Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093983
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Uma criança do sexo feminino, 4 anos, é levada ao pronto atendimento com história de febre há 48 horas, de até 38,8 ºC. Nas últimas 12 horas, os pais referem alteração do comportamento, incluindo episódios de confusão mental, irritabilidade e sonolência progressiva. Durante a avaliação na sala de emergência, a paciente apresentou pico febril e crise convulsiva focal, com necessidade de midazolam e fenitoína intravenosos para controle de crise. Após estabilização, foram solicitados exames complementares. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta as hipóteses diagnósticas mais prováveis.
  1. AMeningoencefalite e convulsão febril complexa.
  2. BMeningite bacteriana e convulsão febril complexa.
  3. CMeningoencefalite e crise convulsiva sintomática aguda.
  4. DMeningite bacteriana e crise convulsiva sintomática aguda.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Meningoencefalite e crise convulsiva sintomática aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise convulsiva em criança com febre: meningoencefalite e crise sintomática aguda

Gabarito: letra C. O quadro — febre, alteração do comportamento (confusão, irritabilidade, sonolência), crise convulsiva focal e necessidade de midazolam e fenitoína — aponta para uma meningoencefalite como causa da crise, e não para uma convulsão febril complexa, pois a crise é sintomática aguda (decorrente de processo inflamatório/infeccioso do SNC), e não uma resposta benigna à febre isolada. A distinção central está na natureza da crise: na convulsão febril, a febre é o único gatilho e não há doença aguda do SNC; na crise sintomática aguda, há uma lesão cerebral subjacente (aqui, a meningoencefalite).

A convulsão febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças, e é definida como uma crise que ocorre em criança entre 6 meses e 5 anos, durante doença febril não resultante de doença aguda do sistema nervoso, sem déficits neurológicos prévios e sem crises afebris anteriores. A crise febril simples é generalizada, breve (< 15 minutos) e não recorre em 24 horas; a crise febril complexa é focal ou generalizada, prolongada (> 15 minutos), recorre em 24 horas ou associa-se a anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd). Em ambos os casos, o ponto-chave é que não há infecção do SNC — a febre é causada, em geral, por infecção de vias aéreas superiores, e o cérebro da criança é estruturalmente normal.

A crise sintomática aguda (também chamada crise provocada aguda) é aquela que ocorre como consequência direta de uma agressão cerebral aguda — aqui, a meningoencefalite, que é a inflamação simultânea das meninges e do parênquima encefálico, tipicamente de causa infecciosa (viral, bacteriana ou fúngica). O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia e, crucialmente, alteração do nível de consciência e do comportamento — exatamente o que a criança do enunciado apresenta (confusão mental, irritabilidade, sonolência progressiva). A crise convulsiva focal, nesse contexto, é uma manifestação da irritação cortical causada pela inflamação, e não uma convulsão febril.

A distinção prática é decisiva: na convulsão febril, a criança tem uma crise isolada durante um pico febril, mas recupera-se completamente entre os episódios e não apresenta sinais de disfunção neurológica persistente. Na meningoencefalite, a criança permanece doente e com alteração do sensório mesmo fora dos picos febris — como a paciente do caso, que já vinha com confusão e sonolência progressiva antes da crise. Além disso, a crise focal (e não generalizada) e a necessidade de dois anticonvulsivantes intravenosos (midazolam e fenitoína) reforçam a gravidade e a organicidade do quadro, afastando o diagnóstico de convulsão febril simples e até mesmo de convulsão febril complexa isolada.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que lê "febre + convulsão" e automaticamente pensa em "convulsão febril" erra, pois ignora que a convulsão febril é um diagnóstico de exclusão — só pode ser feito quando se afasta doença aguda do SNC. A presença de alteração do comportamento e do nível de consciência antes da crise, somada à crise focal, é o sinal de alerta que impõe a investigação de meningoencefalite e classifica a crise como sintomática aguda. Guarde o critério: crise febril = febre + crise em cérebro normal; crise sintomática aguda = febre + crise em cérebro doente (inflamado, isquêmico, tóxico, etc.).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar "convulsão febril complexa". A convulsão febril, por definição, ocorre em criança sem doença aguda do SNC — o que não é o caso, pois há forte suspeita de meningoencefalite (alteração do comportamento e do sensório antes da crise, crise focal). Além disso, a crise focal e a necessidade de dois anticonvulsivantes intravenosos são atípicas para convulsão febril, mesmo a complexa. O erro está em classificar a crise como febril quando há evidência clínica de infecção/inflamação do SNC.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar "convulsão febril complexa" (mesmo erro da alternativa A). Embora "meningite bacteriana" seja uma hipótese plausível, o termo "meningoencefalite" é mais abrangente e adequado, pois o quadro de alteração do comportamento e do nível de consciência sugere comprometimento do parênquima encefálico, não apenas das meninges. O erro central, porém, é classificar a crise como febril complexa, quando ela é sintomática aguda — ou seja, provocada pela doença do SNC, e não pela febre isolada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque combina as duas hipóteses mais prováveis: meningoencefalite (inflamação de meninges e encéfalo, explicando febre + alteração do comportamento + sonolência + crise focal) e crise convulsiva sintomática aguda (crise provocada por agressão cerebral aguda, aqui a infecção do SNC). A crise não é febril porque há doença aguda do SNC — o que exclui o diagnóstico de convulsão febril. A necessidade de midazolam e fenitoína intravenosos reforça a gravidade e a natureza sintomática da crise.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao restringir a hipótese a "meningite bacteriana". O quadro clínico — especialmente a alteração do comportamento e do nível de consciência — sugere comprometimento do parênquima encefálico, o que caracteriza meningoencefalite, e não apenas meningite. Além disso, a etiologia pode ser viral (como herpesvírus), e não necessariamente bacteriana. O termo "crise convulsiva sintomática aguda" está correto, mas a primeira parte da alternativa é incompleta/incorreta ao excluir a encefalite.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca "crise sintomática aguda" por "convulsão febril complexa" para confundir. O candidato que associa febre + convulsão a convulsão febril erra, pois esquece que a convulsão febril é diagnóstico de exclusão — só pode ser feito quando não há doença aguda do SNC. A alteração do comportamento e do sensório antes da crise, somada à crise focal, é o sinal de alerta que impõe o diagnóstico de meningoencefalite e classifica a crise como sintomática aguda. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver "febre + convulsão", pergunte-se: há sinais de doença do SNC? Se sim (alteração do comportamento, nível de consciência, déficit focal, rigidez de nuca), a crise é sintomática aguda e a causa provável é meningoencefalite. Se não (criança saudável entre crises, recuperação completa), aí sim pense em convulsão febril. Essa pergunta resolve a questão em segundos.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu093983