Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093991
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Pré-escolar de 3 anos, do sexo feminino, apresenta atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor, com início da marcha apenas aos 2 anos e fala restrita a poucas palavras. Demonstra comportamento apático, com pouco interesse pelo meio externo, déficit de atenção e lentificação das respostas cognitivas. Os cuidadores referem constipação crônica, com evacuações a cada cinco dias. Ao exame físico, apresenta estatura abaixo do percentil 3, xerose cutânea, face arredondada, macroglossia, abdome globoso e bradicardia, sem alterações neurológicas focais ou sinais infecciosos.Considerando o diagnóstico mais provável, qual das alterações a seguir é esperada nesse contexto clínico?
APresença de bócio como sinal de hipertrofia compensatória da glândula tireoide.
BRegressão de habilidades cognitivas e motoras previamente adquiridas.
CEstereotipias motoras repetitivas com prejuízo na interação social.
DFontanela anterior ampla como marcador de retardo no fechamento ósseo.
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GabaritoD — Fontanela anterior ampla como marcador de retardo no fechamento ósseo.
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Hipotireoidismo congênito: quadro clínico e achados esperados
Gabarito: letra D. O quadro descrito — atraso global do neurodesenvolvimento, constipação crônica, estatura baixa, xerose cutânea, face arredondada, macroglossia, abdome globoso e bradicardia — é clássico de hipotireoidismo congênito, e a alternativa correta aponta a fontanela anterior ampla como marcador de retardo no fechamento ósseo, achado esperado nessa condição. As demais alternativas descrevem características de outros diagnósticos ou situações não compatíveis com o hipotireoidismo congênito.
O hipotireoidismo congênito é a causa mais comum de deficiência intelectual prevenível, resultando da deficiência de hormônios tireoidianos desde o nascimento. O diagnóstico precoce, por meio da triagem neonatal (teste do pezinho), é essencial para evitar as sequelas neurológicas irreversíveis. No caso apresentado, a criança já manifesta os sinais clássicos da doença não tratada: atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (marcha aos 2 anos, fala restrita), apatia, déficit de atenção, constipação, baixa estatura, xerose, fácies mixedematosa (face arredondada, macroglossia), abdome globoso (frequentemente por hérnia umbilical) e bradicardia.
A fisiopatologia explica cada achado. A deficiência de hormônios tireoidianos (T3 e T4) reduz o metabolismo basal, causando bradicardia, constipação e lentificação cognitiva. A deficiência hormonal também compromete a maturação óssea: a ossificação endocondral fica retardada, o que se manifesta como atraso no fechamento das fontanelas (a fontanela anterior normalmente fecha entre 9 e 18 meses) e na erupção dentária. A macroglossia e a face arredondada decorrem do acúmulo de mucopolissacarídeos (mixedema) nos tecidos. A xerose cutânea reflete a diminuição da atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas.
É importante distinguir o hipotireoidismo congênito de outras causas de atraso do desenvolvimento. No transtorno do espectro autista (alternativa C), há prejuízo na interação social e estereotipias, mas não os sinais físicos característicos (macroglossia, bradicardia, constipação). A regressão de habilidades (alternativa B) é típica de doenças neurodegenerativas ou da síndrome de Rett, não do hipotireoidismo, em que há atraso sem regressão. O bócio (alternativa A) pode estar presente em algumas formas de hipotireoidismo (deficiência de iodo, tireoidite de Hashimoto), mas não é um achado esperado no hipotireoidismo congênito por disgenesia tireoidiana, a causa mais comum, em que a glândula é ausente ou ectópica.
A alternativa D é a única que descreve um achado diretamente ligado à fisiopatologia do hipotireoidismo congênito: o retardo da maturação óssea, evidenciado pela fontanela anterior ampla. Esse é um sinal precoce e importante, que reforça o diagnóstico e pode ser identificado ao exame físico.
Característica
Hipotireoidismo Congênito (caso)
Transtorno do Espectro Autista (alt. C)
Doença Neurodegenerativa (alt. B)
Desenvolvimento
Atraso global (marcha aos 2 anos, fala restrita)
Atraso com prejuízo qualitativo da interação social
Apatia, déficit de atenção, lentificação cognitiva
Estereotipias motoras repetitivas
Perda progressiva de funções
Maturação óssea
Retardada (fontanela anterior ampla)
Normal
Normal
Hipotireoidismo congênito: Sinais clássicos (Atraso do DNPM, Constipação crônica, Macroglossia, Bradicardia, Xerose cutânea); Maturação óssea retardada (Fontanela anterior ampla, Erupção dentária tardia); Distinções importantes (Atraso ≠ regressão (não perde habilidades), Bócio: só em deficiência de iodo/Hashimoto, Sem estereotipias (não é TEA))
Alternativa A — ❌ Incorreta
O bócio (aumento da glândula tireoide) é um achado de hipotireoidismo por deficiência de iodo ou por tireoidite de Hashimoto, em que há estímulo tireotrófico (TSH) elevado tentando compensar a produção hormonal insuficiente. No entanto, a causa mais comum de hipotireoidismo congênito é a disgenesia tireoidiana (agenesia, hipoplasia ou glândula ectópica), na qual não há tecido tireoidiano suficiente para formar bócio. Portanto, a presença de bócio não é esperada no contexto mais provável descrito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A regressão de habilidades previamente adquiridas é característica de doenças neurodegenerativas (como a síndrome de Rett, doenças de depósito, leucodistrofias) ou de encefalopatias epilépticas. No hipotireoidismo congênito, o que ocorre é um atraso no desenvolvimento (a criança demora a adquirir marcos), mas não há perda de habilidades já conquistadas. A descrição do caso fala em "atraso global" e "início da marcha apenas aos 2 anos", o que indica atraso, não regressão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As estereotipias motoras repetitivas com prejuízo na interação social são características do transtorno do espectro autista (TEA). Embora o hipotireoidismo congênito possa cursar com apatia e déficit de atenção, não há o padrão de estereotipias e prejuízo qualitativo da interação social típico do TEA. Além disso, os sinais físicos (macroglossia, bradicardia, constipação, xerose) não são encontrados no autismo, o que afasta esse diagnóstico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fontanela anterior ampla é um marcador de retardo no fechamento ósseo, diretamente relacionado à maturação óssea retardada causada pela deficiência de hormônios tireoidianos. No hipotireoidismo congênito, a ossificação endocondral está comprometida, levando ao atraso no fechamento das fontanelas (a fontanela anterior normalmente fecha entre 9 e 18 meses) e à erupção dentária tardia. Esse achado, somado aos demais sinais clínicos, reforça o diagnóstico e é um dos critérios que o examinador espera que o candidato reconheça.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre atraso do desenvolvimento (hipotireoidismo) e regressão de habilidades (doenças neurodegenerativas). No hipotireoidismo, a criança não perde habilidades já adquiridas — ela apenas demora a adquiri-las. Fique atento a essa distinção: atraso ≠ regressão.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os achados do hipotireoidismo congênito, lembre-se do mnemônico "HIPO": Hipotonia, Icterícia prolongada, Pele seca (xerose), Obesidade/baixa estatura. E associe a fontanela ampla ao retardo da maturação óssea — um sinal precoce e muito cobrado em provas de pediatria.