Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094012
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 8 anos, internado na UTI pediátrica no quarto dia pós-operatório de uma laparotomia por apendicite complicada. A descrição cirúrgica cita grande quantidade de secreção purulenta em toda cavidade abdominal, com necessidade de muita manipulação de alças intestinais. Não há descrição de perfuração. No momento, o paciente está em ar ambiente, estável hemodinamicamente, recebendo antibioticoterapia (ceftriaxone, ampicilina e metronidazol), mas em íleo paralítico. Não apresenta disfunção renal ou hepática, e tem balanço hídrico acumulado levemente positivo (50 mL/kcal nos últimos quatro dias). Prescrita nutrição parenteral (NP) em acesso venoso central há 24 horas, com os seguintes itens (todos referentes a uma NP com duração de um dia):• Oferta hídrica de 90 mL/kcal; • Aminoácidos de 0,5 g/kg; • Lipídeos de 2 g/kg; • Velocidade de infusão de glicose de 6 mg/kg/min; • Sódio em concentração de 20 mEq/L; • Potássio de 2 mEq/kcal; • Cálcio, fosforo e magnésio em doses adequadas para o peso; • Vitaminas e poliminerais em dose adequada para peso; • Relação calorias/gramas de nitrogênio: 250 kcal/g/dia (ou 1/250). Assinale a alternativa que contém alterações na nutrição parenteral adequadas para esse paciente.
AManter oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio.
BReduzir a oferta hídrica, manter oferta de aminoácidos e manter oferta de sódio.
CManter oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e manter a oferta de sódio.
DReduzir a oferta hídrica, manter a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio.
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GabaritoA — Manter oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio.
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Nutrição Parenteral no Pós-Operatório de Cirurgia Abdominal
Gabarito: letra A. Em paciente pediátrico no pós-operatório de laparotomia por apendicite complicada, com íleo paralítico e em uso de nutrição parenteral (NP), as alterações adequadas são: manter a oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio. O paciente apresenta balanço hídrico levemente positivo, mas a oferta hídrica de 90 mL/kcal está adequada para a idade; a oferta de aminoácidos de 0,5 g/kg está baixa para o estado hipercatabólico pós-operatório, devendo ser aumentada; e a concentração de sódio de 20 mEq/L está baixa, devendo ser elevada para repor as perdas e manter a volemia.
A nutrição parenteral é a via de suporte nutricional utilizada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado, como no íleo paralítico pós-operatório. No paciente crítico pediátrico, o objetivo é fornecer substratos energéticos e proteicos adequados para evitar o catabolismo e promover a cicatrização. A oferta hídrica deve ser calculada com base na necessidade hídrica da criança, que varia com a idade e o peso. No caso, a oferta de 90 mL/kcal está dentro do recomendado para a faixa etária, considerando que o balanço hídrico está levemente positivo, mas não há sinais de hiper-hidratação. A oferta de aminoácidos deve ser suficiente para promover balanço nitrogenado positivo, especialmente em situações de estresse metabólico, como infecção e cirurgia. A dose de 0,5 g/kg/dia é considerada baixa; recomenda-se iniciar com 1,0 a 1,5 g/kg/dia em crianças, podendo ser aumentada progressivamente. A oferta de sódio deve ser ajustada para manter a homeostase hidroeletrolítica; a concentração de 20 mEq/L é baixa, sendo recomendado elevar para 30 a 40 mEq/L, especialmente em pacientes com perdas aumentadas, como drenos ou fístulas.
Na prática, um paciente de 8 anos com apendicite complicada e peritonite apresenta intenso catabolismo proteico. A oferta proteica inadequada leva à depleção muscular e à piora da cicatrização. O aumento da oferta de aminoácidos deve ser feito de forma gradual, monitorando função renal e hepática, que estão preservadas neste caso. A elevação do sódio é importante para repor as perdas decorrentes do estresse cirúrgico e da drenagem de secreções, além de manter a pressão de perfusão tecidual. A manutenção da oferta hídrica é adequada, pois o balanço hídrico levemente positivo não contraindica a oferta atual, e a redução poderia levar à desidratação.
A distinção importante é entre a necessidade de aumentar a oferta proteica e de sódio versus manter ou reduzir a oferta hídrica. Em pacientes com balanço hídrico muito positivo, com edema ou insuficiência cardíaca, a redução da oferta hídrica seria indicada. No entanto, neste caso, o balanço é levemente positivo, sem sinais de hiper-hidratação, e a oferta hídrica está adequada para a idade. A pegadinha da banca está em considerar que o balanço hídrico positivo justificaria a redução da oferta hídrica, o que não é correto, pois o valor está dentro da normalidade e não há contraindicação.
O critério decisivo para esta questão é a avaliação individualizada das necessidades do paciente: oferta hídrica adequada para a idade, oferta proteica aumentada em situação de catabolismo e oferta de sódio ajustada para repor perdas. A alternativa que contempla essas três alterações é a correta.
Esta alternativa propõe manter a oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio. A oferta hídrica de 90 mL/kcal está adequada para a idade, considerando o balanço hídrico levemente positivo, sem indicação de redução. A oferta de aminoácidos de 0,5 g/kg é baixa para o estado hipercatabólico pós-operatório, sendo recomendado aumentar para 1,0 a 1,5 g/kg/dia. A concentração de sódio de 20 mEq/L é baixa, devendo ser elevada para repor as perdas e manter a volemia. Portanto, as três alterações são adequadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe reduzir a oferta hídrica, manter a oferta de aminoácidos e manter a oferta de sódio. A redução da oferta hídrica não é indicada, pois o balanço hídrico levemente positivo não contraindica a oferta atual, e a redução poderia levar à desidratação. A manutenção da oferta de aminoácidos em 0,5 g/kg é inadequada, pois o paciente está em estado hipercatabólico e necessita de maior aporte proteico. A manutenção da oferta de sódio em 20 mEq/L também é inadequada, pois a concentração está baixa e deve ser elevada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe manter a oferta hídrica, aumentar a oferta de aminoácidos e manter a oferta de sódio. A manutenção da oferta hídrica e o aumento da oferta de aminoácidos estão corretos, mas a manutenção da oferta de sódio em 20 mEq/L é inadequada, pois a concentração está baixa e deve ser elevada para repor as perdas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe reduzir a oferta hídrica, manter a oferta de aminoácidos e elevar a oferta de sódio. A redução da oferta hídrica não é indicada, pois o balanço hídrico levemente positivo não contraindica a oferta atual. A manutenção da oferta de aminoácidos em 0,5 g/kg é inadequada, pois o paciente necessita de maior aporte proteico. A elevação da oferta de sódio está correta, mas as outras duas alterações são inadequadas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a reduzir a oferta hídrica por causa do balanço hídrico levemente positivo. No entanto, o balanço de 50 mL/kcal nos últimos quatro dias não é um valor que contraindique a oferta hídrica atual, que está adequada para a idade. O erro está em associar balanço positivo com necessidade de restrição hídrica, sem avaliar o contexto clínico. Além disso, a oferta de aminoácidos de 0,5 g/kg é claramente baixa para um paciente em estado hipercatabólico, e a concentração de sódio de 20 mEq/L é baixa, devendo ser elevada. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de nutrição parenteral, avalie cada componente separadamente: oferta hídrica (adequada para a idade e balanço hídrico), oferta proteica (aumentada em catabolismo), oferta de sódio (ajustada para repor perdas), oferta de potássio, cálcio, fósforo e magnésio, e relação calorias/nitrogênio. Lembre-se de que em pós-operatório de cirurgia abdominal com peritonite, o paciente está em estado hipercatabólico e necessita de maior aporte proteico e de eletrólitos.