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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093972
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
A leucorredução dos hemocomponentes celulares tem vantagens conhecidas e bem estabelecidas na literatura. Uma delas é a redução da aloimunização leucocitária, ou seja, contra os antígenos do complexo de histocompatibilidade humano (HLA).Em pacientes que têm potencial de receber múltiplas transfusões, a redução da aloimunização HLA é importante para reduzir
  1. Ao risco de reação hipotensiva relacionada à transfusão.
  2. Bo risco de reação alérgica relacionada à transfusão.
  3. Cos efeitos da transfusão de concentrado de hemácias com hemoglobina S positiva.
  4. Da refratariedade à transfusão de plaquetas.
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GabaritoD — a refratariedade à transfusão de plaquetas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucorredução e aloimunização HLA: refratariedade plaquetária

Gabarito: letra D. A redução da aloimunização contra antígenos HLA, obtida pela leucorredução dos hemocomponentes, é fundamental para prevenir a refratariedade à transfusão de plaquetas — condição em que o paciente, após múltiplas exposições, desenvolve anticorpos anti-HLA que destroem rapidamente as plaquetas transfundidas, impedindo o incremento esperado da contagem. Essa é a consequência clínica mais diretamente ligada à aloimunização leucocitária, conforme a fisiopatologia descrita na literatura de hemoterapia.

A leucorredução é o processo de remoção de leucócitos dos hemocomponentes (concentrado de hemácias e concentrado de plaquetas), realizada por filtração ou por técnicas de aférese. Sua principal justificativa imunológica é que os leucócitos residuais presentes nos hemocomponentes são a principal fonte de antígenos HLA que sensibilizam o receptor. Quando um paciente recebe múltiplas transfusões ao longo da vida — como ocorre em doenças onco-hematológicas, anemias crônicas ou durante quimioterapia —, a exposição repetida a esses antígenos estranhos pode induzir a formação de aloanticorpos, mais comumente dirigidos contra o HLA. Esses anticorpos, uma vez formados, reconhecem e destroem rapidamente as plaquetas transfundidas que expressam os antígenos HLA correspondentes, fenômeno conhecido como refratariedade plaquetária imunomediada.

A refratariedade à transfusão de plaquetas é definida como a resposta inadequada à transfusão, caracterizada por incremento insuficiente da contagem plaquetária após a infusão. Ela pode ter causas imunes (aloimunização HLA ou HPA) e não imunes (febre, sepse, esplenomegalia, coagulação intravascular disseminada). No paciente aloimunizado, a abordagem inclui a seleção de plaquetas compatíveis para ABO, a prova cruzada e, quando necessário, a utilização de plaquetas HLA-compatíveis. A leucorredução atua justamente na prevenção primária: ao reduzir a carga de leucócitos, diminui a probabilidade de o paciente desenvolver aloanticorpos anti-HLA, preservando a eficácia de transfusões futuras.

É importante distinguir a aloimunização HLA das demais complicações transfusionais listadas nas alternativas. A reação hipotensiva relacionada à transfusão está associada à presença de bradicinina em componentes filtrados, não à aloimunização. A reação alérgica é mediada por anticorpos contra proteínas plasmáticas, tipicamente IgE, e não por antígenos HLA. A transfusão de hemácias com hemoglobina S positiva é uma preocupação específica em pacientes com doença falciforme, relacionada à viscosidade sanguínea e à possibilidade de crises vaso-oclusivas, não à aloimunização leucocitária. Assim, a única alternativa que traduz corretamente a consequência clínica da aloimunização HLA é a refratariedade plaquetária.

A pegadinha desta questão está em associar a leucorredução a outras reações transfusionais que não têm relação direta com a aloimunização HLA. O candidato que não domina a fisiopatologia da refratariedade plaquetária pode ser atraído por alternativas que mencionam reações transfusionais comuns, mas que possuem mecanismos distintos. O critério decisivo é identificar qual complicação é causada especificamente por anticorpos anti-HLA: a resposta é a refratariedade à transfusão de plaquetas.

1Remove leucócitos
Principal fonte de HLA
Previne aloimunização
2Benefícios
Refratariedade plaquetária (anti-HLA)
Febre não hemolítica
Transmissão de CMV
3Não previne
Reação hipotensiva (bradicinina)
Reação alérgica (IgE)
Hemoglobina S (viscosidade)
Leucorredução
LEVELsoulevel.com.br
Leucorredução: Remove leucócitos (Principal fonte de HLA, Previne aloimunização); Benefícios (Refratariedade plaquetária (anti-HLA), Febre não hemolítica, Transmissão de CMV); Não previne (Reação hipotensiva (bradicinina), Reação alérgica (IgE), Hemoglobina S (viscosidade))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reação hipotensiva relacionada à transfusão é uma complicação associada à presença de bradicinina em hemocomponentes filtrados ou armazenados, especialmente em pacientes em uso de inibidores da ECA. Não é causada pela aloimunização HLA e não é prevenida pela leucorredução nesse contexto. O mecanismo é mediado por cininas, não por anticorpos anti-HLA.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reação alérgica relacionada à transfusão é mediada por anticorpos IgE contra proteínas plasmáticas presentes no hemocomponente, como IgA ou outras proteínas. Não envolve antígenos HLA e não é prevenida pela leucorredução. A leucorredução remove leucócitos, não proteínas plasmáticas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A transfusão de concentrado de hemácias com hemoglobina S positiva é uma preocupação específica em pacientes com doença falciforme, relacionada ao aumento da viscosidade sanguínea e ao risco de crises vaso-oclusivas. Não está relacionada à aloimunização HLA nem é prevenida pela leucorredução. A leucorredução não altera a hemoglobina S.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A refratariedade à transfusão de plaquetas é a complicação diretamente causada pela aloimunização HLA. Quando o paciente é exposto repetidamente a leucócitos estranhos presentes nos hemocomponentes, desenvolve aloanticorpos anti-HLA que reconhecem e destroem rapidamente as plaquetas transfundidas, impedindo o incremento esperado da contagem. A leucorredução, ao remover os leucócitos, reduz a formação desses anticorpos e, consequentemente, previne a refratariedade plaquetária imunomediada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as diferentes reações transfusionais. O candidato pode associar a leucorredução a qualquer complicação transfusional, mas a aloimunização HLA tem um desfecho específico: a refratariedade plaquetária. As reações hipotensivas, alérgicas e a hemoglobina S têm mecanismos completamente distintos, que não envolvem anticorpos anti-HLA. Ao identificar o mecanismo — anticorpos contra antígenos leucocitários —, a resposta correta emerge naturalmente.

Gabarito: letra D — a redução da aloimunização HLA pela leucorredução é importante para reduzir a refratariedade à transfusão de plaquetas.

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