O linfoma de células B primário do mediastino (PMBCL) é um subtipo raro e agressivo de linfoma não Hodgkin (LNH) com prevalência aumentada em adultos jovens. O diagnóstico pode ser desafiador devido à sobreposição de características histopatológicas com linfoma de Hodgkin (LH) clássico, subtipo esclerose nodular (EN).Qual das seguintes características favorece o diagnóstico de PMBCL em vez de linfoma de Hodgkin subtipo esclerose nodular?
AOrigem nos linfócitos B tímicos.
BExpressão de CD30 fraca e heterogênea.
CExpressão de CD15 difusa/forte.
DExpressão de CD45 parcial/perda completa.
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GabaritoB — Expressão de CD30 fraca e heterogênea.
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Linfoma de células B primário do mediastino (PMBCL) × Linfoma de Hodgkin esclerose nodular
Gabarito: letra B. A expressão de CD30 fraca e heterogênea favorece o diagnóstico de PMBCL, pois, no linfoma de Hodgkin clássico subtipo esclerose nodular, o CD30 é expresso de forma forte e uniforme nas células de Reed-Sternberg. Essa diferença no padrão de expressão do CD30 é um dos critérios imunofenotípicos que auxiliam na distinção entre essas duas entidades, que compartilham características histopatológicas e clínicas.
O PMBCL é um linfoma não Hodgkin agressivo que se origina de linfócitos B tímicos, apresentando-se como uma massa mediastinal anterior volumosa, mais comum em adultos jovens, com discreto predomínio no sexo feminino. O desafio diagnóstico reside na sobreposição morfológica com o linfoma de Hodgkin clássico, especialmente o subtipo esclerose nodular, que também acomete o mediastino e ocorre em faixa etária semelhante. Ambos podem exibir células grandes com nucléolos proeminentes, esclerose e um infiltrado inflamatório de fundo. A distinção é crucial, pois o tratamento e o prognóstico diferem: o PMBCL é tratado com esquemas de quimioterapia imunoterapia, como R-CHOP ou DA-EPOCH-R, enquanto o linfoma de Hodgkin clássico é tratado com esquemas como ABVD ou BEACOPP.
A imunofenotipagem por imuno-histoquímica é a ferramenta essencial para diferenciar essas neoplasias. O PMBCL é um linfoma de células B maduras, portanto expressa marcadores de linhagem B, como CD19, CD20, CD22 e CD79a, além de ser positivo para CD45 (antígeno comum leucocitário). Em contraste, as células de Reed-Sternberg do linfoma de Hodgkin clássico são tipicamente CD15 positivo e CD30 positivo, mas perdem a expressão de CD45 e da maioria dos marcadores de células B, embora possam expressar CD20 de forma variável e frequentemente fraca. Essa perda de antígenos de linhagem B e de CD45 é uma característica marcante do linfoma de Hodgkin clássico.
A expressão de CD30 é um ponto crítico. No linfoma de Hodgkin clássico, o CD30 é expresso de forma forte e difusa na membrana e no complexo de Golgi das células de Reed-Sternberg. No PMBCL, o CD30 pode ser expresso, porém de forma fraca e heterogênea, em contraste com a expressão forte e uniforme observada no linfoma de Hodgkin. Essa diferença quantitativa e qualitativa na expressão de CD30 é um dos critérios que favorecem o diagnóstico de PMBCL. A expressão de CD15, por sua vez, é característica do linfoma de Hodgkin clássico e geralmente ausente no PMBCL. A presença de CD15 difuso e forte, portanto, favoreceria o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, não de PMBCL.
A origem nos linfócitos B tímicos é uma característica do PMBCL, mas não é um critério que auxilie na distinção com o linfoma de Hodgkin esclerose nodular, pois ambos podem se apresentar como massa mediastinal e o linfoma de Hodgkin também pode ter origem em células B do centro germinativo. A expressão de CD45 parcial ou perda completa é uma característica do linfoma de Hodgkin clássico, não do PMBCL, que tipicamente expressa CD45 de forma forte e difusa. Portanto, a alternativa que apresenta uma característica que favorece o diagnóstico de PMBCL em detrimento do linfoma de Hodgkin esclerose nodular é a expressão de CD30 fraca e heterogênea.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os padrões de expressão de CD30 e CD15. O candidato pode lembrar que ambos os tumores podem expressar CD30, mas a intensidade e a uniformidade da expressão são diferentes. No linfoma de Hodgkin, o CD30 é forte e difuso; no PMBCL, é fraco e heterogêneo. Já o CD15 é um marcador do linfoma de Hodgkin, não do PMBCL. A alternativa C inverte essa lógica, atribuindo ao PMBCL uma característica do linfoma de Hodgkin.
A origem nos linfócitos B tímicos é uma característica do PMBCL, mas não é um critério que favoreça a distinção com o linfoma de Hodgkin esclerose nodular. Ambos podem se apresentar como massa mediastinal anterior, e o linfoma de Hodgkin clássico também se origina de células B, embora com fenótipo aberrante. A origem tímico-B é um dado de histogênese, não um marcador imunofenotípico que diferencie as duas entidades na prática diagnóstica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão de CD30 fraca e heterogênea é uma característica que favorece o diagnóstico de PMBCL. No linfoma de Hodgkin clássico, o CD30 é expresso de forma forte e uniforme nas células de Reed-Sternberg. Essa diferença no padrão de expressão é um dos critérios imunofenotípicos que auxiliam na distinção entre as duas entidades. O PMBCL pode expressar CD30, mas de forma mais fraca e heterogênea, o que o distingue do linfoma de Hodgkin.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A expressão de CD15 difusa e forte é uma característica do linfoma de Hodgkin clássico, não do PMBCL. As células de Reed-Sternberg do linfoma de Hodgkin são tipicamente CD15 positivas, enquanto o PMBCL geralmente é CD15 negativo. Portanto, essa alternativa favoreceria o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, não de PMBCL.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A expressão de CD45 parcial ou perda completa é uma característica do linfoma de Hodgkin clássico, não do PMBCL. As células de Reed-Sternberg do linfoma de Hodgkin frequentemente perdem a expressão de CD45, enquanto o PMBCL, por ser um linfoma de células B maduras, tipicamente expressa CD45 de forma forte e difusa. Portanto, essa alternativa favoreceria o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, não de PMBCL.