Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025
- Código
- vu093931
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- HIAE
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
- ALesões de pele.
- BHipertensão.
- CDerrames serosos.
- DAnemia hemolítica.
GabaritoC — Derrames serosos.
Gabarito: letra C. A síndrome de diferenciação, complicação do tratamento da leucemia promielocítica aguda (LPA) com ácido all-trans-retinoico (ATRA) e/ou trióxido de arsênico, é um distúrbio cardiopulmonar agudo caracterizado por derrames e infiltrados pulmonares bilaterais, sendo a manifestação de derrames serosos a alternativa correta. O quadro é atribuído à adesão das células neoplásicas em diferenciação à vasculatura pulmonar, com mortalidade de 5 a 10%.
A leucemia promielocítica aguda é uma emergência médica, pois os pacientes apresentam frequentemente coagulação intravascular disseminada com risco de sangramento fatal. O tratamento revolucionou o prognóstico: o ATRA, derivado oral da vitamina A, induz a diferenciação terminal dos promielócitos leucêmicos, seguida de senescência e apoptose. O trióxido de arsênico, usado na doença recidivada, também promove diferenciação e apoptose. Porém, essa mesma diferenciação celular pode causar uma complicação grave: a síndrome de diferenciação, também chamada de síndrome do ácido retinoico.
A síndrome se manifesta como um distúrbio cardiopulmonar agudo, com derrames pleurais e pericárdicos, infiltrados pulmonares bilaterais, febre, ganho de peso e hipotensão. O mecanismo envolve a adesão das células em diferenciação à vasculatura pulmonar, levando a um quadro semelhante à serosite. O tratamento consiste em corticosteroides em dose precoce e diurese agressiva; nos casos graves, o ATRA é temporariamente suspenso. É essencial reconhecer essa complicação, pois a mortalidade associada é de 5 a 10%.
A banca explora a confusão com outras complicações ou manifestações de outras doenças. As lesões de pele podem ocorrer em outras leucemias ou reações medicamentosas, mas não são a marca da síndrome de diferenciação. A hipertensão não faz parte do quadro — na verdade, pode haver hipotensão. A anemia hemolítica é uma entidade distinta, com mecanismo de destruição das hemácias, não relacionada à síndrome de diferenciação. O derrame seroso, por sua vez, é a manifestação clássica, descrita como derrames e infiltrados pulmonares bilaterais.
Guarde a tríade: derrames serosos + infiltrados pulmonares + febre em paciente com LPA em uso de ATRA/arsênico = síndrome de diferenciação até prova em contrário. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Lesões de pele não são manifestação característica da síndrome de diferenciação. Embora reações cutâneas possam ocorrer com o uso de ATRA (como quelite, ressecamento), elas não compõem o quadro central da síndrome, que é cardiopulmonar. A banca oferece essa opção como distrator, pois o candidato pode associar erroneamente efeitos colaterais do ATRA à síndrome.
Hipertensão não é manifestação da síndrome de diferenciação. O quadro cursa, na verdade, com hipotensão, devido ao extravasamento capilar e ao estado inflamatório. A banca inverte o sinal vital para confundir: quem lembra que há disfunção cardiovascular pode pensar em hipertensão, mas o correto é hipotensão.
Derrames serosos são a manifestação característica. O texto de apoio descreve a síndrome como "distúrbio cardiopulmonar agudo potencialmente fatal caracterizado por derrames e infiltrados pulmonares bilaterais". Os derrames pleurais e pericárdicos são a expressão clínica da serosite causada pela adesão das células em diferenciação à vasculatura pulmonar. Essa é a alternativa que espelha diretamente a definição.
Anemia hemolítica é uma condição hematológica distinta, caracterizada pela destruição precoce das hemácias, com mecanismos como anormalidades de membrana, hemoglobina ou enzimas, ou agressão por anticorpos. Não é complicação do tratamento da LPA com ATRA/arsênico. A banca insere esse distrator para testar se o candidato confunde a síndrome de diferenciação com outras complicações hematológicas.
A banca troca a manifestação central (derrames serosos) por outras complicações possíveis em pacientes onco-hematológicos, como lesões de pele (efeito colateral do ATRA) ou anemia hemolítica (outra entidade). O candidato que decora apenas "síndrome do ácido retinoico" sem saber o quadro clínico cai na armadilha. Lembre-se: a síndrome de diferenciação é um distúrbio cardiopulmonar com derrames e infiltrados pulmonares — essa é a assinatura da doença.
Gabarito: letra C
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