Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu093935
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Paciente do sexo feminino, de 28 anos de idade, G1P0, com história de trombose venosa profunda (TVP) de membro inferior esquerdo, em uso de anticoncepcional oral há 3 anos, encontra-se com 9 semanas de gestação e vem à consulta para acompanhamento.Qual é a abordagem recomendada para o tratamento antitrombótico durante a gravidez atual dessa paciente?
AMonitorar sintomas.
BHeparina de baixo peso molecular em dose profilática.
CRivaroxabana.
DVarfarina, com meta INR entre 2 – 3.
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GabaritoB — Heparina de baixo peso molecular em dose profilática.
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Trombose venosa profunda na gestação: profilaxia antitrombótica
Gabarito: letra B. Em gestante com história prévia de TVP associada ao uso de anticoncepcional oral (fator de risco hormonal, considerado de moderado a alto risco de recorrência), a recomendação é a profilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose profilática durante o pré-natal e por até seis semanas no pós-parto. As heparinas (HBPM e HNF) não atravessam a placenta e não são teratogênicas, sendo as opções seguras na gestação, conforme as diretrizes de trombofilia e tromboembolismo venoso.
A trombose venosa profunda (TVP) é a oclusão total ou parcial de uma ou mais veias do sistema venoso profundo por trombos, frequentemente originada nas veias musculares da panturrilha. Sua etiopatogenia está ligada à tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Na gestação, o estado hipercoagulável fisiológico (aumento de fatores de coagulação, redução de proteína S, estase venosa por compressão uterina) soma-se aos fatores de risco individuais, como história prévia de TVP e uso de estrogênio (anticoncepcional oral), elevando substancialmente o risco de recorrência.
A profilaxia farmacológica na gravidez é feita com heparina não fracionada (HNF) ou HBPM, pois não atravessam a placenta e não são teratogênicas. A varfarina, antagonista da vitamina K, atravessa a placenta e provoca embriopatia fetal (condrodisplasia punctata, hipoplasia nasal, atrofia óptica e retardo mental), além de causar hemorragia fetal e descolamento prematuro de placenta — por isso é evitada durante a gestação, especialmente no primeiro trimestre. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs), como a rivaroxabana, têm evidências limitadas na gravidez, com preocupações sobre maior incidência de abortos e anomalias fetais, não sendo recomendados.
Na prática, a conduta para a paciente do caso: história de TVP prévia associada a anticoncepcional oral (fator de risco hormonal) configura indicação de profilaxia durante o pré-natal e por até seis semanas no pós-parto, conforme protocolos de trombofilia. A dose profilática de HBPM (ex.: enoxaparina 40 mg/dia) é a escolha, pois é eficaz, segura e de fácil administração. A anticoagulação plena (dose terapêutica) fica reservada para casos como síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF) com trombose ou dois ou mais episódios de TEV.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que seriam válidas fora da gestação (rivaroxabana, varfarina) ou que subestimam o risco (monitorar sintomas). O critério decisivo é: na gravidez, a profilaxia antitrombótica deve usar heparina (HBPM ou HNF), nunca varfarina ou DOACs. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
Profilaxia antitrombótica na gestação: Varfarina (Atravessa a placenta, Embriopatia fetal); DOACs (rivaroxabana) (Evidências limitadas, Risco de aborto/anomalias); Heparina (HBPM/HNF) (Não atravessa a placenta, Não teratogênica, Dose profilática no pré-natal, Até 6 semanas pós-parto)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Apenas monitorar sintomas é conduta inadequada. A paciente tem história prévia de TVP associada a fator de risco hormonal (anticoncepcional oral), o que configura risco moderado a alto de recorrência, com indicação formal de profilaxia farmacológica durante a gestação. A conduta expectante não previne a recorrência de TEV, que é a principal complicação evitável.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A HBPM em dose profilática é a abordagem recomendada. A paciente tem indicação de profilaxia durante o pré-natal e por até seis semanas no pós-parto, pois apresenta história pessoal de TEV com moderado a alto risco de recorrência (episódio relacionado a anticoncepção hormonal contendo estrogênio). A HBPM não atravessa a placenta, não é teratogênica e é eficaz na prevenção de novos eventos tromboembólicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto (DOAC), inibidor do fator Xa, com evidências limitadas na gravidez. Há preocupações sobre maior incidência de abortos e anomalias fetais com seu uso, e atualmente não é recomendada na gestação. Seu uso é opção para tratamento de TVP fora do contexto gestacional, não na gravidez.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A varfarina atravessa a placenta e provoca embriopatia fetal (condrodisplasia punctata, hipoplasia nasal, atrofia óptica e retardo mental), além de causar hemorragia fetal e descolamento prematuro de placenta. Deve ser evitada durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre. A meta de INR entre 2 e 3 é usada no tratamento de TEV fora da gestação, mas não se aplica à profilaxia na gravidez.
Gabarito: letra B — HBPM em dose profilática é a conduta recomendada para profilaxia antitrombótica na gestação de paciente com história prévia de TVP associada a anticoncepcional oral.