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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu094017
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 4 meses, pesando 5 kg, previamente hígida, internada em UTI pediátrica por quadro de pneumonia e síndrome do desconforto respiratório, intubada com necessidade de altos parâmetros ventilatórios. Evolui muito anasarcada, com baixo débito urinário, apesar de otimização do uso de diuréticos. Exames com piora progressiva da função renal. Indicada passagem de cateter para diálise peritoneal. Exames com Na = 139; K = 6,7; pH = 7,22; bic = 19; pCO₂ = 55; ureia = 88; Cr = 1,3. Coagulograma sem alterações, não apresenta sangramentos.Assinale a alternativa que contém a prescrição inicial adequada da diálise peritoneal para a paciente.
  1. ASolução de diálise a 2%, com potássio 2 mEq/L e heparina 500 UI/mL. Infundir 30 mL na cavidade. Tempo de permanência: 30 minutos. Tempo de drenagem: 30 minutos.
  2. BSolução de diálise a 1,5%, com potássio 2 mEq/L, sem heparina. Infundir 100 mL na cavidade. Tempo de permanência: 60 minutos. Tempo de drenagem: 20 minutos.
  3. CSolução de diálise a 1,5%, sem potássio, com heparina 500 UI/mL. Infundir 50 mL na cavidade. Tempo de permanência: 15 minutos. Tempo de drenagem: 15 minutos.
  4. DSolução de diálise a 2%, sem potássio, sem heparina. Infundir 75 mL na cavidade. Tempo de permanência: 30 minutos. Tempo de drenagem: 20 minutos.
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GabaritoC — Solução de diálise a 1,5%, sem potássio, com heparina 500 UI/mL. Infundir 50 mL na cavidade. Tempo de permanência: 15 minutos. Tempo de drenagem: 15 minutos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diálise Peritoneal em Pediatria: Prescrição Inicial

Gabarito: letra C. Em lactentes, a prescrição inicial da diálise peritoneal deve usar solução com glicose a 1,5%, sem potássio (paciente hipercalêmica), com heparina (para prevenir formação de fibrina no cateter recém-inserido), volume de infusão de 10-30 mL/kg (para 5 kg, 50-150 mL), tempo de permanência curto (15-30 minutos) e drenagem rápida (15-20 minutos). A alternativa C é a única que combina todos esses elementos de forma adequada para o caso.

A diálise peritoneal é uma modalidade de terapia renal substitutiva que utiliza o peritônio como membrana semipermeável para realizar trocas de solutos e água entre o sangue e a solução de diálise infundida na cavidade peritoneal. É a técnica de escolha em lactentes e crianças pequenas com lesão renal aguda, especialmente quando há instabilidade hemodinâmica ou dificuldade de acesso vascular, como no caso descrito.

A prescrição da diálise peritoneal envolve quatro componentes principais: a concentração de glicose da solução (que determina o poder osmótico e, portanto, a ultrafiltração), a adição de potássio (necessária quando o paciente é hipocalêmico, mas contraindicada na hipercalemia), o uso de heparina (para prevenir a obstrução do cateter por coágulos de fibrina, especialmente nos primeiros dias), e o ciclo de infusão-permanência-drenagem (que define o volume infundido e os tempos de cada fase).

No caso apresentado, a paciente tem hipercalemia (K = 6,7 mEq/L), o que contraindica o uso de potássio na solução de diálise. A presença de anasarca e baixo débito urinário indica necessidade de ultrafiltração, mas a solução a 1,5% é a mais adequada para início, pois concentrações maiores (2,5% ou 4,25%) podem causar hipovolemia e distúrbios hidroeletrolíticos graves, especialmente em lactentes. A heparina é recomendada na fase inicial para prevenir a formação de fibrina, já que o cateter é recém-inserido e há risco de obstrução. O volume de infusão em lactentes deve ser de 10-30 mL/kg, o que para 5 kg corresponde a 50-150 mL; a alternativa C usa 50 mL, dentro da faixa. Os tempos de permanência e drenagem devem ser curtos para permitir ciclos frequentes e maior eficiência de depuração, sendo 15 minutos para cada fase uma escolha adequada.

A principal pegadinha desta questão é a combinação de múltiplos parâmetros: o candidato pode acertar um ou dois elementos, mas errar em outros. Por exemplo, a alternativa A usa solução a 2% (muito concentrada para início), adiciona potássio (contraindicado na hipercalemia) e tem tempo de drenagem longo (30 minutos). A alternativa B usa volume de 100 mL (20 mL/kg, dentro da faixa), mas adiciona potássio, o que é um erro grave. A alternativa D usa solução a 2% e volume de 75 mL (15 mL/kg, dentro da faixa), mas sem heparina, o que aumenta o risco de obstrução do cateter. A alternativa C é a única que atende a todos os critérios: solução a 1,5%, sem potássio, com heparina, volume de 50 mL (10 mL/kg) e tempos de permanência e drenagem de 15 minutos cada.

Guarde os quatro pilares da prescrição inicial de diálise peritoneal em pediatria: glicose a 1,5%, sem potássio (a menos que hipocalêmico), com heparina (nos primeiros dias), e ciclo curto com volume de 10-30 mL/kg. É exatamente nesses quatro pontos que as alternativas se dividem.

  1. 1Glicose 1,5%
  2. 2Sem potássio (se hipercalêmico)
  3. 3Com heparina (prevenir fibrina)
  4. 4Volume 10-30 mL/kg
  5. 5Ciclo curto (permanência 15-30 min)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa erra em três pontos: usa solução a 2% (concentração alta para início, podendo causar hipovolemia), adiciona potássio 2 mEq/L (contraindicado na hipercalemia, K = 6,7) e tem tempo de drenagem de 30 minutos (muito longo, reduzindo a eficiência dos ciclos). A heparina está correta, mas os demais erros tornam a prescrição inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O volume de 100 mL (20 mL/kg) está dentro da faixa recomendada, e a solução a 1,5% é adequada. No entanto, adiciona potássio 2 mEq/L, o que é um erro grave na vigência de hipercalemia (K = 6,7 mEq/L). A ausência de heparina também é inadequada na fase inicial, pois aumenta o risco de obstrução do cateter por fibrina.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a prescrição mais adequada: solução a 1,5% (concentração inicial segura), sem potássio (correto para hipercalemia), com heparina 500 UI/mL (previne fibrina no cateter novo), volume de 50 mL (10 mL/kg, dentro da faixa de 10-30 mL/kg para lactentes) e tempos de permanência e drenagem de 15 minutos cada (ciclo curto, eficiente para depuração). Todos os parâmetros estão corretos para o caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Usa solução a 2% (concentração alta para início) e não inclui heparina (risco de obstrução do cateter). O volume de 75 mL (15 mL/kg) está dentro da faixa, e a ausência de potássio está correta, mas os dois erros citados tornam a prescrição inadequada.

A prescrição inicial de diálise peritoneal em pediatria deve ser individualizada, mas os princípios gerais são: solução com glicose a 1,5% para início, sem potássio em pacientes hipercalêmicos, com heparina nos primeiros dias para prevenir fibrina, volume de 10-30 mL/kg e ciclos curtos (permanência de 15-30 minutos, drenagem de 15-20 minutos). A alternativa C é a única que segue todos esses princípios.

Gabarito: letra C

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