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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — VUNESP 2025

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
vu094010
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 10 anos, com antecedente de encefalopatia crônica não evolutiva por anoxia neonatal. Recebe dieta por gastrostomia e faz uso de medicações anticonvulsivantes e antiespásticas. Ao longo do último ano, teve diversas internações, com piora significativa de qualidade de vida e da interação com familiares. Deu entrada no Pronto-Socorro com insuficiência respiratória crônica agudizada, onde foi intubado e transferido à unidade de terapia intensiva. Evoluiu com disfunção renal, com indicação de diálise. No entanto, considerando-se o quadro de base, foi acordado em reunião com a família de que não seriam tomadas condutas que prolongassem o sofrimento do paciente, sendo contraindicada a terapia de substituição renal. A mãe, entendendo o contexto, pergunta sobre a possibilidade de extubar o paciente, verbalizando o desejo de pegá-lo no colo sem suporte ventilatório.Assinale a alternativa correta sobre a extubação no caso apresentado.
  1. AA extubação nesse caso é proibida e configuraria eutanásia.
  2. BA extubação nesse caso é proibida e configuraria omissão de socorro.
  3. CA extubação nesse caso é permitida e configuraria ortotanásia.
  4. DA extubação nesse caso é permitida e configuraria distanásia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A extubação nesse caso é permitida e configuraria ortotanásia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Extubação paliativa: ortotanásia e limites éticos

Gabarito: letra C. A extubação no caso é permitida e configura ortotanásia, pois se trata de retirada de suporte artificial de vida (ventilação mecânica) com o objetivo de permitir a morte natural, sem acelerá-la — conduta distinta da eutanásia (provocar a morte) e da distanásia (prolongar o sofrimento com medidas fúteis). A base ética está no Código de Ética Médica e nos consensos de cuidados paliativos, que reconhecem a retirada de suporte como prática legítima quando busca o conforto e a dignidade do paciente.

A questão aborda um dos temas mais sensíveis da ética médica: o cuidado no fim da vida. Para resolvê-la, é preciso dominar quatro conceitos que a banca frequentemente confunde — eutanásia, distanásia, ortotanásia e mistanásia. A eutanásia é a ação deliberada de provocar a morte do paciente para aliviar o sofrimento (o médico "mata" o paciente). A distanásia é o prolongamento artificial da vida por todos os meios disponíveis, mesmo quando fúteis, ignorando a qualidade de vida e o sofrimento — é a "obstinação terapêutica". A ortotanásia é a morte natural, sem intervenções que prolonguem artificialmente a vida, mas com todos os cuidados para o conforto — é o que sustenta os cuidados paliativos. A mistanásia é a morte miserável, por falta de recursos ou negligência.

No caso apresentado, o paciente tem encefalopatia crônica grave, com múltiplas internações e piora significativa da qualidade de vida. A equipe e a família decidiram, em reunião, não tomar condutas que prolongassem o sofrimento — contraindicando a diálise. A mãe pede a extubação para pegar o filho no colo sem suporte ventilatório. Essa conduta é a retirada de suporte artificial de vida (ventilação mecânica), que, quando feita com o objetivo de permitir a morte natural e com cuidados de conforto, é eticamente aceita e configura ortotanásia.

A distinção crucial é entre retirar o suporte (permitir a morte natural) e acelerar a morte (eutanásia). A retirada de ventilação mecânica não é um ato de matar — é a suspensão de uma medida artificial que não traz mais benefício, deixando a doença seguir seu curso natural. O paciente morre da doença de base, não da ação do médico. Por isso, a extubação paliativa é permitida e não configura eutanásia nem omissão de socorro (o paciente continua recebendo cuidados de conforto, como analgesia e sedação).

A banca explora exatamente a confusão entre esses conceitos. O candidato que não domina a diferença entre ortotanásia e eutanásia tende a marcar a alternativa A, achando que "desligar o respirador" é matar o paciente. Mas a ética médica e os consensos internacionais são claros: retirar ou limitar suporte artificial de vida são equivalentes do ponto de vista ético e legal, desde que haja consenso entre equipe e família e o objetivo seja o conforto. A palavra-chave é intenção: se a intenção é aliviar o sofrimento e permitir a morte natural, é ortotanásia; se a intenção é provocar a morte, é eutanásia.

Guarde essa fronteira: ortotanásia = permitir a morte natural (não prolongar), eutanásia = provocar a morte (antecipar), distanásia = prolongar a vida artificialmente (obstinação). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Conceito

Definição

Intenção

Exemplo no caso

Ética/Legalidade

Eutanásia

Ação deliberada de provocar a morte

Antecipar a morte (matar)

Não se aplica (não há intenção de matar)

Proibida (crime)

Distanásia

Prolongamento artificial da vida por meios fúteis

Adiar a morte (obstinação terapêutica)

Não se aplica (a conduta é oposta)

Proibida (antiética)

Ortotanásia

Morte natural, sem prolongamento artificial, com cuidados de conforto

Permitir a morte natural (não prolongar)

Extubação paliativa para conforto e dignidade

Permitida (ética e legal)

Mistanásia

Morte miserável por falta de recursos ou negligência

Omissão de assistência

Não se aplica (há cuidados de conforto)

Proibida (negligência)

1Ortotanásia
permite a morte natural
suspende suporte artificial
cuidados de conforto
2Eutanásia
provoca a morte
antecipa o óbito
3Distanásia
prolonga a vida artificialmente
obstinação terapêutica
4Mistanásia
morte por falta de recursos
Condutas no fim da vida
LEVELsoulevel.com.br
Condutas no fim da vida: Ortotanásia (permite a morte natural, suspende suporte artificial, cuidados de conforto); Eutanásia (provoca a morte, antecipa o óbito); Distanásia (prolonga a vida artificialmente, obstinação terapêutica); Mistanásia (morte por falta de recursos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a extubação é proibida e configuraria eutanásia. Há dois erros: (1) a extubação paliativa não é proibida — é prática reconhecida e defendida pelos consensos de cuidados paliativos quando busca a ortotanásia; (2) ela não configura eutanásia, pois não há intenção de provocar a morte, mas sim de permitir a morte natural, suspendendo um suporte artificial que não traz mais benefício. A eutanásia é crime no Brasil (Código Penal) e proibida pelo Código de Ética Médica, mas a retirada de suporte com objetivo de conforto é legal e eticamente aceita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a extubação é proibida e configuraria omissão de socorro. O erro está em equiparar a retirada de suporte artificial a uma omissão de socorro. A omissão de socorro ocorre quando alguém deixa de prestar assistência a quem dela necessita. No caso, o paciente continua recebendo cuidados — analgesia, sedação, conforto — apenas não se mantém uma medida artificial (ventilação mecânica) que prolongaria o sofrimento. A extubação paliativa é uma conduta ativa de cuidado, não uma omissão. Além disso, a retirada de suporte com objetivo de conforto é permitida, não proibida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A extubação é permitida e configura ortotanásia. A ortotanásia é a morte natural, sem intervenções que prolonguem artificialmente a vida, mas com todos os cuidados para o conforto. No caso, a retirada da ventilação mecânica busca exatamente isso: permitir que o paciente morra de forma natural, sem sofrimento, respeitando a decisão da família e a dignidade do paciente. A conduta é amparada pelos consensos de cuidados paliativos e pela ética médica, que reconhecem a retirada de suporte artificial de vida como legítima quando busca a ortotanásia, com consenso entre equipe e família.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a extubação é permitida e configuraria distanásia. Há um erro conceitual: a distanásia é o prolongamento artificial da vida por todos os meios, mesmo fúteis, ignorando o sofrimento — é a obstinação terapêutica. A extubação paliativa é exatamente o oposto da distanásia: em vez de prolongar a vida artificialmente, ela suspende o suporte para permitir a morte natural. Portanto, a conduta configura ortotanásia, não distanásia. A alternativa acerta ao dizer que é permitida, mas erra ao classificar como distanásia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os quatro conceitos de fim de vida. O candidato que não domina a diferença tende a marcar a alternativa A (eutanásia) ou D (distanásia). A chave é a intenção: retirar o suporte para permitir a morte natural = ortotanásia (permitida); provocar a morte = eutanásia (proibida); prolongar artificialmente = distanásia (proibida). Memorize a tríade: ortotanásia = morte natural, eutanásia = morte provocada, distanásia = morte adiada. Com esse mapa, você resolve qualquer questão sobre o tema.

Gabarito: letra C

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