangramento digestivo há seis meses e usa AAS por conta própria. Escore CHA2DS2-VA: 4.Qual é a melhor conduta em relação à anticoagulação nesse paciente com risco aumentado de sangramento?
ANão anticoagular, pois o risco de sangramento é maior que o risco de AVC.
BManter apenas o AAS, pois já confere proteção semelhante à anticoagulação.
CSuspender o AAS, investigar e tratar sangramento digestivo e iniciar apixabana.
DSuspender o AAS e iniciar antagonista de vitamina K, pois é a única opção indicada nessa situação.
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GabaritoC — Suspender o AAS, investigar e tratar sangramento digestivo e iniciar apixabana.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Anticoagulação na fibrilação atrial com risco aumentado de sangramento
Gabarito: letra C. Em paciente com fibrilação atrial (FA) e escore CHA2DS2-VA de 4, a anticoagulação oral está indicada, mesmo diante de risco aumentado de sangramento — o risco de AVC supera o risco hemorrágico. A conduta correta é suspender o AAS (que não tem papel na prevenção de AVC na FA), investigar e tratar a causa do sangramento digestivo e, após hemostasia, iniciar anticoagulante oral direto (AOD), como a apixabana, preferida por seu perfil de segurança, especialmente na insuficiência renal moderada.
A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum e a principal causa de AVC cardioembólico, que tende a ser mais extenso e incapacitante. O objetivo central do tratamento é a prevenção de eventos tromboembólicos, e isso se faz com anticoagulação oral — não com antiagregantes. O escore CHA2DS2-VA (versão atualizada do CHA2DS2-VASc, que removeu o sexo como fator independente) pontua: insuficiência cardíaca (1), hipertensão (1), idade ≥ 75 anos (2), diabetes (1), AVC/AIT prévio (2), doença vascular (1) e idade 65–74 anos (1). Neste paciente, o escore 4 decorre de idade ≥ 75 anos (2 pontos) + hipertensão (1 ponto) + doença renal crônica, que conta como doença vascular (1 ponto). Com escore ≥ 2 em homens, a anticoagulação é formalmente indicada.
O risco de sangramento, avaliado por escores como o HAS-BLED, não contraindica a anticoagulação — apenas orienta a correção de fatores modificáveis e o seguimento mais próximo. O que se deve fazer é reduzir o risco: suspender antiagregantes desnecessários, evitar AINEs, controlar a pressão arterial e escolher o anticoagulante com melhor perfil de segurança. O AAS não protege contra AVC na FA — há evidência sólida de que antiagregantes não substituem os anticoagulantes nesse cenário, e o uso concomitante de AAS + anticoagulante aumenta significativamente o risco de sangramento sem benefício adicional.
No caso de sangramento digestivo recente, a conduta é: (1) suspender o AAS, que foi usado por conta própria e aumenta o risco hemorrágico; (2) investigar e tratar a causa do sangramento (ex.: úlcera péptica, angiodisplasia) até hemostasia estabelecida; (3) reiniciar a anticoagulação, pois o risco tromboembólico é alto (CHA2DS2-VA 4). O anticoagulante de escolha é um AOD — e a apixabana se destaca por ser a que apresenta menor risco de sangramento gastrointestinal entre os AODs e por ter ajuste de dose bem definido na insuficiência renal moderada (TFG 35 mL/min: dose reduzida de 2,5 mg 2×/dia se preencher critérios — idade ≥ 80 anos, peso ≤ 60 kg ou creatinina ≥ 1,5 mg/dL).
A alternativa D sugere antagonista de vitamina K (varfarina) como "única opção", o que é incorreto: os AODs são preferidos quando não há contraindicação (estenose mitral moderada/grave, prótese valvar mecânica, SAF). A varfarina seria uma opção válida, mas não a única nem a preferencial. A alternativa A (não anticoagular) ignora que o benefício do anticoagulante supera o risco hemorrágico mesmo em pacientes de alto risco. A alternativa B (manter AAS) parte de premissa falsa — AAS não previne AVC na FA.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "risco aumentado de sangramento" e "contraindicação à anticoagulação". O candidato que associa HAS-BLED alto a "não anticoagular" erra: o escore de sangramento nunca contraindica a anticoagulação na FA — ele apenas sinaliza a necessidade de corrigir fatores modificáveis (suspender AAS, controlar PA) e de escolher o anticoagulante mais seguro. Outra pegadinha é tratar o AAS como alternativa válida: na prevenção de AVC na FA, antiagregante não tem papel.
1Suspender AAS
2Investigar/tratar sangramento
3Iniciar apixabana
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não se deve anticoagular porque o risco de sangramento supera o de AVC. Isso inverte a lógica: com CHA2DS2-VA 4, o risco anual de AVC é alto (cerca de 4–5% ao ano), enquanto o risco de sangramento grave com AOD é de aproximadamente 1–2% ao ano. O risco de AVC cardioembólico — que costuma ser grave e incapacitante — supera claramente o risco hemorrágico. O escore HAS-BLED elevado não contraindica anticoagulação; apenas orienta manejo dos fatores de risco modificáveis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe manter apenas o AAS, "pois confere proteção semelhante". Isso é falso: o AAS (e o clopidogrel) não tem evidência de redução de AVC na FA — os estudos mostram que antiagregantes são inferiores aos anticoagulantes e não devem ser usados como alternativa. Além disso, o paciente já usa AAS por conta própria, sem indicação formal, e isso aumenta o risco de sangramento. A conduta é suspender o AAS, não mantê-lo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta completa e correta: (1) suspender o AAS — antiagregante sem indicação, que aumenta risco hemorrágico; (2) investigar e tratar o sangramento digestivo — causa identificável e tratável, condição para reiniciar anticoagulação com segurança; (3) iniciar apixabana — AOD com melhor perfil de segurança gastrointestinal e ajuste de dose para TFG 35 mL/min. O reinício da anticoagulação após sangramento digestivo é recomendado quando a hemostasia é estabelecida, especialmente em paciente com alto risco tromboembólico (CHA2DS2-VA ≥ 4).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que antagonista de vitamina K (varfarina) é a "única opção indicada". Incorreto por dois motivos: (1) os AODs (apixabana, rivaroxabana, dabigatrana, edoxabana) são preferidos à varfarina na FA não valvular, por não inferioridade e menor risco de sangramento grave; (2) a varfarina é opção válida, mas não exclusiva. A contraindicação aos AODs restringe-se a estenose mitral moderada/grave, prótese valvar mecânica e síndrome antifosfolipídica — nenhuma presente no caso. Além disso, a alternativa não menciona a necessidade de suspender o AAS nem de tratar o sangramento digestivo.
Gabarito: letra C — suspender AAS, investigar/tratar sangramento digestivo e iniciar apixabana é a conduta que equilibra risco tromboembólico e hemorrágico, seguindo as diretrizes de anticoagulação na FA.