Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093966
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
Em relação à avaliação do sistema nervoso central (SNC) em pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA), assinale a alternativa que indica corretamente as situações em que está indicada a punção lombar diagnóstica para pesquisa de infiltração leucêmica no líquor.
  1. APresença das alterações Moleculares: FLT3, NPM1, CBF, KTM2A.
  2. BLeucometria acima de 20.000/mm³ .
  3. CLMA do tipo M3.
  4. DIdade acima de 40 anos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Presença das alterações Moleculares: FLT3, NPM1, CBF, KTM2A.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Punção lombar diagnóstica na LMA: quando indicar

Gabarito: letra A. A punção lombar diagnóstica para pesquisa de infiltração leucêmica no líquor está indicada na presença de alterações moleculares de risco (FLT3, NPM1, CBF, KMT2A), conforme as diretrizes de manejo da leucemia mieloide aguda (LMA). As demais alternativas (leucometria > 20.000/mm³, subtipo M3 e idade > 40 anos) não constituem, isoladamente, indicação formal para o procedimento.

A avaliação do sistema nervoso central (SNC) na LMA é um ponto crítico do estadiamento e do planejamento terapêutico, pois a infiltração leucêmica meníngea pode ser assintomática e, se não tratada, compromete o prognóstico. A punção lombar diagnóstica — coleta de líquor para citologia e citometria de fluxo — é o método padrão para detectar essa infiltração. A indicação não é universal: ela segue critérios clínicos e biológicos bem definidos, que buscam identificar pacientes com maior risco de doença no SNC.

O principal fator que eleva o risco de infiltração do SNC na LMA é a presença de alterações moleculares e citogenéticas específicas, notadamente as que envolvem os genes FLT3 (mutações), NPM1 (mutações), CBF (fator de ligação ao núcleo — translocações t(8;21) e inv(16)) e KMT2A (rearranjos, como t(9;11)). Essas alterações conferem um tropismo particular das células leucêmicas pelo microambiente meníngeo, justificando a pesquisa ativa de doença no líquor mesmo na ausência de sintomas neurológicos. É exatamente essa a situação descrita na alternativa A.

As demais opções representam distratores que exploram fatores prognósticos gerais da LMA, mas que não são, por si só, indicação de punção lombar diagnóstica. A leucometria elevada (acima de 100.000/mm³, não 20.000) é um fator de risco para leucostase e para doença extramedular, mas a indicação de punção lombar nesse contexto é controversa e não é uma recomendação isolada. O subtipo M3 (leucemia promielocítica aguda) tem risco aumentado de sangramento, e a punção lombar é contraindicada na vigência de coagulopatia — não é uma indicação, mas sim uma precaução. A idade avançada (> 60 anos, não > 40) é um fator prognóstico adverso, mas não define a necessidade de pesquisa de infiltração meníngea.

A pegadinha central desta questão está em confundir fatores prognósticos gerais da LMA com indicações específicas de punção lombar diagnóstica. A banca oferece alternativas que são verdadeiras no contexto de prognóstico (leucometria alta, subtipo M3, idade avançada), mas que não respondem à pergunta feita. O critério decisivo é o risco de infiltração do SNC, que é determinado principalmente pelas alterações moleculares e citogenéticas de risco. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de alterações moleculares como FLT3, NPM1, CBF e KMT2A é a indicação formal de punção lombar diagnóstica na LMA. Essas alterações estão associadas a um risco aumentado de infiltração leucêmica no SNC, justificando a pesquisa ativa de doença no líquor, mesmo sem sintomas neurológicos. É o que preconizam as principais diretrizes de manejo da LMA, que recomendam a avaliação do líquor nesses subgrupos de risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A leucometria acima de 20.000/mm³ não é, isoladamente, indicação de punção lombar diagnóstica. O valor que confere risco aumentado de complicações (como leucostase) e de doença extramedular é a leucometria acima de 100.000/mm³, e mesmo assim a indicação de punção lombar nesse cenário é controversa, não sendo uma recomendação isolada. A alternativa confunde um fator prognóstico geral com uma indicação específica de pesquisa de infiltração meníngea.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A LMA do tipo M3 (leucemia promielocítica aguda) não é indicação de punção lombar diagnóstica; pelo contrário, é uma situação de precaução, pois esses pacientes apresentam alto risco de coagulopatia e sangramento, tornando o procedimento contraindicado na vigência de coagulopatia não corrigida. A alternativa inverte a lógica: o subtipo M3 é um cenário de risco para a realização da punção, não uma indicação para ela.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A idade acima de 40 anos não é indicação de punção lombar diagnóstica na LMA. A idade avançada (acima de 60 anos) é um fator prognóstico adverso, mas não define a necessidade de pesquisa de infiltração meníngea. A alternativa confunde um fator prognóstico geral com uma indicação específica de avaliação do SNC.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu093966