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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093963
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
A anemia aplástica adquirida (AA) é um distúrbio hematopoético imunomediado caracterizado por pancitopenia e medula óssea hipocelular. Os pacientes afetados geralmente apresentam infecções por neutropenia, sangramento por trombocitopenia e/ou fadiga por anemia. Quase todos os casos esporádicos de AA, especialmente quando graves e de início súbito, estão relacionados à destruição imunológica de células-tronco hematopoéticas e/ou progenitoras.Em relação a essa doença, é correto afirmar:
  1. Aé importante excluir a mielodisplasia antes do tratamento da AA, especialmente em pacientes jovens, abaixo de 20 anos.
  2. Bum achado de displasia em ≥ 10% das células de uma única linhagem (particularmente em linhagens mieloides ou megacariocíticas) ou em duas ou mais linhagens fornece forte evidência de AA.
  3. Cexiste uma forte associação entre AA adquirida e hemoglobinúria paroxística noturna (HPN); a detecção de células negativas para CD59/CD55 ou outros achados associados à HPN aumentam a probabilidade de AA adquirida.
  4. Dpara pacientes ≥ 40 anos (alguns especialistas recomendam ≥ 50 anos), sugere-se imunossupressão tripla (ou seja, globulina antitimócito de coelho, ciclosporina e azatioprina).
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GabaritoC — existe uma forte associação entre AA adquirida e hemoglobinúria paroxística noturna (HPN); a detecção de células negativas para CD59/CD55 ou outros achados associados à HPN aumentam a probabilidade de AA adquirida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia aplástica adquirida: diagnóstico e associação com HPN

Gabarito: letra C. A anemia aplástica adquirida (AA) tem forte associação com a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN); a detecção de células deficientes em CD55/CD59 (âncoras GPI) ou outros achados de HPN reforça o diagnóstico de AA adquirida, pois ambas compartilham mecanismo imunomediado contra a célula-tronco hematopoética. As demais alternativas contêm erros conceituais: a exclusão de mielodisplasia é mais crítica em idosos (não em jovens), a displasia em ≥10% de uma linhagem sugere mielodisplasia (não AA), e a imunossupressão tripla padrão usa eltrombopague (não azatioprina).

A anemia aplástica adquirida é uma doença rara, imunomediada, caracterizada por pancitopenia e medula óssea hipocelular, com incidência de 1 a 5 casos por milhão/ano, predominando em adultos jovens (20–25 anos) e idosos (60–65 anos). A fisiopatologia central envolve linfócitos T autorreativos que destroem as células-tronco hematopoéticas (CTHs) e progenitoras, levando à falência medular. O diagnóstico exige biópsia de medula óssea demonstrando hipoplasia, e a investigação etiológica deve excluir causas congênitas (anemia de Fanconi, disqueratose congênita, síndrome de Shwachman-Diamond) e adquiridas (medicamentos, vírus, radiação, HPN).

A associação entre AA e HPN é bidirecional e clinicamente relevante. A HPN resulta de mutação somática no gene PIGA, que codifica a síntese da âncora glicosilfosfatidilinositol (GPI); sem essa âncora, as células hematopoéticas perdem proteínas de superfície como CD55 e CD59, que normalmente protegem eritrócitos e plaquetas do ataque do complemento. Na AA, a pressão imunológica seletiva pode favorecer a expansão de clones HPN, que escapam da destruição imune. Por isso, a presença de clones HPN (detectados por citometria de fluxo como células CD55/CD59 negativas) é um achado que aumenta a probabilidade de AA adquirida e ajuda a diferenciá-la de outras causas de pancitopenia.

O tratamento da AA grave evoluiu: o padrão atual de primeira linha é a imunossupressão tripla com globulina antitimócito (ATG) de coelho, ciclosporina e eltrombopague (agonista do receptor de trombopoetina), com taxas de resposta de 80–94% em 6 meses. O transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas é a opção curativa para pacientes jovens com doador HLA compatível. Fatores de crescimento (G-CSF, EPO) não são rotineiramente eficazes, pois os níveis endógenos de citocinas já são elevados.

A principal pegadinha desta questão é a inversão de faixas etárias e a troca de medicamentos na imunossupressão. A banca explora a confusão entre AA e mielodisplasia (SMD), duas causas de pancitopenia com medula hipocelular, mas com achados morfológicos distintos: na SMD há displasia em ≥10% das células de uma ou mais linhagens, enquanto na AA a medula é tipicamente hipocelular sem displasia significativa. Além disso, a exclusão de SMD é mais importante em pacientes idosos, pois a SMD é mais prevalente nessa faixa etária, e não em jovens.

Guarde o critério decisivo: a presença de displasia ≥10% aponta para SMD (não AA), e a detecção de clones HPN (CD55/CD59 negativos) reforça AA adquirida. É exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.

Característica

Anemia Aplástica Adquirida (AA)

Mielodisplasia (SMD)

Celularidade da medula óssea

Hipocelular

Geralmente hipercelular (pode ser hipocelular em subtipos)

Displasia (≥10% de uma ou mais linhagens)

Ausente (achado não característico)

Presente (critério diagnóstico)

Associação com HPN (clones CD55/CD59 negativos)

Forte (aumenta probabilidade de AA)

Menos frequente

Faixa etária de maior suspeita

Adultos jovens (20–25 anos) e idosos (60–65 anos)

Predominantemente idosos (≥60 anos)

Tratamento de primeira linha (imunossupressão tripla)

ATG de coelho + ciclosporina + eltrombopague

Variável (agentes hipometilantes, etc.)

Anemia aplástica adquirida
  • 1Diagnóstico
    • Pancitopenia + medula hipocelular
    • Excluir mielodisplasia (idosos)
    • Excluir causas congênitas (jovens)
  • 2Associação com HPN
    • Mutação PIGA → perda CD55/CD59
    • Clones HPN escapam da imunidade
    • Reforça diagnóstico de AA
  • 3Tratamento
    • Imunossupressão tripla
      • ATG de coelho
      • Ciclosporina
      • Eltrombopague
    • Transplante alogênico (jovens)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que é importante excluir mielodisplasia antes do tratamento da AA, especialmente em pacientes jovens abaixo de 20 anos. O erro está na faixa etária: a exclusão de SMD é mais crítica em pacientes idosos (≥40–50 anos), pois a SMD é uma doença de idosos e pode mimetizar AA. Em pacientes jovens, a suspeita maior é de causas congênitas (anemia de Fanconi, disqueratose congênita) ou AA idiopática. A alternativa inverte a população de risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que displasia em ≥10% das células de uma única linhagem (mieloide ou megacariocítica) ou em duas ou mais linhagens fornece forte evidência de AA. Isso é exatamente o oposto: displasia ≥10% em uma ou mais linhagens é critério diagnóstico de mielodisplasia (SMD), não de AA. Na AA, a medula é hipocelular com ausência de displasia significativa. A alternativa troca o achado que define SMD pelo que seria evidência de AA.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que existe forte associação entre AA adquirida e HPN, e que a detecção de células negativas para CD59/CD55 ou outros achados associados à HPN aumentam a probabilidade de AA adquirida. Isso está correto: a HPN é uma causa adquirida de AA, e a presença de clones HPN (células deficientes em CD55/CD59, detectadas por citometria de fluxo) é um achado que reforça o diagnóstico de AA adquirida. A associação é tão forte que a investigação de HPN faz parte da avaliação diagnóstica inicial da AA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que para pacientes ≥40 anos (alguns recomendam ≥50) sugere-se imunossupressão tripla com globulina antitimócito de coelho, ciclosporina e azatioprina. O erro está no terceiro fármaco: o padrão atual de imunossupressão tripla usa eltrombopague (agonista do receptor de trombopoetina), não azatioprina. A azatioprina não apresenta superioridade terapêutica em relação à ciclosporina e não faz parte do esquema padrão. A alternativa troca o eltrombopague por azatioprina.

Gabarito: letra C — a associação entre AA adquirida e HPN, com detecção de células CD55/CD59 negativas, é o achado que aumenta a probabilidade de AA adquirida.

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