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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu094018
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 4 anos, com antecedente de encefalopatia hipóxico-isquêmica, em uso de carbamazepina, ácido valproico e levetiracetam para controle de crises convulsivas, dá entrada no Pronto-Socorro com insuficiência respiratória grave por pneumonia extensa, com necessidade de intubação. Evolui hemodinamicamente estável, sem piora do quadro convulsivo de base, mas com necessidade de parâmetros elevados na ventilação mecânica. Em exames laboratoriais, visto sódio sérico de 127.Assinale a alternativa que descreve, respectivamente, a causa mais provável da hiponatremia e a conduta adequada para esse distúrbio, no momento.
  1. ASíndrome cerebral perdedora de sal; reposição enteral de sódio.
  2. BSecreção inapropriada de ADH; reposição enteral de sódio.
  3. CSíndrome cerebral perdedora de sal; expansão volêmica com cristaloide isotônico.
  4. DSecreção inapropriada de ADH; restrição hídrica.
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GabaritoD — Secreção inapropriada de ADH; restrição hídrica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiponatremia em paciente crítico: SIADH versus síndrome cerebral perdedora de sal

Gabarito: letra D. A causa mais provável da hiponatremia é a secreção inapropriada de ADH (SIADH), desencadeada pela pneumonia e pela ventilação mecânica, e a conduta inicial adequada é a restrição hídrica. A alternativa correta combina esses dois elementos, enquanto as demais trocam o diagnóstico ou propõem uma conduta inadequada para o quadro euvolêmico descrito.

A hiponatremia é o distúrbio eletrolítico mais comum em pacientes hospitalizados e, no contexto de doença crítica, exige uma abordagem diagnóstica estruturada. O primeiro passo é avaliar a volemia do paciente, pois isso divide as causas em hipovolêmicas, euvolêmicas e hipervolêmicas. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável, sem sinais de desidratação ou edema, o que sugere um estado euvolêmico. Dentro das causas euvolêmicas, a SIADH é a mais frequente, especialmente em pacientes com doenças pulmonares (como pneumonia) e em uso de ventilação mecânica — ambos presentes no enunciado. A carbamazepina, um dos anticonvulsivantes em uso, também é uma causa clássica de SIADH, reforçando ainda mais esse diagnóstico.

A síndrome cerebral perdedora de sal (SCPS), por outro lado, é uma condição mais rara, associada a lesões do sistema nervoso central (trauma, neurocirurgia, tumores) e caracterizada por hipovolemia real, com perda renal de sódio. O paciente tem encefalopatia hipóxico-isquêmica, mas não há descrição de lesão cerebral aguda recente, e o quadro clínico é de euvolemia, não de hipovolemia. Além disso, a SCPS cursa com sódio urinário elevado e osmolaridade urinária alta, mas o diferencial crucial é o estado volêmico: na SCPS há depleção de volume, enquanto na SIADH o volume está normal ou levemente expandido. A distinção entre essas duas entidades é um clássico em terapia intensiva e pediatria, e a banca explora exatamente essa confusão.

O tratamento da hiponatremia depende da gravidade dos sintomas, da cronicidade e da volemia. No paciente euvolêmico com SIADH e hiponatremia leve a moderada (sódio entre 125 e 129 mEq/L, como no caso), a conduta inicial é a restrição hídrica, geralmente limitando a ingestão a 800-1000 mL/dia. A reposição enteral de sódio não é a primeira linha, pois o problema não é a falta de sódio no corpo, mas sim o excesso de água livre devido ao ADH elevado. A expansão volêmica com cristaloide isotônico seria indicada em casos de hipovolemia, o que não se aplica aqui, e poderia até piorar a hiponatremia ao diluir ainda mais o sódio sérico. A solução salina hipertônica (NaCl 3%) é reservada para casos graves com sintomas neurológicos importantes (convulsão, coma), o que não é o caso, já que o paciente está sem piora do quadro convulsivo de base.

A pegadinha central desta questão é a troca entre SIADH e síndrome cerebral perdedora de sal. Ambas cursam com hiponatremia, sódio urinário elevado e osmolaridade urinária alta, mas a volemia as distingue: na SIADH o paciente é euvolêmico (ou levemente hipervolêmico), enquanto na SCPS há hipovolemia. A conduta também diverge: na SIADH, restrição hídrica; na SCPS, reposição volêmica com sódio. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

SIADH (Secreção Inapropriada de ADH)

Síndrome Cerebral Perdedora de Sal (SCPS)

Volemia

Euvolêmico (ou levemente hipervolêmico)

Hipovolêmico (depleção de volume real)

Contexto clínico típico

Doenças pulmonares (pneumonia), ventilação mecânica, uso de carbamazepina, lesões do SNC

Lesão cerebral aguda (trauma, neurocirurgia, tumores)

Conduta inicial

Restrição hídrica

Reposição volêmica com sódio (cristaloide isotônico ou hipertônico)

Hiponatremia euvolêmica
  • 1SIADH
    • Pneumonia / VM
    • Carbamazepina
    • Restrição hídrica
  • 2Síndrome cerebral perdedora de sal
    • Lesão aguda do SNC
    • Hipovolemia
    • Reposição de sódio e volume
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao atribuir a causa à síndrome cerebral perdedora de sal. A SCPS é uma causa de hiponatremia hipovolêmica, associada a lesões agudas do SNC, e o paciente apresenta-se euvolêmico, sem sinais de depleção de volume. Além disso, a reposição enteral de sódio não é a conduta inicial para a SCPS, que exige reposição volêmica com solução salina isotônica ou hipertônica, dependendo da gravidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Acerta o diagnóstico (SIADH), mas erra a conduta. A reposição enteral de sódio não é a primeira linha no tratamento da SIADH, pois o distúrbio é causado por excesso de água livre, não por deficiência real de sódio. A conduta inicial é a restrição hídrica, que reduz o volume de água corporal e corrige a hiponatremia de forma gradual e segura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra tanto no diagnóstico quanto na conduta. A síndrome cerebral perdedora de sal não é a causa mais provável, pois o paciente é euvolêmico e não tem lesão cerebral aguda. A expansão volêmica com cristaloide isotônico seria indicada na SCPS (hipovolemia), mas não na SIADH, onde poderia agravar a hiponatremia ao aumentar ainda mais o volume de água corporal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Identifica corretamente a SIADH como causa da hiponatremia, considerando a pneumonia, a ventilação mecânica e o uso de carbamazepina como fatores desencadeantes, e o estado euvolêmico do paciente. A conduta de restrição hídrica é a primeira linha no tratamento da SIADH com hiponatremia leve a moderada, pois reduz o excesso de água livre e corrige o sódio sérico de forma gradual, evitando a síndrome de desmielinização osmótica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a SIADH pela síndrome cerebral perdedora de sal, duas causas de hiponatremia com sódio urinário elevado, mas com volemias opostas. Na SIADH, o paciente é euvolêmico e a conduta é restrição hídrica; na SCPS, há hipovolemia e a conduta é reposição volêmica com sódio. Identifique a volemia e a presença de lesão cerebral aguda para não cair nessa armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar SIADH de SCPS na prova, foque em dois pontos: (1) a volemia — euvolêmico sugere SIADH, hipovolêmico sugere SCPS; (2) o contexto clínico — pneumonia, ventilação mecânica e medicações como carbamazepina favorecem SIADH, enquanto trauma ou neurocirurgia recente favorecem SCPS. Memorize essa associação e a conduta correspondente: SIADH → restrição hídrica; SCPS → reposição de sódio e volume.

Gabarito: letra D

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