Paciente de 6 anos, previamente hígido, admitido recentemente na UTI pediátrica por choque séptico de foco pulmonar. No momento está intubado, recebendo adrenalina contínua em acesso intraósseo, com indicação de passagem de acesso venoso central. Exames iniciais com hemoglobina = 9,3 g/dL; hematócrito = 30,4%; plaquetas = 52.000/mm³ ; INR (International Normalized Ratio) do Tempo de Protrombina = 2,1. Não apresenta sangramentos ativos.Assinale a alternativa que descreve a conduta adequada nesse caso, no que se refere ao uso de hemoderivados antes da passagem do cateter venoso central.
ADeve-se transfundir plaquetas e plasma fresco congelado.
BDeve-se transfundir apenas plaquetas.
CNão está indicada transfusão de plaquetas ou plasma fresco congelado.
DDeve-se transfundir apenas plasma fresco congelado.
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GabaritoC — Não está indicada transfusão de plaquetas ou plasma fresco congelado.
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Transfusão profilática de plaquetas e plasma em procedimentos invasivos
Gabarito: letra C. Não está indicada transfusão de plaquetas ou plasma fresco congelado antes da passagem do cateter venoso central, pois o limiar plaquetário para esse procedimento é de 20.000/µL (contagem atual de 52.000/µL) e o INR de 2,1, sem sangramento ativo, não é indicação isolada de plasma fresco congelado. A conduta correta é realizar o procedimento guiado por ultrassom, sem transfusão profilática.
A questão aborda um tema central em medicina transfusional: quando transfundir plaquetas e plasma fresco congelado (PFC) profilaticamente antes de um procedimento invasivo. A resposta depende de dois conceitos fundamentais: o limiar plaquetário específico para cada tipo de procedimento e a indicação de PFC apenas em situações de sangramento ativo ou risco iminente de sangramento, não apenas por alteração laboratorial isolada.
O paciente em questão tem plaquetas de 52.000/mm³ e INR de 2,1, sem sangramentos ativos. Para a passagem de cateter venoso central, o limiar plaquetário recomendado é de 20.000/µL, conforme orientações da American Association of Blood Banks e do British Committee for Standards in Haematology. Como a contagem está acima desse limiar, não há indicação de transfusão profilática de plaquetas. O INR de 2,1, por sua vez, reflete uma coagulopatia que, na ausência de sangramento, não deve ser corrigida com PFC — a transfusão de plasma é reservada para pacientes com sangramento ativo ou que serão submetidos a procedimentos de alto risco hemorrágico, o que não é o caso da passagem de cateter venoso central.
É importante destacar que a transfusão de hemoderivados não é isenta de riscos, incluindo reações transfusionais, sobrecarga volêmica, lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) e imunomodulação. Portanto, a decisão de transfundir deve ser baseada em evidências sólidas e não apenas em valores laboratoriais isolados. No caso apresentado, a conduta adequada é proceder com a passagem do cateter venoso central guiada por ultrassom, sem necessidade de transfusão profilática.
A pegadinha desta questão está em considerar os valores de plaquetas e INR como indicadores absolutos de transfusão, quando na verdade o que importa é o risco hemorrágico do procedimento específico e a presença ou ausência de sangramento ativo. O candidato que não conhece os limiares específicos para cada procedimento tende a transfundir desnecessariamente, expondo o paciente a riscos sem benefício comprovado.
Guarde a fronteira entre os limiares plaquetários para diferentes procedimentos e a indicação de PFC: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Transfusão profilática pré-procedimento
1Plaquetas (limiar por procedimento)
20.000/µL — cateter venoso central
50.000/µL — laparotomia, paracentese
80.000/µL — raquianestesia
100.000/µL — neurocirurgia, oftalmologia
2Plasma fresco congelado
Sangramento ativo
Risco iminente de sangramento
INR alterado isolado (sem sangramento)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se deve transfundir plaquetas e plasma fresco congelado. O erro está em indicar PFC sem sangramento ativo e plaquetas com contagem acima do limiar para o procedimento. O INR de 2,1 isolado não justifica transfusão de plasma, e as plaquetas de 52.000/µL estão acima do limiar de 20.000/µL para passagem de cateter venoso central.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que se deve transfundir apenas plaquetas. O erro está em indicar transfusão de plaquetas com contagem de 52.000/µL, que está acima do limiar de 20.000/µL para o procedimento. Não há indicação de transfusão profilática de plaquetas neste caso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque não há indicação de transfusão de plaquetas ou plasma fresco congelado. As plaquetas estão acima do limiar de 20.000/µL para passagem de cateter venoso central, e o INR de 2,1 sem sangramento ativo não é indicação de PFC. A conduta adequada é realizar o procedimento guiado por ultrassom, sem transfusão profilática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que se deve transfundir apenas plasma fresco congelado. O erro está em indicar PFC sem sangramento ativo. O INR de 2,1 isolado não justifica transfusão de plasma, pois a correção de coagulopatia sem sangramento não é indicação de PFC.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de transfusão profilática, memorize os limiares plaquetários por procedimento: 20.000/µL para cateter venoso central e biópsias de medula óssea; 50.000/µL para laparotomia, paracentese e toracocentese; 80.000/µL para raquianestesia; 100.000/µL para cirurgias neurológicas e oftalmológicas. E lembre-se: PFC só com sangramento ativo ou risco iminente, nunca por INR alterado isoladamente.