Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093994
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Adolescente do sexo masculino, de 13 anos, apresenta dor em joelho esquerdo há algumas semanas, com piora após atividades esportivas, especialmente durante a aterrissagem em saltos. Ao exame físico, refere dor à flexo-extensão do joelho, com aumento de volume na tuberosidade anterior da tíbia, sem sinais inflamatórios sistêmicos ou derrame articular.Com base no quadro clínico e no exame físico, qual é o exame de imagem mais indicado para confirmar a principal hipótese diagnóstica?
ARessonância magnética para avaliação de estruturas ligamentares e cartilaginosas do joelho.
BRadiografia simples para identificação de alterações na tuberosidade anterior da tíbia.
CTomografia computadorizada para análise detalhada de estruturas ósseas e articulares.
DProvas inflamatórias e FAN para investigação de causas reumatológicas.
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GabaritoB — Radiografia simples para identificação de alterações na tuberosidade anterior da tíbia.
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Doença de Osgood-Schlatter: diagnóstico por imagem
Gabarito: letra B. O quadro clínico — adolescente de 13 anos, dor no joelho que piora com atividade esportiva (aterrissagem de saltos) e aumento de volume na tuberosidade anterior da tíbia, sem sinais inflamatórios sistêmicos — é clássico da doença de Osgood-Schlatter, uma osteocondrose da apófise tibial. O exame de imagem mais indicado para confirmar a hipótese é a radiografia simples, que identifica alterações na tuberosidade anterior da tíbia (irregularidade, fragmentação ou avulsão da apófise).
A doença de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose (distúrbio do centro de ossificação) que acomete a tuberosidade anterior da tíbia, onde se insere o tendão patelar. É uma das causas mais comuns de dor no joelho em pré-adolescentes e adolescentes, especialmente meninos, durante o estirão de crescimento, e está diretamente relacionada à tração repetitiva do mecanismo extensor do joelho (quadríceps → tendão patelar → tuberosidade tibial) em atividades que envolvem saltos, corridas e agachamentos.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico: dor localizada na tuberosidade anterior da tíbia, que piora com a palpação e com a extensão resistida do joelho, e aumento de volume local, sem derrame articular ou sinais inflamatórios sistêmicos. A radiografia simples é o exame complementar de primeira linha, pois permite visualizar as alterações características na tuberosidade: elevação, irregularidade, fragmentação ou até mesmo avulsão do núcleo de ossificação. Em casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações, a ultrassonografia ou a ressonância magnética podem ser úteis, mas não são o exame inicial de escolha.
É importante distinguir a doença de Osgood-Schlatter de outras causas de dor no joelho em adolescentes, como a síndrome patelofemoral, as lesões meniscais e ligamentares, a osteocondrite dissecante e as causas infecciosas ou inflamatórias. A localização precisa do sintoma na tuberosidade tibial e a ausência de derrame articular ou sinais sistêmicos são os principais elementos que direcionam o diagnóstico. A radiografia simples, além de confirmar a suspeita, ajuda a excluir outras condições, como tumores ósseos ou fraturas.
A banca explora a confusão entre o exame de imagem mais adequado para cada tipo de lesão: enquanto a ressonância magnética é o padrão-ouro para avaliar partes moles (ligamentos, meniscos, cartilagem), a radiografia simples é o exame inicial para avaliar alterações ósseas, como as da tuberosidade tibial na doença de Osgood-Schlatter. A tomografia computadorizada, por sua vez, é reservada para casos de maior complexidade, como fraturas articulares ou suspeita de traço de fratura que se estende à articulação.
Guarde a relação entre a estrutura acometida e o exame de imagem: osso → radiografia simples (primeira escolha), partes moles (ligamentos, meniscos, cartilagem) → ressonância magnética, detalhe ósseo fino e articulações complexas → tomografia computadorizada. É exatamente essa distinção que separa as alternativas desta questão.
Exame de imagem por estrutura: Osso (Radiografia simples (1ª escolha), Tomografia (detalhe fino)); Partes moles (ligamentos, meniscos, cartilagem) (Ressonância magnética); Suspeita reumatológica (Provas inflamatórias e FAN)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressonância magnética é o exame de escolha para avaliação de estruturas ligamentares e cartilaginosas, como lesões de menisco, ligamento cruzado anterior e cartilagem articular. No caso da doença de Osgood-Schlatter, a alteração principal é óssea (na tuberosidade anterior da tíbia), e a ressonância magnética não é o exame inicial indicado, sendo reservada para casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de outras lesões associadas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A radiografia simples é o exame de imagem mais indicado para confirmar a doença de Osgood-Schlatter, pois permite identificar as alterações características na tuberosidade anterior da tíbia, como irregularidade, elevação ou fragmentação do núcleo de ossificação. É um exame de baixo custo, amplamente disponível e suficiente para o diagnóstico na grande maioria dos casos, sendo a primeira escolha na investigação de dor no joelho em adolescentes com suspeita dessa condição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada é um exame que fornece detalhes ósseos e articulares, mas não é o exame de primeira linha para a doença de Osgood-Schlatter. Ela é reservada para situações específicas, como a avaliação de fraturas complexas ou a extensão de um traço de fratura até a articulação, quando a radiografia não é conclusiva. No caso descrito, a radiografia simples já é suficiente para confirmar a hipótese.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As provas inflamatórias (VHS, PCR) e o FAN são exames laboratoriais indicados para investigação de causas reumatológicas, como artrite idiopática juvenil ou lúpus eritematoso sistêmico. No entanto, o quadro clínico apresentado — dor localizada na tuberosidade tibial, sem sinais inflamatórios sistêmicos ou derrame articular — é típico da doença de Osgood-Schlatter, uma condição mecânica, e não há indicação de investigação reumatológica como exame inicial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao associar a dor no joelho do adolescente a causas reumatológicas (alternativa D) ou a lesões de partes moles (alternativa A). A chave é reconhecer que a localização precisa do sintoma na tuberosidade anterior da tíbia, somada à ausência de sinais inflamatórios sistêmicos, aponta diretamente para a doença de Osgood-Schlatter, cuja confirmação é feita pela radiografia simples. Fique atento: a ressonância magnética é para ligamentos e cartilagem, não para a apófise tibial.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com um adolescente com dor no joelho, lembre-se da tríade: localização na tuberosidade tibial + piora com atividade esportiva + ausência de derrame articular = doença de Osgood-Schlatter. O exame de imagem inicial é a radiografia simples. Se a dor for difusa, com derrame articular ou sinais inflamatórios, aí sim pense em causas reumatológicas ou lesões de partes moles.