Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094004
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 3 anos de idade foi encontrado pelos familiares em uma piscina na casa dos avós, retirado da água inconsciente e levado ao pronto atendimento. Na chegada, relatado tempo de submersão de cerca de 3 minutos. Paciente encontra-se inconsciente, pálido, SatO₂ : 86% em máscara não reinalante, ausculta respiratória com murmúrio vesicular presente bilateralmente e estertores difusos. FR: 35 irpm, FC: 88 bpm, PA: 78 x 55 mmHg, TEC: 3 segundos.Qual a melhor conduta ventilatória inicial nesse caso?
AManter oxigênio em máscara não reinalante.
BProceder intubação orotraqueal para ventilação mecânica invasiva.
CIniciar ventilação não invasiva com pressão positiva contínua (CPAP).
DIniciar ventilação não invasiva em dois níveis de pressão (BiPAP).
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GabaritoB — Proceder intubação orotraqueal para ventilação mecânica invasiva.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra B. O paciente apresenta afogamento com submersão de 3 minutos, inconsciência, hipoxemia grave (SatO₂ 86% em máscara não reinalante) e instabilidade hemodinâmica (FC 88 bpm, PA 78x55 mmHg, TEC 3s) — o quadro exige intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva como conduta ventilatória inicial, pois há indicação de via aérea definitiva por rebaixamento do nível de consciência e falência da oxigenação com medidas não invasivas.
O afogamento é uma causa importante de morbimortalidade na infância, e a hipoxemia é o evento central da lesão. A água aspirada leva a broncoespasmo, inativação do surfactante e edema pulmonar, resultando em hipoxemia refratária. A conduta inicial no pronto-socorro segue a sequência do suporte avançado de vida: avaliar consciência, respiração e circulação; oferecer oxigênio em alto fluxo; e, se houver rebaixamento do nível de consciência (incapacidade de proteger a via aérea), hipoventilação ou hipoxemia persistente apesar da oxigenoterapia, a intubação orotraqueal está indicada.
Neste caso, o paciente está inconsciente (não protege a via aérea), com SatO₂ de 86% mesmo com máscara não reinalante (hipoxemia grave) e sinais de choque (FC 88 bpm, PA 78x55 mmHg, TEC 3s). A combinação de rebaixamento de consciência + hipoxemia refratária + instabilidade hemodinâmica torna a ventilação não invasiva (CPAP ou BiPAP) inadequada e arriscada — o paciente não tem condições de manter a via aérea pérvia e a pressão positiva não invasiva não corrige a hipoxemia grave de forma confiável. A intubação precoce é a conduta que garante via aérea definitiva, oxigenação adequada e proteção contra broncoaspiração.
A distinção crucial é entre oxigenoterapia simples (máscara não reinalante), ventilação não invasiva (CPAP/BiPAP) e ventilação mecânica invasiva (intubação). A máscara não reinalante é o primeiro passo, mas é insuficiente quando há hipoxemia grave refratária. A VNI exige paciente consciente, cooperativo e com via aérea protegida — condições ausentes aqui. A intubação é reservada para os casos de falência da oxigenação, rebaixamento de consciência ou instabilidade hemodinâmica, exatamente o cenário do enunciado.
A banca explora a confusão entre as modalidades de suporte ventilatório: o candidato pode achar que CPAP ou BiPAP seriam suficientes por serem "menos invasivos", mas esquece que a inconsciência contraindica a VNI. O critério decisivo é: paciente inconsciente + hipoxemia grave = via aérea definitiva (intubação). Guarde essa fronteira — é nela que as alternativas se dividem.
1Avaliar consciência
2O₂ alto fluxo
3Inconsciente ou SatO₂ < 90%
4Intubação (via aérea definitiva)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Manter oxigênio em máscara não reinalante é insuficiente. O paciente já está com SatO₂ 86% apesar da máscara não reinalante, o que caracteriza hipoxemia refratária à oxigenoterapia convencional. Além disso, está inconsciente, sem proteção de via aérea. A máscara não reinalante é o passo inicial, mas não resolve a hipoxemia grave nem protege a via aérea — a conduta correta é avançar para via aérea definitiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A intubação orotraqueal para ventilação mecânica invasiva é a conduta correta. O paciente tem indicação formal de via aérea definitiva: (1) rebaixamento do nível de consciência (inconsciente, incapaz de proteger a via aérea); (2) hipoxemia grave refratária à oxigenoterapia (SatO₂ 86% em máscara não reinalante); (3) instabilidade hemodinâmica (FC 88 bpm, PA 78x55 mmHg, TEC 3s). A intubação garante oxigenação adequada, protege contra broncoaspiração e permite ventilação controlada — essencial no afogamento com edema pulmonar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O CPAP (pressão positiva contínua) é uma modalidade de ventilação não invasiva que exige paciente consciente, cooperativo e com via aérea protegida. O paciente está inconsciente, o que contraindica a VNI — há risco de distensão gástrica, broncoaspiração e falência da técnica. Além disso, a hipoxemia grave (SatO₂ 86%) com instabilidade hemodinâmica sugere que a VNI não seria eficaz; a intubação é a conduta adequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O BiPAP (dois níveis de pressão) também é ventilação não invasiva e compartilha as mesmas contraindicações do CPAP: paciente inconsciente não pode ser manejado com VNI. A instabilidade hemodinâmica e a hipoxemia grave refratária indicam necessidade de via aérea definitiva e ventilação mecânica invasiva, não de pressão positiva não invasiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher uma opção "menos invasiva" (CPAP ou BiPAP) por parecer mais segura, mas inverte o raciocínio: a inconsciência é contraindicação absoluta à VNI — o paciente não protege a via aérea e a pressão positiva não invasiva não corrige a hipoxemia grave. O gatilho para intubação é a tríade: rebaixamento de consciência + hipoxemia refratária + instabilidade hemodinâmica. Com treino, você identifica essa combinação de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte um fluxo mental rápido: paciente com afogamento → avaliar consciência → se inconsciente OU SatO₂ < 90% com O₂ de alto fluxo OU instabilidade hemodinâmica → intubar. A VNI (CPAP/BiPAP) só entra se o paciente estiver consciente, cooperativo e sem contraindicações. Essa sequência resolve a maioria das questões de suporte ventilatório em emergências pediátricas.