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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu093926
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Clínica Médica
Um paciente de 73 anos de idade, do sexo masculino, que vem em acompanhamento por queixa de perda de memória, é diagnosticado com comprometimento cognitivo leve, MoCA 23/30, sem fatores reversíveis identificados, previamente hígido, e questiona sobre a possibilidade de terapia medicamentosa antiamiloide.Para avaliar a indicação clínica dessa classe, é possível afirmar todas as seguintes, exceto:
  1. Arealização de PET-CT para placas amiloides para identificação de depósitos marcadores da doença de Alzheimer.
  2. Bgenotipagem da apolipoproteína E, independentemente de histórico familiar, para avaliação de risco do tratamento.
  3. Cdosagem da proteína tau fosforilada 217 no líquor ou no sangue seriada para avaliação de resposta.
  4. Dressonância magnética de encéfalo para avaliação de contraindicações à terapia.
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GabaritoC — dosagem da proteína tau fosforilada 217 no líquor ou no sangue seriada para avaliação de resposta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia antiamiloide na doença de Alzheimer

Gabarito: letra C. A dosagem seriada da proteína tau fosforilada 217 (p-tau217) no líquor ou no sangue não é utilizada para avaliação de resposta à terapia antiamiloide — trata-se de um biomarcador diagnóstico e prognóstico, não um marcador de monitorização terapêutica. As demais alternativas descrevem etapas corretas da avaliação pré-tratamento: PET-amiloide para confirmar a presença de placas, genotipagem da APOE para estratificar risco de ARIA (anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide) e ressonância magnética para rastrear contraindicações, especialmente micro-hemorragias e siderose superficial.

A terapia antiamiloide representa uma mudança paradigmática no tratamento da doença de Alzheimer (DA), pois atua diretamente na patologia amiloide, em vez de apenas manejar sintomas. Os anticorpos monoclonais anti-amiloide, como aducanumab, lecanemab e donanemab, são aprovados para pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) ou demência leve confirmada por biomarcadores de amiloide. A seleção criteriosa de pacientes é essencial, pois esses fármacos apresentam risco significativo de ARIA, que inclui edema cerebral (ARIA-E) e hemorragia (ARIA-H).

A avaliação pré-tratamento segue um protocolo bem definido. Primeiro, é necessário confirmar a presença de patologia amiloide, o que pode ser feito por PET-amiloide ou pela dosagem de biomarcadores no líquor (razão Aβ42/Aβ40 reduzida). Segundo, a genotipagem da APOE é obrigatória, pois portadores do alelo ε4, especialmente homozigotos, têm risco substancialmente maior de ARIA. Terceiro, a ressonância magnética de encéfalo é indispensável para excluir contraindicações, como micro-hemorragias numerosas, siderose superficial ou lesões ocupando espaço.

A p-tau217 é um biomarcador que reflete a patologia tau, correlacionando-se com a neurodegeneração e a progressão clínica. Embora seja útil no diagnóstico e no prognóstico, não há evidência de que sua dosagem seriada sirva para monitorar resposta ao tratamento antiamiloide. O monitoramento da resposta é feito por avaliação clínica (escalas cognitivas e funcionais) e, em alguns protocolos, por PET-amiloide de acompanhamento para verificar a redução das placas. A p-tau217 pode até ser usada como biomarcador de eficácia em estudos, mas não é um exame padronizado para a prática clínica de monitorização.

A pegadinha desta questão está em confundir biomarcadores diagnósticos com marcadores de resposta terapêutica. O candidato pode ser tentado a considerar a dosagem de p-tau217 como parte do acompanhamento, mas a banca explora exatamente essa confusão. A distinção crucial é: PET-amiloide e p-tau217 são biomarcadores de diagnóstico e prognóstico; a avaliação de resposta é clínica e, em contexto de pesquisa, pode incluir PET-amiloide seriado. A genotipagem da APOE e a RM são avaliações de segurança pré-tratamento.

Terapia antiamiloide (DA)
  • 1Avaliação pré-tratamento
    • PET-amiloide (confirma placas)
    • Genotipagem APOE (risco de ARIA)
    • RM de encéfalo (contraindicações)
  • 2Monitoramento da resposta
    • Escalas clínicas (CDR-SB, ADAS-Cog)
    • PET-amiloide seriado (pesquisa)
  • 3Biomarcadores
    • Diagnóstico/prognóstico
      • p-tau217 (líquor/sangue)
    • Não é marcador de resposta
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Alternativa A — ✅ Correta

A realização de PET-CT para placas amiloides é um passo fundamental para confirmar a presença de patologia amiloide, condição necessária para indicar terapia antiamiloide. O PET-amiloide detecta depósitos de Aβ no cérebro, sendo um dos métodos aprovados para diagnóstico de DA em vida. Sem a confirmação de amiloidose, a terapia não é indicada, pois os benefícios são restritos a pacientes com patologia amiloide comprovada.

Alternativa B — ✅ Correta

A genotipagem da apolipoproteína E (APOE) é recomendada independentemente do histórico familiar, pois o alelo ε4 é um fator de risco para ARIA, a principal complicação da terapia antiamiloide. Portadores de ε4, especialmente homozigotos, têm risco aumentado de edema cerebral e hemorragia. A genotipagem permite estratificar o risco e orientar a decisão compartilhada com o paciente, além de influenciar a frequência de monitoramento por RM durante o tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A dosagem seriada da p-tau217 no líquor ou no sangue não é um exame estabelecido para avaliação de resposta à terapia antiamiloide. A p-tau217 é um biomarcador diagnóstico e prognóstico, correlacionado com a patologia tau e a neurodegeneração. Não há evidência robusta que sustente seu uso para monitorar a eficácia do tratamento na prática clínica. A resposta ao tratamento é avaliada por escalas clínicas (como CDR-SB e ADAS-Cog) e, em contexto de pesquisa, por PET-amiloide seriado para verificar a redução das placas.

Alternativa D — ✅ Correta

A ressonância magnética de encéfalo é essencial para avaliar contraindicações à terapia antiamiloide, principalmente a presença de micro-hemorragias, siderose superficial, lesões vasculares significativas ou outras anormalidades estruturais que aumentem o risco de ARIA. A RM também serve como exame basal para comparação com exames subsequentes durante o monitoramento de ARIA. Pacientes com múltiplas micro-hemorragias ou siderose superficial têm contraindicação relativa ou absoluta ao tratamento.

Gabarito: letra C — a única afirmação incorreta, pois a p-tau217 não é marcador de resposta terapêutica, mas sim biomarcador diagnóstico/prognóstico.

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