Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093985
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Uma criança de 8 anos, previamente saudável, é avaliada por quadro de febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal e icterícia. Há 2 dias, os pais notaram urina escura e fezes claras. A criança frequenta escola pública, e, recentemente, colegas de classe apresentaram sintomas semelhantes. No exame, observam-se hepatomegalia dolorosa e icterícia. AST e ALT estão significativamente elevadas; bilirrubina total: 6,5 mg/dL (direta: 4,2 mg/dL). Aguarda resultado de sorologias.De acordo com os dados apresentados, a conduta imediata adequada consiste em
Ainiciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxona, devido à possibilidade de colangite aguda.
Brealizar lavagem gástrica e uso de carvão ativado devido à suspeita de intoxicação exógena.
Cinstituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação.
Diniciar tratamento com antivirais, como ribavirina, enquanto aguarda sorologia.
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GabaritoC — instituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação.
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Hepatite viral aguda na infância: conduta imediata
Gabarito: letra C. O quadro clínico — febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal, icterícia, urina escura, fezes claras, hepatomegalia dolorosa, AST/ALT elevadas e bilirrubina predominantemente direta — é altamente sugestivo de hepatite viral aguda, especialmente hepatite A, considerando o contexto epidemiológico (escola pública, colegas com sintomas semelhantes). A conduta imediata é suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação, enquanto se aguarda a confirmação sorológica. Não há indicação de antibióticos, antivirais ou lavagem gástrica neste cenário.
A hepatite viral aguda é uma inflamação do fígado causada por vírus hepatotrópicos (A, B, C, D, E). Na infância, o vírus da hepatite A (VHA) é o agente mais comum, transmitido por via fecal-oral, frequentemente em surtos escolares e domiciliares. A infecção é geralmente autolimitada, e o tratamento é essencialmente de suporte: repouso relativo, hidratação adequada, dieta leve e acompanhamento clínico e laboratorial até a resolução do quadro. Não existe antiviral específico para hepatite A aguda, e o uso de antibióticos só se justifica se houver evidência de infecção bacteriana, o que não é o caso.
O diagnóstico é clínico-laboratorial. A elevação acentuada de transaminases (AST e ALT) indica lesão hepatocelular. A hiperbilirrubinemia com predomínio da fração direta (conjugada) sugere disfunção hepatocelular ou colestase, compatível com hepatite viral. A presença de urina escura (bilirrubinúria) e fezes claras (acolia fecal) ocorre pela diminuição da excreção de bilirrubina para o intestino, reforçando o diagnóstico. A confirmação é feita por sorologias (anti-HAV IgM, HBsAg, anti-HBc IgM, anti-HCV), que devem ser solicitadas, mas a conduta imediata não depende do resultado.
A colangite aguda (alternativa A) é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente associada a obstrução (litíase, neoplasia), manifestando-se com a tríade de Charcot (febre alta, icterícia e dor abdominal no hipocôndrio direito). No caso descrito, a dor é difusa, a febre é baixa e não há sinais de obstrução biliar aguda, tornando a hipótese pouco provável. A intoxicação exógena (alternativa B) poderia causar hepatite tóxica, mas o quadro epidemiológico (surto escolar) e a ausência de história de exposição a toxinas tornam essa hipótese menos provável; além disso, lavagem gástrica e carvão ativado são medidas para intoxicações agudas recentes, não para hepatite viral. A ribavirina (alternativa D) é um antiviral usado no tratamento de hepatite C crônica (em combinação com outros agentes), não na hepatite A aguda, e seu uso não é indicado empiricamente.
A principal pegadinha desta questão é a tentação de tratar a icterícia com antibióticos (colangite) ou antivirais, quando a apresentação clínica e epidemiológica aponta claramente para uma hepatite viral aguda autolimitada, cuja conduta é suporte. O aluno deve reconhecer o padrão clínico e lembrar que, na maioria dos casos de hepatite viral aguda na infância, não há tratamento específico — apenas medidas de suporte e observação.
1Suspeita clínica (febre, icterícia, AST/ALT ↑)
2Solicitar sorologias (anti-HAV IgM etc.)
3[+] Suporte: hidratação, dieta leve, repouso
4Observação até resolução
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente associada a obstrução (litíase, neoplasia), manifestando-se com a tríade de Charcot (febre alta, icterícia e dor abdominal no hipocôndrio direito). No caso, a febre é baixa, a dor é difusa e não há sinais de obstrução biliar aguda. O uso empírico de ceftriaxona não é indicado sem evidência de infecção bacteriana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A lavagem gástrica e o carvão ativado são medidas para intoxicações exógenas agudas recentes, não para hepatite viral. O quadro clínico e epidemiológico (surto escolar) aponta para hepatite viral, não para intoxicação. Além disso, não há história de exposição a toxinas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hepatite viral aguda é autolimitada na maioria dos casos, especialmente na infância. A conduta imediata é suporte clínico: hidratação, alimentação leve, repouso e observação, enquanto se aguarda a confirmação sorológica. Não há tratamento específico para hepatite A aguda.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ribavirina é um antiviral usado no tratamento de hepatite C crônica (em combinação com outros agentes), não na hepatite A aguda. Seu uso não é indicado empiricamente, e não há evidência de benefício na hepatite viral aguda.