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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093998
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Criança de 6 anos, em fase de manutenção da quimioterapia para leucemia linfoblástica aguda (diagnóstico há quatro meses), encontra-se clinicamente estável, sem febre ou sinais infecciosos. Pais desejam atualizar o calendário vacinal. O cartão mostra ausência da segunda dose da tríplice viral (SCR) e da vacina contra varicela.Qual é a orientação correta nessa situação?
  1. AAplicar ambas as vacinas imediatamente, considerando a estabilidade clínica.
  2. BContraindicar qualquer vacina até o término completo da quimioterapia.
  3. CContraindicar ambas as vacinas durante a quimioterapia e por três meses após o término.
  4. DAdministrar ambas as vacinas com vigilância, considerando o risco de formas graves.
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GabaritoC — Contraindicar ambas as vacinas durante a quimioterapia e por três meses após o término.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vacinação em crianças imunossuprimidas: SCR e varicela durante quimioterapia

Gabarito: letra C. Durante a quimioterapia para leucemia linfoblástica aguda, as vacinas de vírus vivos atenuados, como a tríplice viral (SCR) e a varicela, são contraindicadas, devendo ser adiadas até pelo menos três meses após o término do tratamento, conforme as recomendações de imunização para pacientes imunossuprimidos.

A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é uma neoplasia hematológica que compromete a produção de células sanguíneas na medula óssea, e a quimioterapia, embora essencial para o tratamento, suprime ainda mais o sistema imunológico. Nesse contexto, a distinção entre vacinas inativadas e vacinas de vírus vivos atenuados é crucial. As vacinas inativadas (como a da gripe, hepatite B, difteria/tétano) contêm microrganismos mortos ou fragmentos e são seguras, pois não causam a doença. Já as vacinas de vírus vivos atenuados (como SCR, varicela, febre amarela, rotavírus) contêm o vírus enfraquecido, que em um indivíduo imunocompetente se replica de forma limitada e induz imunidade sem causar doença. Porém, em um paciente profundamente imunossuprimido, esse vírus atenuado pode se replicar de forma descontrolada e causar a doença que a vacina deveria prevenir — uma complicação grave e potencialmente fatal.

A criança do caso está em fase de manutenção da quimioterapia, ou seja, ainda em tratamento ativo, mesmo que clinicamente estável e sem febre. A estabilidade clínica não é critério para liberar vacinas de vírus vivos: o que importa é o estado imunológico, que permanece comprometido durante todo o tratamento quimioterápico. As diretrizes de imunização para pacientes oncológicos recomendam que vacinas de vírus vivos sejam adiadas até que a imunidade se recupere, o que ocorre, em geral, três meses após o término da quimioterapia. Esse intervalo é necessário para que a medula óssea se recupere e o sistema imunológico volte a ter capacidade de responder com segurança à vacina.

A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a vacina contra varicela são ambas de vírus vivos atenuados. Portanto, estão contraindicadas durante a quimioterapia e por três meses após o seu término. A alternativa correta reflete exatamente essa recomendação. As demais alternativas erram ao sugerir aplicação imediata (ignorando a imunossupressão), contraindicação até o fim completo do tratamento (excessivamente restritiva, pois o período de três meses após o término é o padrão) ou aplicação com vigilância (que não é a conduta recomendada para vacinas de vírus vivos em imunossuprimidos graves).

A pegadinha central desta questão é a tentação de considerar a "estabilidade clínica" como autorização para vacinar. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que, como a criança está bem, sem febre, a vacina pode ser aplicada. No entanto, a regra para vacinas de vírus vivos em imunossuprimidos não depende do estado clínico momentâneo, mas sim do grau de imunossupressão, que permanece alto durante a quimioterapia. Guarde essa distinção: estabilidade clínica ≠ imunocompetência.

Vacinas em imunossuprimidos (LLA em quimioterapia)
  • 1Inativadas (mortas/fragmentos)
    • Seguras durante quimioterapia
    • Ex.: influenza, hepatite B, dT
  • 2Vírus vivos atenuados
    • Contraindicadas durante quimioterapia
    • Adiar até 3 meses após o término
    • Ex.: SCR, varicela, febre amarela, rotavírus
    • Risco: doença disseminada pelo vírus vacinal
  • 3Critério decisivo
    • Estado imunológico (não estabilidade clínica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Aplicar ambas as vacinas imediatamente é um erro grave. A criança está em quimioterapia ativa, portanto imunossuprimida. As vacinas SCR e varicela são de vírus vivos atenuados e podem causar doença disseminada em imunossuprimidos. A estabilidade clínica não é critério para liberar essas vacinas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Contraindicar qualquer vacina até o término completo da quimioterapia é excessivo. A contraindicação se aplica especificamente às vacinas de vírus vivos atenuados. Vacinas inativadas (como influenza, hepatite B, dT) podem e devem ser administradas durante a quimioterapia, pois são seguras e protegem contra doenças graves. A alternativa generaliza a contraindicação para todas as vacinas, o que é incorreto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. As vacinas SCR e varicela são de vírus vivos atenuados e estão contraindicadas durante a quimioterapia. O período de espera recomendado é de três meses após o término do tratamento, quando a imunidade se recupera. A alternativa espelha exatamente essa recomendação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Administrar ambas as vacinas com vigilância é uma conduta perigosa e não recomendada. Em pacientes com imunossupressão grave, como os em quimioterapia, o risco de doença disseminada pelo vírus vacinal é alto e não pode ser mitigado apenas com "vigilância". A contraindicação é absoluta durante o período de imunossupressão.

Gabarito: letra C

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