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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093965
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Durante o tratamento do mieloma múltiplo, várias medidas terapêuticas e profiláticas devem ser adotadas para reduzir complicações relacionadas à doença e ao tratamento.Assinale a alternativa correta quanto às terapias e profilaxias recomendadas.
  1. APacientes em uso de imunomoduladores devem receber profilaxia para tromboembolismo com aspirina, heparina ou anticoagulantes orais, conforme risco individual.
  2. BPacientes em uso de lenalidomida ou talidomida devem receber profilaxia antiviral para herpes-zóster.
  3. CO uso de bisfosfonatos é contraindicado em pacientes com insuficiência renal.
  4. DO uso de corticoides em altas doses dispensa a necessidade de vacinas, pois confere proteção cruzada contra infecções bacterianas.
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GabaritoA — Pacientes em uso de imunomoduladores devem receber profilaxia para tromboembolismo com aspirina, heparina ou anticoagulantes orais, conforme risco individual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mieloma múltiplo: profilaxias e terapias de suporte

Gabarito: letra A. Pacientes em uso de imunomoduladores (talidomida, lenalidomida, pomalidomida) apresentam risco aumentado de tromboembolismo venoso, e a profilaxia antitrombótica — com aspirina, heparina ou anticoagulante oral, conforme o risco individual — é recomendação consolidada nas diretrizes de manejo do mieloma múltiplo. As demais alternativas contêm erros conceituais: a profilaxia antiviral para herpes-zóster não é específica de imunomoduladores, os bisfosfonatos não são contraindicados de forma absoluta na insuficiência renal (exigem ajuste de dose), e corticoides não substituem vacinação.

O mieloma múltiplo é uma neoplasia de plasmócitos que cursa com produção de imunoglobulinas monoclonais, insuficiência da medula óssea e lesões ósseas líticas. O tratamento de base envolve combinações de imunomoduladores (IMiDs), inibidores de proteassoma, corticoides e, em casos selecionados, transplante autólogo de células-tronco. Cada uma dessas classes traz riscos específicos que exigem medidas profiláticas e de suporte — e é exatamente esse conjunto de cuidados que a questão explora.

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma das complicações mais relevantes do tratamento com IMiDs, especialmente quando combinados a corticoides em altas doses ou a agentes como doxorrubicina. A fisiopatologia envolve aumento da expressão de fatores pró-coagulantes, lesão endotelial e ativação plaquetária. Por isso, a avaliação do risco individual — histórico prévio de TEV, obesidade, uso de contraceptivos, cateter venoso central, imobilização — define a estratégia: aspirina em baixo risco, heparina de baixo peso molecular ou anticoagulante oral em risco intermediário/alto. Essa é uma recomendação de diretrizes internacionais (IMWG, NCCN) e de consensos brasileiros de hematologia.

A profilaxia antiviral, por sua vez, está indicada principalmente para pacientes em uso de inibidores de proteassoma (bortezomibe, carfilzomibe, ixazomibe), que aumentam o risco de reativação do vírus varicela-zóster. Já os IMiDs não têm essa associação clássica — o erro da alternativa B está justamente em atribuir a profilaxia antiviral à classe errada. Quanto aos bisfosfonatos (pamidronato, ácido zoledrônico), eles são a base do tratamento das lesões ósseas do mieloma, mas são excretados por via renal e podem ser nefrotóxicos; a conduta correta é ajustar a dose conforme o clearance de creatinina, e não contraindicar de forma absoluta. Por fim, corticoides em altas doses são imunossupressores e aumentam o risco de infecções — a vacinação (influenza, pneumococo, COVID-19) é recomendada antes do início do tratamento, e não dispensada.

A pegadinha central da questão é a troca de classes farmacológicas: a banca associa a profilaxia antiviral aos imunomoduladores, quando ela pertence aos inibidores de proteassoma. Guarde esse par — é exatamente ele que separa as alternativas.

Medida

Indicação correta

Erro da alternativa

Profilaxia antitrombótica (aspirina, heparina ou anticoagulante oral)

Pacientes em uso de imunomoduladores (talidomida, lenalidomida, pomalidomida), conforme risco individual

— (alternativa correta)

Profilaxia antiviral (herpes-zóster)

Pacientes em uso de inibidores de proteassoma (bortezomibe, carfilzomibe, ixazomibe)

Atribuída aos imunomoduladores (lenalidomida/talidomida)

Bisfosfonatos na insuficiência renal

Permitidos com ajuste de dose conforme clearance de creatinina

Contraindicação absoluta

Vacinação em uso de corticoides

Recomendada antes do início do tratamento imunossupressor

Dispensada por suposta proteção cruzada

1Imunomoduladores (IMiDs)
Tromboembolismo venoso
Aspirina (baixo risco)
Heparina/anticoagulante (alto risco)
2Inibidores de proteassoma
Herpes-zóster
Aciclovir/valaciclovir
3Bisfosfonatos
Lesões ósseas
Ajuste renal (não contraindica)
4Corticoides
Imunossupressores
Vacinação mantida
Profilaxias no mieloma
LEVELsoulevel.com.br
Profilaxias no mieloma: Imunomoduladores (IMiDs) (Tromboembolismo venoso, Aspirina (baixo risco), Heparina/anticoagulante (alto risco)); Inibidores de proteassoma (Herpes-zóster, Aciclovir/valaciclovir); Bisfosfonatos (Lesões ósseas, Ajuste renal (não contraindica)); Corticoides (Imunossupressores, Vacinação mantida)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que pacientes em uso de imunomoduladores devem receber profilaxia para tromboembolismo, com aspirina, heparina ou anticoagulantes orais, conforme o risco individual. Essa é a recomendação das principais diretrizes de manejo do mieloma múltiplo: a estratificação de risco (história prévia de TEV, obesidade, imobilização, uso de contraceptivos, cateter central) define a intensidade da profilaxia — aspirina para baixo risco, heparina de baixo peso molecular ou anticoagulante oral para risco intermediário ou alto. A alternativa espelha exatamente essa conduta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao atribuir a profilaxia antiviral para herpes-zóster aos pacientes em uso de lenalidomida ou talidomida. A reativação do vírus varicela-zóster é complicação clássica dos inibidores de proteassoma (bortezomibe, carfilzomibe, ixazomibe), e não dos imunomoduladores. A profilaxia antiviral (aciclovir ou valaciclovir) está indicada para quem usa essas drogas, e não para os IMiDs. A banca troca a classe farmacológica associada à profilaxia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o uso de bisfosfonatos é contraindicado em pacientes com insuficiência renal — o que é falso. Os bisfosfonatos (pamidronato, ácido zoledrônico) são a base do tratamento das lesões ósseas do mieloma, mas são excretados por via renal e podem agravar a função renal. A conduta correta é ajustar a dose conforme o clearance de creatinina e monitorar a função renal, e não contraindicar o uso. Em insuficiência renal grave, pode-se reduzir a dose, aumentar o intervalo entre as infusões ou optar por outro agente, mas a contraindicação absoluta não é a regra.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o uso de corticoides em altas doses dispensa a necessidade de vacinas, pois confere proteção cruzada contra infecções bacterianas — erro duplo. Corticoides em altas doses são imunossupressores e aumentam o risco de infecções, não conferem proteção cruzada alguma. A vacinação (influenza, pneumococo, COVID-19, entre outras) é recomendada antes do início do tratamento imunossupressor, e não dispensada. A alternativa inverte completamente a lógica da imunização no paciente oncológico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as classes farmacológicas: atribui a profilaxia antiviral (herpes-zóster) aos imunomoduladores, quando ela é clássica dos inibidores de proteassoma. Na prova, desconfie sempre que uma profilaxia for associada à classe errada — é o padrão mais comum nesse tema. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Gabarito: letra A

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