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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu094015
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 4 anos dá entrada no pronto-socorro com quadro de convulsão tônico-clônica generalizada. Realizadas duas doses de benzodiazepínicos, dose de ataque de fenitoína e dose de ataque de fenobarbital, sem melhora.Assinale a alternativa correta quanto às possibilidades de tratamento do caso apresentado.
  1. AA cetamina tem um efeito sedativo e analgésico. Essa droga não deve ser utilizada em situações de estado de mal convulsivo refratário.
  2. BO tiopental é um barbitúrico que tem como alvo promover surto-supressão eletroencefalográfica. Tem como um dos principais efeitos colaterais o comprometimento hemodinâmico.
  3. CO midazolam é um benzodiazepínico que pode ser usado para controle do mal convulsivo. Apresenta um risco menor de delirium em relação às outras drogas citadas.
  4. Do rocurônio contínuo seria uma boa opção para controle das crises convulsivas clínicas. Apresenta risco de sarcopenia do paciente crítico com o uso de longo prazo.
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GabaritoB — O tiopental é um barbitúrico que tem como alvo promover surto-supressão eletroencefalográfica. Tem como um dos principais efeitos colaterais o comprometimento hemodinâmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estado de mal epiléptico refratário: opções terapêuticas

Gabarito: letra B. No estado de mal epiléptico refratário (EMER), após falha de benzodiazepínicos e de uma segunda linha (fenitoína/fenobarbital), o tiopental é um barbitúrico indicado para induzir surto-supressão no eletroencefalograma (EEG), sendo o comprometimento hemodinâmico um de seus principais efeitos colaterais — exatamente o que a alternativa descreve. As demais opções apresentam erros conceituais ou indicações incorretas para o cenário clínico apresentado.

O estado de mal epiléptico (EME) é definido como uma crise convulsiva com duração superior a 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. O tratamento é escalonado em fases: estabilização inicial com benzodiazepínicos (midazolam, lorazepam ou diazepam), seguida de uma droga anticrise de segunda linha (fenitoína, fenobarbital, valproato ou levetiracetam) e, se houver refratariedade, parte-se para anestésicos intravenosos em infusão contínua, como propofol, midazolam em altas doses, tiopental, pentobarbital ou cetamina. O objetivo nessa fase é alcançar o controle eletrográfico das crises, frequentemente com a meta de surto-supressão no EEG, monitorado continuamente.

O tiopental é um barbitúrico de ação ultracurta, usado como indutor anestésico e, em infusão contínua, no tratamento do EMER. Seu mecanismo de ação envolve potencialização do GABA, o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. A dose é titulada até a obtenção de surto-supressão no EEG, que é o padrão de traçado com períodos de atividade elétrica de baixa amplitude intercalados com supressão. Os efeitos colaterais mais relevantes são a depressão cardiovascular (hipotensão, bradicardia, redução do débito cardíaco), a depressão respiratória (exigindo ventilação mecânica) e o acúmulo do fármaco com recuperação prolongada após a suspensão.

Na prática, um paciente de 4 anos com EMER que não respondeu a duas doses de benzodiazepínico, fenitoína e fenobarbital está em EMER, e a conduta é iniciar anestésico intravenoso. O tiopental é uma opção válida, assim como o midazolam em infusão contínua (embora este já tenha sido usado na fase inicial, em altas doses atua como anestésico) e o propofol. A escolha entre eles depende do perfil do paciente, da disponibilidade e da experiência da equipe, mas todos compartilham o risco de instabilidade hemodinâmica, sendo o tiopental um dos mais associados a esse efeito.

A distinção crucial que a questão explora é entre drogas que controlam as crises (anticonvulsivantes de segunda linha) e drogas que induzem coma anestésico (barbitúricos, propofol, cetamina). Enquanto as primeiras são usadas em bolus e têm perfil de efeitos colaterais mais brando, as segundas exigem infusão contínua, monitorização EEG e suporte hemodinâmico e ventilatório. A banca testa exatamente esse conhecimento: saber que o tiopental é um anestésico barbitúrico com alvo na surto-supressão e que a instabilidade hemodinâmica é um efeito adverso esperado, e não uma contraindicação.

A pegadinha central está na alternativa D, que sugere o uso de rocurônio (bloqueador neuromuscular) para controle das crises — um erro grave, pois esses fármacos não têm ação anticonvulsivante, apenas paralisam a musculatura, mascarando as crises clínicas sem interromper a atividade epileptiforme cerebral. Guarde essa fronteira: anestésicos intravenosos (tiopental, propofol, midazolam em altas doses, cetamina) são a base do tratamento do EMER; bloqueadores neuromusculares (rocurônio, vecurônio) nunca são usados para esse fim.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cetamina é um anestésico dissociativo antagonista do receptor NMDA, com efeito sedativo e analgésico, e pode ser utilizada no estado de mal epiléptico refratário, especialmente quando há instabilidade hemodinâmica, pois tende a causar menos hipotensão que outros anestésicos. A alternativa afirma que ela "não deve ser utilizada", o que contraria a prática clínica atual, que a considera uma opção válida em EMER, inclusive com potencial efeito neuroprotetor. O erro é a contraindicação absoluta inexistente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tiopental é um barbitúrico de ação rápida, usado em infusão contínua no EMER com o objetivo de induzir surto-supressão no EEG, monitorado continuamente. Seu principal efeito colateral é o comprometimento hemodinâmico, com hipotensão e redução do débito cardíaco, exigindo suporte vasopressor. A alternativa descreve corretamente tanto o mecanismo (surto-supressão) quanto o efeito adverso mais relevante, sendo a única correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O midazolam é um benzodiazepínico de ação rápida, usado tanto em bolus quanto em infusão contínua no tratamento do EME e do EMER. A afirmação de que apresenta "risco menor de delirium" em relação às outras drogas é incorreta: o midazolam, especialmente em infusão prolongada, está associado a delirium e agitação, principalmente em pacientes críticos, e o acúmulo do fármaco pode prolongar o efeito sedativo. Não há evidência de que tenha menor risco de delirium que tiopental, propofol ou cetamina; na verdade, o propofol e a cetamina são frequentemente preferidos por causarem menos delirium que os benzodiazepínicos em infusão contínua.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O rocurônio é um bloqueador neuromuscular não despolarizante, usado para paralisia muscular em intubação e ventilação mecânica. Ele não tem ação anticonvulsivante: apenas paralisa a musculatura esquelética, abolindo as manifestações motoras das crises, mas sem interromper a atividade epileptiforme no cérebro. Seu uso no EMER é contraindicado, pois mascara as crises clínicas e impede a monitorização neurológica, podendo levar a dano cerebral prolongado. O risco de sarcopenia (perda de massa muscular) com uso prolongado é real, mas a indicação é totalmente equivocada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre drogas que controlam as crises (anestésicos intravenosos) e drogas que apenas paralisam o paciente (bloqueadores neuromusculares). O rocurônio parece uma opção atraente porque "resolve" as crises clínicas, mas não trata o problema cerebral — é uma armadilha clássica. Lembre-se: no EMER, o alvo é o EEG, não a movimentação do paciente.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de EMER, monte um esquema mental das fases: 1ª linha = benzodiazepínicos; 2ª linha = fenitoína, fenobarbital, valproato, levetiracetam; 3ª linha = anestésicos IV (propofol, tiopental, midazolam em altas doses, cetamina). Bloqueadores neuromusculares nunca entram nesse fluxo. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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