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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093980
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Durante consulta de rotina, o pediatra não consegue palpar o testículo direito na bolsa escrotal de um menino de 1 ano e 6 meses, e ainda observa hipotrofia da bolsa testicular correspondente. Considerando o diagnóstico de criptorquidia, assinale a alternativa correta em relação às informações que devem ser dadas à família.
  1. AInfertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.
  2. BO tratamento cirúrgico da criptorquidia deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade.
  3. CO testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular.
  4. DO tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade.
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GabaritoA — Infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Criptorquidia: diagnóstico, complicações e orientação à família

Gabarito: letra A. A criptorquidia — falha na migração de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal — associa-se a complicações como infertilidade e risco aumentado de malignidade, e esse risco varia conforme a localização testicular (testículos intra-abdominais têm pior prognóstico). As demais alternativas erram ao afirmar que a cirurgia deveria ter sido feita antes dos 6 meses, que o testículo deve ser removido ao diagnóstico, ou que a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses.

A criptorquidia é uma condição relativamente comum na prática pediátrica. Durante o desenvolvimento fetal, os testículos migram da cavidade abdominal para a bolsa escrotal, passando pelo canal inguinal. No recém-nascido a termo, eles já se encontram na bolsa escrotal. Quando essa migração não ocorre adequadamente, o testículo pode ficar retido em qualquer ponto do trajeto — desde o abdome até o anel inguinal externo. O diagnóstico é clínico: à palpação, não se consegue trazer o testículo para a bolsa escrotal, e a bolsa do lado acometido costuma ser hipodesenvolvida, como descrito no caso do menino de 1 ano e 6 meses.

É fundamental distinguir a criptorquidia dos testículos retráteis, condição benigna e comum em lactentes e pré-escolares, causada pelo reflexo cremastérico exacerbado. No testículo retrátil, a bolsa escrotal é bem desenvolvida, o testículo pode ser palpado em sua posição normal e, quando se retrai, pode ser facilmente trazido de volta à bolsa sem tensão. Já na criptorquidia, a bolsa é hipodesenvolvida e o testículo não pode ser reposicionado. Essa distinção é crucial porque os testículos retráteis geralmente adquirem posição permanente na bolsa nos primeiros anos de vida, sem necessidade de tratamento, enquanto a criptorquidia pode exigir intervenção.

Quanto ao tratamento, a conduta atual preconiza a orquidopexia — cirurgia de liberação e fixação do testículo na bolsa escrotal — em torno dos 6 meses de idade. Isso porque, após essa idade, podem ocorrer alterações histológicas progressivas: fibrose intersticial, redução do desenvolvimento tubular e diminuição do volume testicular, com prejuízo da espermatogênese. Os testículos intra-abdominais são os mais afetados, apresentando atrofia tubular grave aos 2 anos. A cirurgia precoce, entre 3 e 6 meses, também é recomendada para testículos intra-abdominais, pois permite maior chance de cirurgia em um só tempo, sem ligadura dos vasos espermáticos.

As complicações de longo prazo são o cerne da orientação à família. A infertilidade é uma preocupação real: a lesão tubular se correlaciona diretamente com parâmetros de fertilidade e inversamente com a idade da orquidopexia — ou seja, quanto mais precoce a cirurgia, melhor o prognóstico reprodutivo. Além disso, o risco de transformação maligna é 5 a 10 vezes maior nos testículos criptorquídicos do que nos eutópicos, e esse risco é ainda maior quando o testículo permanece intra-abdominal, com tumores mais agressivos (seminomas). A orquidopexia precoce, em torno dos 6 meses, pode reduzir a possibilidade de tumor, além de facilitar o diagnóstico precoce de neoplasias pela palpação do testículo fixado na bolsa.

A alternativa correta sintetiza exatamente esses pontos: infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis e variam conforme a localização testicular. As demais alternativas distorcem a conduta e o prognóstico. A banca explora a confusão entre o momento ideal da cirurgia (6 meses) e a falsa ideia de que deveria ter sido feita antes dos 6 meses, entre a orquidopexia (fixação) e a orquiectomia (remoção), e entre a resolução espontânea precoce (até 3 meses) e a falsa resolução tardia (após 18 meses).

1Diagnóstico
Testículo não palpável na bolsa
Bolsa hipodesenvolvida
2Distinção
Criptorquidia (não reposiciona)
Testículo retrátil (reposiciona, benigno)
3Tratamento
Orquidopexia ~6 meses
Intra-abdominal: 3–6 meses
4Complicações
Infertilidade (lesão tubular progressiva)
Risco de malignidade (5–10x)
Varia com a localização
Criptorquidia
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Criptorquidia: Diagnóstico (Testículo não palpável na bolsa, Bolsa hipodesenvolvida); Distinção (Criptorquidia (não reposiciona), Testículo retrátil (reposiciona, benigno)); Tratamento (Orquidopexia ~6 meses, Intra-abdominal: 3–6 meses); Complicações (Infertilidade (lesão tubular progressiva), Risco de malignidade (5–10x), Varia com a localização)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e que variam conforme a localização testicular. A infertilidade decorre da lesão tubular progressiva, que se intensifica com a idade e é mais grave nos testículos intra-abdominais. O risco de malignidade é 5 a 10 vezes maior que nos testículos eutópicos, e os testículos intra-abdominais não operados têm risco ainda maior de tumores mais agressivos, como seminomas. A localização testicular é, portanto, um fator prognóstico importante, tanto para fertilidade quanto para risco oncológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o tratamento cirúrgico deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade. Isso está errado: a recomendação atual é justamente realizar a orquidopexia em torno dos 6 meses de idade, não antes. A cirurgia precoce, entre 3 e 6 meses, é indicada para testículos intra-abdominais, mas a conduta padrão para a maioria dos casos é a cirurgia aos 6 meses. Antes disso, há a possibilidade de descida espontânea do testículo, que pode ocorrer até os 3 meses de idade. Portanto, a alternativa inverte o momento correto da intervenção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular. Isso está errado: o tratamento de escolha é a orquidopexia, ou seja, a fixação do testículo na bolsa escrotal, e não a sua remoção (orquiectomia). A orquiectomia é reservada para casos específicos, como testículo atrófico ou com suspeita de malignidade, mas não é a conduta inicial. A orquidopexia precoce, além de preservar o testículo, pode reduzir o risco de malignização e facilitar o diagnóstico precoce de tumores pela palpação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade. Isso está errado por dois motivos. Primeiro, a descida espontânea do testículo pode ocorrer até os 3 meses de idade, não após os 18 meses. Segundo, após os 6 meses, o testículo criptorquídico começa a sofrer alterações histológicas progressivas, com prejuízo da espermatogênese e aumento do risco de malignidade. Portanto, o tratamento conservador não é indicado após os 18 meses; a conduta é cirúrgica, com orquidopexia em torno dos 6 meses.

Gabarito: letra A

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