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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093952
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Paciente do sexo masculino, de 16 anos de idade, com diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda, está no D+6 de um transplante alogênico de células progenitoras hematopoéticas (HLA full-match), evoluindo com ganho de peso (>10% do peso original pré-transplante), balanço hídrico positivo, dor em região de hipocôndrio direito e insuficiência renal aguda. Os exames laboratoriais mostram: Neutrófilos = 80/mm³ , bilirrubinas totais = 9,3mg/dL, creatinina sérica = 3,1mg/dL e ALT e AST aumentados em quatro vezes o valor normal de referência.Em relação ao quadro apresentado, pode-se afirmar que
  1. Ao tratamento com defibrotide está indicado pela gravidade do quadro.
  2. Bo balanço hídrico deve ser mantido positivo para evitar o agravamento da síndrome hepatorrenal.
  3. Ca profilaxia pré-transplante com ciclosporina apresenta eficácia comprovada para essa complicação.
  4. Da maior complicação relacionada ao tratamento é a trombose arterial.
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GabaritoA — o tratamento com defibrotide está indicado pela gravidade do quadro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de obstrução sinusoidal (SOS) pós-transplante de células-tronco hematopoéticas

Gabarito: letra A. O quadro descrito — ganho de peso >10%, balanço hídrico positivo, dor em hipocôndrio direito, insuficiência renal aguda, hiperbilirrubinemia e transaminases elevadas no D+6 de um transplante alogênico — é a apresentação clássica da síndrome de obstrução sinusoidal (SOS), também chamada de doença veno-oclusiva hepática (VOD). O tratamento com defibrotide está indicado justamente nos casos graves, como este, por ser a única terapia com eficácia comprovada para a SOS estabelecida. As demais alternativas trazem condutas incorretas ou conceitos equivocados sobre a fisiopatologia e o manejo da doença.

A SOS é uma complicação precoce do transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), tipicamente ocorrendo nos primeiros 21 dias após a infusão das células progenitoras. A lesão inicial é a agressão ao endotélio dos sinusoides hepáticos e às células de Ito (estreladas), desencadeada pelo condicionamento (quimioterapia e/ou radioterapia) e, no caso alogênico, também por fatores imunológicos. Essa agressão leva à obstrução do fluxo venoso hepático, com congestão sinusoidal, hepatomegalia dolorosa, ascite e disfunção hepatocelular. Clinicamente, o paciente apresenta ganho de peso por retenção hídrica, icterícia, dor no hipocôndrio direito e, em casos graves, insuficiência renal e encefalopatia. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Baltimore ou de Seattle modificados, que incluem hiperbilirrubinemia (>2 mg/dL), hepatomegalia dolorosa e ganho de peso (>5% ou >10% do peso basal).

O tratamento da SOS é predominantemente de suporte, mas o defibrotide é o único fármaco aprovado especificamente para a SOS grave, com redução significativa da mortalidade. Ele atua como um agente profibrinolítico e antitrombótico, protegendo o endotélio e restaurando o fluxo sinusoidal. A indicação é justamente para os casos graves, como o do paciente em questão, que apresenta múltiplos critérios de gravidade (ganho de peso >10%, insuficiência renal, bilirrubinas elevadas). A profilaxia com defibrotide ainda é controversa, mas o tratamento da doença estabelecida é bem estabelecido.

A fisiopatologia da SOS envolve um estado de hipercoagulabilidade local, com trombose dos sinusoides e das vênulas hepáticas terminais. Por isso, a alternativa D, que menciona "trombose arterial" como a maior complicação, está errada: a trombose é venosa, não arterial. Além disso, a profilaxia com ciclosporina (alternativa C) não tem papel na prevenção da SOS; a ciclosporina é usada para profilaxia da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), e na verdade pode até contribuir para a disfunção endotelial. O balanço hídrico (alternativa B) deve ser manejado com cautela: em vez de mantê-lo positivo, a conduta é restringir fluidos e usar diuréticos para aliviar a congestão, evitando a sobrecarga que agrava a insuficiência renal e a ascite.

A distinção crucial que a banca explora é entre a SOS e outras complicações do transplante, como a DECH hepática e a síndrome hepatorrenal. A DECH aguda costuma ocorrer mais tardiamente (após o D+21) e se manifesta com rash cutâneo, diarreia e colestase, mas sem o ganho de peso e a dor hepática tão proeminentes. A síndrome hepatorrenal é uma complicação da cirrose avançada, não da SOS aguda. O reconhecimento precoce da SOS é fundamental, pois o defibrotide é mais eficaz quando iniciado precocemente.

Guarde o tripé diagnóstico da SOS: ganho de peso + dor em hipocôndrio direito + hiperbilirrubinemia no contexto de TCTH recente. É exatamente esse tripé que as alternativas tentam desviar, oferecendo condutas que não se aplicam ou confundindo a fisiopatologia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O defibrotide é o tratamento de escolha para a SOS grave, e este paciente preenche critérios de gravidade: ganho de peso >10%, insuficiência renal aguda, bilirrubinas totais de 9,3 mg/dL e transaminases elevadas. A gravidade do quadro justifica a indicação do fármaco, que reduz a mortalidade por SOS. A alternativa está correta ao afirmar que o tratamento com defibrotide está indicado pela gravidade do quadro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Manter o balanço hídrico positivo é exatamente o oposto da conduta correta. Na SOS, há retenção hídrica e congestão hepática; a abordagem é restringir fluidos e usar diuréticos para reduzir a sobrecarga, aliviando a ascite e a congestão. Manter balanço positivo agravaria a insuficiência renal e a congestão hepática. Além disso, a síndrome hepatorrenal não é a complicação em questão — ela é uma consequência de doença hepática crônica, não da SOS aguda.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ciclosporina é um imunossupressor usado na profilaxia da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), não na prevenção da SOS. Não há evidência de eficácia da ciclosporina na profilaxia da SOS; na verdade, alguns estudos sugerem que ela pode até aumentar o risco de disfunção endotelial. A profilaxia da SOS, quando considerada, é feita com ácido ursodesoxicólico ou defibrotide em situações de alto risco, mas não com ciclosporina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A maior complicação relacionada ao tratamento da SOS não é a trombose arterial, mas sim a trombose venosa dos sinusoides hepáticos e das vênulas terminais. A fisiopatologia da SOS envolve obstrução do fluxo venoso hepático, não arterial. A alternativa troca o leito vascular envolvido, o que é um erro conceitual clássico.

Gabarito: letra A — o defibrotide está indicado pela gravidade do quadro de síndrome de obstrução sinusoidal.

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