O transplante autólogo de células progenitoras hematopoéticas (CPH) consiste na administração de quimioterapia intensiva seguida da infusão das próprias células do paciente, com potencial curativo em certas neoplasias hematológicas e também em algumas doenças não hematológicas. Em condições normais, a quantidade de CPH no sangue periférico (SP) é baixa. Ao administrar o fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) isoladamente ou em combinação com quimioterapia, as CPH saem do compartimento da medula para o SP, um processo conhecido como mobilização.Qual das variáveis a seguir sinaliza que a mobilização pode ser prejudicada?
AIdade acima de 35 anos.
BUso de daratumumab.
CSexo feminino com múltiplas gestações.
DLinfocitose no sangue periférico.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Uso de daratumumab.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mobilização de células progenitoras hematopoéticas no transplante autólogo
Gabarito: letra B. O uso de daratumumab é a variável que sinaliza mobilização prejudicada de células progenitoras hematopoéticas (CPH), pois esse anticorpo monoclonal anti-CD38 compromete a eficácia da mobilização e da coleta de células-tronco, conforme consenso da literatura em transplante de medula óssea. As demais alternativas (idade acima de 35 anos, sexo feminino com múltiplas gestações e linfocitose no sangue periférico) não são fatores reconhecidos de falha de mobilização.
A mobilização de CPH é o processo pelo qual células-tronco hematopoéticas migram da medula óssea para o sangue periférico, permitindo sua coleta por aférese para posterior transplante autólogo. Em condições normais, a quantidade dessas células no sangue periférico é baixa; a administração de G-CSF isolado ou associado à quimioterapia aumenta essa migração ao estimular a proliferação e liberação das células da medula para a circulação. O sucesso da coleta depende de uma mobilização adequada, e diversos fatores podem comprometê-la, sendo o conhecimento desses fatores essencial para o planejamento do transplante.
O daratumumab é um anticorpo monoclonal que tem como alvo a molécula CD38, expressa em células plasmáticas e também em células progenitoras hematopoéticas e linfócitos. Seu uso prévio, especialmente em pacientes com mieloma múltiplo, está associado a uma redução significativa na capacidade de mobilização de CPH, pois a ligação do anticorpo às células CD38-positivas interfere nos mecanismos de adesão e liberação das células-tronco da medula óssea. Essa é uma preocupação clínica relevante, pois muitos pacientes que necessitam de transplante autólogo já foram expostos a esse medicamento, exigindo estratégias alternativas de mobilização, como o uso de plerixafor, um antagonista do CXCR4.
Os demais fatores listados nas alternativas não são reconhecidos como preditores de falha de mobilização. A idade avançada, embora possa influenciar a qualidade da medula óssea, não é um fator determinante isolado; o sexo feminino com múltiplas gestações não tem impacto documentado na mobilização; e a linfocitose no sangue periférico, na verdade, pode refletir uma resposta inflamatória ou uma doença de base, mas não é um marcador de falha de mobilização. O conhecimento desses fatores é crucial para identificar pacientes com maior risco de coleta inadequada e planejar intervenções precoces.
A pegadinha desta questão está em associar fatores demográficos ou laboratoriais comuns a um risco real de falha de mobilização, quando o fator de risco mais específico e reconhecido é a exposição prévia a determinados medicamentos, como o daratumumab. O candidato pode ser levado a escolher a idade ou o sexo por serem fatores mais intuitivos, mas a literatura especializada aponta o uso de daratumumab como um dos principais preditores de mobilização prejudicada. Guarde essa distinção: fatores clínicos gerais não são os principais determinantes; a exposição a agentes que afetam diretamente as células progenitoras é o critério decisivo.
Fatores de falha de mobilização de CPH
1Uso de daratumumab (anti-CD38)
Interfere na liberação das células-tronco
Exige estratégias alternativas (plerixafor)
2Não são fatores reconhecidos
Idade acima de 35 anos
Sexo feminino com múltiplas gestações
Linfocitose no sangue periférico
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A idade acima de 35 anos não é um fator reconhecido de falha de mobilização. Embora a idade avançada possa estar associada a uma menor celularidade da medula óssea, não há evidência consistente de que a idade por si só, especialmente acima de 35 anos, seja um preditor de mobilização prejudicada. O erro está em superestimar o impacto da idade, que não é um critério isolado para prever falha na coleta de CPH.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso de daratumumab é a variável que sinaliza mobilização prejudicada. O daratumumab, anticorpo monoclonal anti-CD38, liga-se às células progenitoras hematopoéticas que expressam CD38, interferindo na sua liberação da medula óssea e comprometendo a eficácia da mobilização. Essa é uma preocupação clínica bem documentada, especialmente em pacientes com mieloma múltiplo, que frequentemente necessitam de transplante autólogo. A alternativa está correta por identificar um fator de risco específico e reconhecido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sexo feminino com múltiplas gestações não é um fator de risco para falha de mobilização. Não há evidência na literatura de que gestações anteriores afetem a capacidade de mobilização de CPH. O erro está em atribuir um risco a uma condição que não tem relação comprovada com o processo de mobilização.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A linfocitose no sangue periférico não é um fator que sinaliza mobilização prejudicada. Na verdade, a linfocitose pode ser um achado inespecífico, presente em diversas condições, e não há correlação direta com a falha de mobilização. O erro está em considerar um achado laboratorial comum como um preditor de risco, quando o fator determinante é a exposição a medicamentos que afetam as células progenitoras.