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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093945
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Paciente do sexo feminino, de 82 anos de idade, chega ao pronto-socorro com quadro de palidez, taquicardia e história de sangramento pelas fezes. Ao exame físico, apresenta-se hipotensa (PA = 80×40mmHg) e com FC de 128bpm. Um hemograma completo revela Hb = 5,5 g/dL, WBC = 4.800×103/mm³ , contagem de plaquetas = 158.000/mm³ . O médico solicita então, em caráter de urgência, a transfusão de 02 Unidades de concentrado de hemácias (CH). Após análise da amostra para testes pré-transfusionais, o banco de sangue avisa que a paciente tem tipagem sanguínea O RhD negativo, com pesquisa de anticorpos irregulares negativa. Nesse momento, o estoque de CH O RhD negativo está emergencial.Qual é a conduta mais apropriada para essa paciente?
  1. APostergar a transfusão até o dia seguinte, quando unidades de CH O RhD negativo estarão disponíveis.
  2. BTransfundir CH A RhD negativo.
  3. CTransfundir CH O RhD positivo e administrar imunoglobulina anti-RhD por via parenteral, até 72 (setenta e duas) horas após a transfusão.
  4. DTransfundir CH O RhD positivo e não fazer nenhuma profilaxia para aloimunização.
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GabaritoD — Transfundir CH O RhD positivo e não fazer nenhuma profilaxia para aloimunização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transfusão de emergência: paciente O RhD negativo sem estoque compatível

Gabarito: letra D. Em situação de urgência com risco iminente de morte e indisponibilidade de concentrado de hemácias O RhD negativo, a conduta apropriada é transfundir sangue O RhD positivo, aceitando o risco de aloimunização anti-D, sem administrar imunoglobulina anti-RhD — pois a paciente é do sexo feminino e tem 82 anos, fora do período reprodutivo, o que torna a profilaxia desnecessária. A decisão se baseia no princípio de que o risco de morte por anemia aguda grave supera o risco de futura incompatibilidade transfusional.

A transfusão de hemácias é uma terapia de suporte vital que visa restaurar a capacidade de transporte de oxigênio em pacientes com anemia aguda ou crônica sintomática. No caso apresentado, a paciente tem 82 anos, apresenta sangramento gastrointestinal ativo, hipotensão (PA 80×40 mmHg), taquicardia (FC 128 bpm) e hemoglobina de 5,5 g/dL — um quadro de choque hemorrágico com anemia grave, em que a transfusão imediata é mandatória para evitar óbito. O banco de sangue informa que não há estoque de concentrado de hemácias O RhD negativo, o tipo sanguíneo da paciente, e que a pesquisa de anticorpos irregulares é negativa, ou seja, ela não possui anticorpos contra antígenos RhD.

A compatibilidade transfusional é determinada pela presença de antígenos na superfície das hemácias do doador e de anticorpos no plasma do receptor. No sistema ABO, o grupo O não possui antígenos A ou B, portanto pode ser transfundido para qualquer receptor, sendo o doador universal. No sistema Rh, o fator D é o antígeno mais imunogênico: indivíduos RhD negativo não possuem o antígeno D e, se receberem sangue RhD positivo, podem desenvolver anticorpos anti-D, o que caracteriza a aloimunização. Em mulheres em idade fértil, a aloimunização anti-D é particularmente relevante, pois pode causar doença hemolítica do recém-nascido em gestações futuras. Por isso, a profilaxia com imunoglobulina anti-RhD é indicada em situações de exposição a sangue RhD positivo em mulheres RhD negativo em idade reprodutiva.

No entanto, em situações de emergência com risco de vida, quando não há disponibilidade de sangue compatível, a transfusão de sangue RhD incompatível é aceitável, priorizando a sobrevivência imediata. A decisão de administrar ou não imunoglobulina anti-RhD depende do potencial de gestação futura. Na paciente de 82 anos, fora do período reprodutivo, o risco de aloimunização não tem consequências obstétricas, tornando a profilaxia desnecessária. A alternativa C, que sugere administrar imunoglobulina anti-RhD, seria apropriada para uma mulher jovem em idade fértil, mas não para esta paciente idosa. A alternativa B, transfundir CH A RhD negativo, é incorreta porque o grupo A possui antígeno A, que seria incompatível com o plasma da paciente do grupo O, que contém anti-A, podendo causar reação hemolítica grave. A alternativa A, postergar a transfusão, é inaceitável diante do risco iminente de morte.

A pegadinha desta questão está em considerar a profilaxia com imunoglobulina anti-RhD como rotina em toda transfusão RhD incompatível, sem avaliar o contexto reprodutivo da paciente. A banca explora a confusão entre a conduta padrão para mulheres em idade fértil e a conduta para pacientes idosas, onde o risco de aloimunização não justifica a profilaxia. O critério decisivo é o potencial de gestação futura: em mulheres pós-menopausa, a imunoglobulina anti-RhD não é indicada, pois não há risco de doença hemolítica do recém-nascido.

Transfusão de emergência: O RhD negativo sem estoque
  • 1Prioridade: salvar a vida
    • Transfundir O RhD positivo (ABO compatível)
    • Risco: aloimunização anti-D
  • 2Profilaxia com imunoglobulina anti-RhD
    • Indicada: mulher em idade fértil
    • Não indicada: pós-menopausa (82 anos)
  • 3Condutas incorretas
    • Postergar transfusão (risco de morte)
    • Transfundir A RhD negativo (incompatível ABO)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Postergar a transfusão até o dia seguinte é uma conduta inaceitável, pois a paciente apresenta choque hemorrágico com hipotensão e taquicardia, caracterizando risco iminente de morte. A demora na reposição de hemácias pode levar a falência de múltiplos órgãos e óbito. A transfusão deve ser realizada em caráter de urgência, mesmo que isso implique o uso de sangue RhD incompatível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Transfundir CH A RhD negativo é incompatível com o grupo sanguíneo O da paciente. O plasma da paciente do grupo O contém anticorpos anti-A e anti-B, que reagiriam com os antígenos A presentes nas hemácias do doador do grupo A, causando uma reação hemolítica aguda grave, potencialmente fatal. A transfusão deve ser sempre ABO compatível, e o grupo O é o único compatível com a paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Transfundir CH O RhD positivo e administrar imunoglobulina anti-RhD é uma conduta que seria apropriada para uma mulher RhD negativo em idade fértil, com potencial de gestação futura, para prevenir a aloimunização anti-D e a consequente doença hemolítica do recém-nascido. No entanto, a paciente tem 82 anos, está fora do período reprodutivo, e a profilaxia não traz benefício, sendo desnecessária. A transfusão de sangue RhD positivo é aceitável, mas a imunoglobulina não deve ser administrada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Transfundir CH O RhD positivo e não fazer profilaxia para aloimunização é a conduta mais apropriada. A paciente apresenta anemia grave com instabilidade hemodinâmica, exigindo transfusão imediata. Como não há estoque de CH O RhD negativo, o uso de CH O RhD positivo é aceitável, pois o grupo O é ABO compatível. O risco de aloimunização anti-D é real, mas, por se tratar de paciente de 82 anos, fora do período reprodutivo, não há risco de doença hemolítica do recém-nascido em gestações futuras, tornando a profilaxia com imunoglobulina anti-RhD desnecessária. A prioridade é salvar a vida da paciente, e o risco de aloimunização é um efeito adverso aceitável nesse contexto.

Gabarito: letra D

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