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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093928
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Cerca de 40 a 50% dos transplantes alogênicos de CPH (TCPH) apresentam incompatibilidade ABO. Embora o transplante ABO incompatível seja possível, isso deve ser levado em consideração desde a escolha do doador até o preparo e seguimento do receptor, assim como no preparo do produto a ser infundido.Em relação a esse tema, é correto afirmar:
  1. Aa hemólise tardia pode ocorrer no âmbito do TCPH com incompatibilidade ABO menor, em particular após regime de condicionamento de intensidade reduzida, devido à hemólise das hemácias remanescentes do receptor por isohemaglutininas produzidas pelos linfócitos B do doador.
  2. Bem caso de incompatibilidade ABO menor e alto título de isohemaglutinina anti-receptor do doador (≥ 1:256), deve ser realizada a deseritrocitação do produto coletado, seja de sangue periférico por aférese, ou medula óssea.
  3. Ca incompatibilidade ABO maior ou bidirecional pode levar ao quadro de aplasia pura de células vermelhas, sendo o risco maior quando o receptor for do grupo sanguíneo B e o enxerto for do grupo sanguíneo O.
  4. Dem caso de incompatibilidade ABO maior, a preferência será por coleta de medula óssea em vez de sangue periférico por aférese, devido à quantidade de linfócitos T aumentada em produto periférico.
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GabaritoA — a hemólise tardia pode ocorrer no âmbito do TCPH com incompatibilidade ABO menor, em particular após regime de condicionamento de intensidade reduzida, devido à hemólise das hemácias remanescentes do receptor por isohemaglutininas produzidas pelos linfócitos B do doador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incompatibilidade ABO no Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (TCTH)

Gabarito: letra A. A hemólise tardia no TCTH com incompatibilidade ABO menor ocorre, particularmente após condicionamento de intensidade reduzida, porque os linfócitos B do doador, ao se enxertarem, produzem isohemaglutininas contra as hemácias remanescentes do receptor — exatamente o que a alternativa descreve. As demais alternativas invertem conceitos fundamentais: a deseritrocitação é para incompatibilidade maior (não menor), a aplasia pura de células vermelhas é mais comum quando o receptor é do grupo O (não B), e a preferência na incompatibilidade maior é por sangue periférico (não medula óssea).

A incompatibilidade ABO entre doador e receptor é uma das barreiras imunológicas mais frequentes no TCTH alogênico, presente em cerca de 40–50% dos casos. Ela ocorre porque os antígenos ABO estão presentes não apenas nas hemácias, mas também em outras células e tecidos, e as isohemaglutininas (anticorpos naturais anti-A e anti-B) do plasma podem reagir com as hemácias do outro indivíduo. Para entender as complicações, é preciso distinguir os três tipos de incompatibilidade:

  • Incompatibilidade maior: o receptor possui isohemaglutininas contra os antígenos ABO do doador (ex.: receptor O recebendo enxerto de doador A). O risco principal é a hemólise aguda das hemácias do enxerto no momento da infusão, além de atraso na eritropoese e aplasia pura de células vermelhas (APCV).

  • Incompatibilidade menor: o doador possui isohemaglutininas contra os antígenos ABO do receptor (ex.: doador O para receptor A). O risco principal é a hemólise tardia das hemácias remanescentes do receptor, causada pelos linfócitos B do doador que passam a produzir anticorpos após o enxerto.

  • Incompatibilidade bidirecional: combinação das duas anteriores (ex.: doador A e receptor B).

A hemólise tardia na incompatibilidade menor é um fenômeno bem descrito. Ela ocorre porque os linfócitos B do doador, ao se estabelecerem na medula óssea do receptor, começam a produzir isohemaglutininas contra o grupo sanguíneo do receptor. Essas hemácias do receptor ainda circulam por semanas após o condicionamento, especialmente em regimes de intensidade reduzida, que são menos mieloablativos e preservam mais as hemácias do receptor. O resultado é uma hemólise que se manifesta tipicamente entre 5 e 15 dias após o transplante, com queda da hemoglobina, aumento de bilirrubina e LDH, e pode ser grave em alguns casos.

A prevenção e o manejo dessas complicações envolvem medidas específicas no preparo do produto e no seguimento do paciente. Na incompatibilidade maior, o produto coletado (medula óssea ou sangue periférico) deve ser submetido à deseritrocitação (remoção das hemácias do doador) para evitar a hemólise aguda pelas isohemaglutininas do receptor. Na incompatibilidade menor, o produto deve ser submetido à deplasmação (remoção do plasma do doador, que contém as isohemaglutininas anti-receptor) para evitar a hemólise das hemácias do receptor no momento da infusão. A escolha entre medula óssea e sangue periférico também é influenciada pela incompatibilidade: na maior, o sangue periférico é preferido por conter menor volume de hemácias; na menor, a medula óssea pode ser preferida por conter menor volume de plasma.

A aplasia pura de células vermelhas (APCV) é uma complicação tardia da incompatibilidade maior ou bidirecional. Ela ocorre porque as isohemaglutininas do receptor persistem por meses e inibem a eritropoese do doador, resultando em anemia grave com reticulocitopenia. O risco é maior quando o receptor é do grupo O (que possui anti-A e anti-B) e o doador é do grupo A, B ou AB, pois a resposta imune é mais intensa. O tratamento inclui troca plasmática, rituximabe e eritropoetina.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos conceitos de incompatibilidade maior e menor e das medidas correspondentes. O candidato que confunde qual produto deve ser deseritrocitado ou deplasmado, ou qual tipo de incompatibilidade causa hemólise aguda versus tardia, erra a questão. É fundamental memorizar a lógica: a hemólise ocorre quando o anticorpo encontra o antígeno — na maior, o anticorpo é do receptor contra o enxerto; na menor, o anticorpo é do doador contra o receptor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os conceitos de incompatibilidade maior e menor. Na menor, o problema é o anticorpo do doador contra as hemácias do receptor (hemólise tardia); na maior, é o anticorpo do receptor contra as hemácias do doador (hemólise aguda). A alternativa B inverte a medida: deseritrocitação é para incompatibilidade maior, não menor. A alternativa C inverte o grupo de risco: APCV é mais comum em receptor O, não B. A alternativa D inverte a preferência: na maior, prefere-se sangue periférico, não medula óssea. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Tipo de Incompatibilidade ABO

Direção do Anticorpo

Principal Complicação

Medida no Produto

Preferência de Coleta

Maior

Receptor → Hemácias do doador

Hemólise aguda na infusão; APCV

Deseritrocitação (remover hemácias)

Sangue periférico (menor volume de hemácias)

Menor

Doador → Hemácias do receptor

Hemólise tardia (linfócitos B do doador)

Deplasmação (remover plasma)

Medula óssea (menor volume de plasma)

Bidirecional

Combinação das anteriores

Combinação (aguda + tardia)

Deseritrocitação + deplasmação

Depende do tipo predominante

1Maior (anticorpo do receptor)
Hemólise aguda do enxerto
Deseritrocitação do produto
Prefere sangue periférico
APCV (risco: receptor O)
2Menor (anticorpo do doador)
Hemólise tardia do receptor
Deplasmação do produto
Condicionamento intensidade reduzida
3Bidirecional
Combinação das duas
Incompatibilidade ABO no TCTH
LEVELsoulevel.com.br
Incompatibilidade ABO no TCTH: Maior (anticorpo do receptor) (Hemólise aguda do enxerto, Deseritrocitação do produto, Prefere sangue periférico, APCV (risco: receptor O)); Menor (anticorpo do doador) (Hemólise tardia do receptor, Deplasmação do produto, Condicionamento intensidade reduzida); Bidirecional (Combinação das duas)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hemólise tardia na incompatibilidade ABO menor é causada pelas isohemaglutininas produzidas pelos linfócitos B do doador contra as hemácias remanescentes do receptor. Isso é particularmente relevante após condicionamento de intensidade reduzida, pois esse regime preserva mais as hemácias do receptor, que permanecem circulando por mais tempo e ficam expostas aos anticorpos do doador. A alternativa descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A deseritrocitação (remoção de hemácias) é indicada na incompatibilidade maior, não na menor. Na incompatibilidade menor, o que deve ser removido do produto é o plasma (deplasmação), pois é nele que estão as isohemaglutininas anti-receptor do doador. A alternativa inverte a medida: na menor, o risco é a hemólise das hemácias do receptor pelas isohemaglutininas do plasma do doador, então o plasma deve ser removido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A aplasia pura de células vermelhas (APCV) é uma complicação da incompatibilidade maior ou bidirecional, mas o risco é maior quando o receptor é do grupo O (que possui anti-A e anti-B) e o doador é do grupo A, B ou AB. A alternativa afirma que o risco é maior quando o receptor é do grupo B e o enxerto é do grupo O — o que está invertido. No cenário descrito (receptor B, doador O), a incompatibilidade seria menor, não maior, e o risco de APCV seria baixo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na incompatibilidade ABO maior, a preferência é por sangue periférico por aférese, não por medula óssea. Isso porque o produto de aférese contém menor volume de hemácias, reduzindo o risco de hemólise aguda pelas isohemaglutininas do receptor. A alternativa inverte a preferência e ainda justifica com um argumento incorreto: a quantidade de linfócitos T não é o fator determinante nessa escolha, e o sangue periférico, na verdade, contém mais linfócitos T do que a medula óssea.

Gabarito: letra A

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