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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu093974
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Hematologia e Hemoterapia
A síndrome torácica aguda (STA) é uma das principais causas de morte em pacientes com doença falciforme. Definida como uma nova opacidade pulmonar na radiografia de tórax acompanhada de febre e/ou sintomas respiratórios, a STA em adultos requer tratamento imediato para prevenir deterioração clínica e morte.Assinale a alternativa correta a respeito da STA.
  1. AO objetivo da transfusão simples é aumentar o hematócrito para 30% ou a hemoglobina para 10 g/dL, como forma de reduzir a falcização e melhorar a oxigenação.
  2. BNíveis mais baixos de hemoglobina fetal (Hb F) são protetores contra complicações da doença falciforme, portanto indivíduos com Hb F mais baixos não desenvolvem STA.
  3. CA desferoxamina tem se mostrado eficaz na profilaxia dos episódios de STA.
  4. DUma vez que o tromboembolismo pulmonar não pode ser distinguido de forma confiável da STA, recomenda-se anticoagulação plena em todos os pacientes com suspeita de STA.
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GabaritoA — O objetivo da transfusão simples é aumentar o hematócrito para 30% ou a hemoglobina para 10 g/dL, como forma de reduzir a falcização e melhorar a oxigenação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Torácica Aguda na Doença Falciforme

Gabarito: letra A. Na síndrome torácica aguda (STA), a transfusão simples tem como objetivo elevar a hemoglobina para cerca de 10 g/dL (ou o hematócrito para 30%), melhorando a oxigenação e reduzindo a falcização, sem aumentar excessivamente a viscosidade sanguínea. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes: a HbF elevada é que é protetora, a desferoxamina não tem papel na profilaxia da STA e a anticoagulação plena não é indicada para todos os pacientes com suspeita de STA.

A síndrome torácica aguda é uma complicação aguda e potencialmente fatal da doença falciforme, caracterizada por febre, sintomas respiratórios e um novo infiltrado pulmonar na radiografia de tórax. Ela ocorre devido à vasoclusão pulmonar, que leva a infarto e disfunção do parênquima pulmonar, frequentemente precipitada por infecção, embolia gordurosa (de medula óssea) ou sequestro torácico. A fisiopatologia envolve a falcização das hemácias, que obstruem a microvasculatura pulmonar, causando isquemia, dor e dano tecidual.

O tratamento da STA é uma emergência e inclui suporte respiratório, analgesia, hidratação, antibióticos de amplo espectro e, em casos graves, transfusão sanguínea. A transfusão pode ser simples ou de troca (exsanguinotransfusão). A transfusão simples é indicada para aumentar a capacidade de transporte de oxigênio e diluir as hemácias falcizadas, mas deve ser feita com cautela para não elevar demais o hematócrito, o que aumentaria a viscosidade sanguínea e poderia piorar a vasoclusão. Por isso, o alvo é manter a hemoglobina em torno de 10 g/dL, conforme descrito na alternativa A. A exsanguinotransfusão, por sua vez, é reservada para casos mais graves, com o objetivo de reduzir a porcentagem de HbS para menos de 30%.

A hemoglobina fetal (HbF) tem um papel protetor na doença falciforme, pois inibe a polimerização da HbS. Níveis elevados de HbF estão associados a menor gravidade da doença, com menos crises vasoclusivas e menor incidência de complicações como a STA. Por isso, a hidroxiureia, que aumenta a produção de HbF, é um dos principais agentes modificadores da doença. A alternativa B inverte esse conceito ao afirmar que níveis mais baixos de HbF são protetores.

A desferoxamina é um quelante de ferro utilizado no tratamento da sobrecarga de ferro, geralmente em pacientes com anemias crônicas que recebem múltiplas transfusões. Não há evidência de que a desferoxamina tenha qualquer papel na profilaxia ou tratamento da STA. A profilaxia da STA envolve medidas como hidratação adequada, vacinação, uso de hidroxiureia e, em alguns casos, transfusões crônicas.

A distinção entre STA e tromboembolismo pulmonar (TEP) é um desafio clínico, pois ambas podem se apresentar com dor torácica, dispneia e hipoxemia. No entanto, a anticoagulação plena não é recomendada para todos os pacientes com suspeita de STA, pois o risco de sangramento pode superar o benefício, especialmente em pacientes com doença falciforme que já têm risco aumentado de complicações hemorrágicas. A decisão de anticoagular deve ser individualizada, baseada na probabilidade clínica de TEP e em exames complementares, como angiotomografia computadorizada.

A pegadinha desta questão está em inverter conceitos-chave: a banca troca o papel da HbF (elevada é protetora, não baixa), atribui à desferoxamina uma função que ela não tem e sugere uma conduta agressiva (anticoagulação plena) que não é indicada para todos os casos. A alternativa A, por sua vez, descreve corretamente o objetivo da transfusão simples, que é um pilar do tratamento da STA.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transfusão simples na STA visa aumentar a hemoglobina para cerca de 10 g/dL (ou hematócrito para 30%), o que melhora a oxigenação tecidual e dilui as hemácias falcizadas, reduzindo a falcização e a vasoclusão. Esse alvo é escolhido para evitar o aumento excessivo da viscosidade sanguínea, que poderia piorar a microcirculação. A alternativa está correta ao descrever esse objetivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte o papel da hemoglobina fetal (HbF). Níveis elevados de HbF são protetores contra complicações da doença falciforme, pois inibem a polimerização da HbS. Indivíduos com HbF baixa têm maior risco de complicações, não menor. A hidroxiureia, que aumenta a HbF, é usada justamente para reduzir crises e complicações.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A desferoxamina é um quelante de ferro, usado no tratamento da sobrecarga de ferro (hemocromatose secundária a transfusões). Não há evidência de eficácia na profilaxia da STA. A profilaxia da STA envolve hidratação, vacinação, hidroxiureia e, em casos selecionados, transfusões crônicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora a distinção entre STA e TEP seja difícil, a anticoagulação plena não é recomendada para todos os pacientes com suspeita de STA. A decisão deve ser individualizada, considerando a probabilidade clínica de TEP e o risco de sangramento. A anticoagulação empírica em todos os casos poderia causar danos, especialmente em pacientes com doença falciforme.

Gabarito: letra A

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