Sibilância recorrente em lactente: abordagem pelo GINA 2025
Gabarito: letra B. O lactente de 12 meses apresenta sibilância recorrente (4 episódios desde os 8 meses), um deles com hospitalização, sintomas leves entre crises e sinais de atopia (eczema em fossas cubitais e poplíteas) — o que configura provável asma e indica tratamento de manutenção com corticoide inalatório diário, associado a broncodilatador de curta duração sob demanda para alívio dos sintomas, conforme a estratégia do GINA 2025 para menores de 5 anos.
A sibilância recorrente em lactentes é um desafio diagnóstico e terapêutico. O primeiro passo é diferenciar o lactente sibilante transitório (associado a infecções virais, sem história de atopia, com melhora espontânea) daquele com provável asma, que tende a persistir e responder ao tratamento de manutenção. No caso apresentado, a presença de dermatite atópica (lesões eczematosas em fossas cubitais e poplíteas — locais clássicos de atopia), a recorrência dos episódios e a necessidade de hospitalização em um deles são fortes indicadores de asma, não de sibilância viral transitória isolada.
O GINA (Global Initiative for Asthma) estabelece, para crianças menores de 5 anos, uma abordagem em degraus. Para aquelas com sintomas persistentes entre as crises ou com exacerbações frequentes e/ou graves, está indicado o tratamento de controle regular com corticoide inalatório em dose baixa, associado ao broncodilatador de curta duração (salbutamol) sob demanda para alívio sintomático. Essa é a conduta que melhor se aplica ao caso: o lactente tem sintomas leves entre as crises (não está assintomático), o que reforça a necessidade de terapia anti-inflamatória de manutenção, e não apenas de tratamento sintomático nas crises.
A alternativa A (apenas salbutamol sob demanda) seria adequada para o lactente com sibilância viral episódica leve, sem sintomas entre crises e sem fatores de risco para asma — não é o caso. A alternativa C (suporte exclusivo) é a conduta para bronquiolite viral aguda em lactente saudável, sem recorrência. A alternativa D (corticoide oral por 3 a 5 dias nas crises) é uma estratégia para exacerbações agudas moderadas a graves, não para o controle de manutenção — e o uso de corticoide oral de forma recorrente deve ser evitado.
A pegadinha central desta questão é distinguir o tratamento da crise aguda do tratamento de manutenção. O lactente com provável asma precisa de controle contínuo da inflamação brônquica, e não apenas de alívio sintomático. O GINA 2025 reforça que, em menores de 5 anos com sintomas persistentes ou exacerbações frequentes, o corticoide inalatório diário é a base do tratamento, com salbutamol sob demanda para as crises. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Manter apenas salbutamol inalatório sob demanda durante as crises é insuficiente. O lactente tem sintomas leves entre as crises e sinais de atopia, indicando provável asma com inflamação brônquica persistente. O salbutamol é um broncodilatador de alívio rápido, mas não trata a inflamação subjacente. A conduta correta exige tratamento de manutenção com corticoide inalatório, conforme o GINA 2025 para menores de 5 anos com sintomas persistentes ou exacerbações frequentes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O corticoide inalatório diário é o tratamento de manutenção indicado para lactentes com provável asma, como sugere o caso (sibilância recorrente, sintomas entre crises, eczema atópico). O salbutamol sob demanda permanece como medicação de alívio para as crises agudas. Essa combinação — controle da inflamação + alívio sintomático — é a conduta preconizada pelo GINA 2025 para menores de 5 anos com sintomas persistentes ou exacerbações frequentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Tratamento de suporte exclusivo nas crises é a conduta para bronquiolite viral aguda em lactente saudável, sem recorrência e sem fatores de risco para asma. No caso, há recorrência (4 episódios), hospitalização prévia e sinais de atopia, o que afasta o diagnóstico de bronquiolite isolada e indica a necessidade de tratamento de manutenção com corticoide inalatório.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Associar corticoide oral a salbutamol por 3 a 5 dias nas crises é uma estratégia para exacerbações agudas moderadas a graves, não para o controle de manutenção. O uso recorrente de corticoide oral deve ser evitado em lactentes, pois apresenta riscos sistêmicos. A conduta correta para o controle de longo prazo é o corticoide inalatório diário, não o corticoide oral em ciclos.
Gabarito: letra B