Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094020
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 10 anos, com antecedente de asma de difícil controle, apresenta tosse seca, sem febre, há dois dias. Ao exame físico, regular estado geral, consciente, sibilos inspiratórios e expiratórios difusos, FR = 48 ipm, tiragens de fúrcula, intercostal e subdiafragmática, tempo expiratório prolongado, SatO₂ = 88%, em ar ambiente. Realizadas inalações com salbutamol e ipratrópio e dose de ataque de metilprednisolona, sem qualquer melhora do quadro. Mantido em máscara não reinalante a 15 L/min, com SatO₂ = 95%. Radiografia de tórax apenas com sinais de hiperinsuflação.Em face do exposto,assinale a alternativa que contém a conduta adequada a ser realizada nesse momento, para melhora do quadro respiratório.
AIntubação orotraqueal com cânula 6 com cuff. Manter paciente bem sedado. Iniciar ventilação com modo pressão controlado, com PEEP baixo, FR baixa, e tempo inspiratório alto.
BIniciar ventilação não invasiva em modo BIPAP e manter paciente sedado com dexmedetomidina.
CIniciar ventilação não invasiva em modo BIPAP e iniciar terbutalina endovenosa contínua.
DManter paciente em máscara não reinalante e iniciar sulfato de magnésio endovenoso 50 mg/kg, em 30 minutos.
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GabaritoD — Manter paciente em máscara não reinalante e iniciar sulfato de magnésio endovenoso 50 mg/kg, em 30 minutos.
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Crise de asma grave em pediatria: conduta no pronto-socorro
Gabarito: letra D. O paciente apresenta crise de asma grave (SatO₂ = 88%, FR = 48 ipm, tiragens, sibilos difusos) que não respondeu ao tratamento inicial com broncodilatador inalatório e corticosteroide sistêmico. Nesse cenário, a conduta adequada é manter a oxigenioterapia e iniciar sulfato de magnésio endovenoso, que é a terapia adjuvante de segunda linha recomendada nas diretrizes para crise grave refratária. As alternativas A, B e C propõem intervenções ventilatórias ou broncodilatadoras que não são a primeira escolha neste momento, e a intubação orotraqueal (alternativa A) é reservada para falência respiratória iminente, que ainda não está caracterizada.
A crise de asma é uma exacerbação aguda da doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção de muco, levando à obstrução ao fluxo aéreo, principalmente na expiração. A gravidade é avaliada por parâmetros clínicos (frequência respiratória, uso de musculatura acessória, capacidade de falar, estado mental) e funcionais (pico de fluxo expiratório, SatO₂). No caso apresentado, o paciente tem sinais de gravidade: taquipneia importante (FR = 48 ipm), tiragens de fúrcula, intercostal e subdiafragmática, tempo expiratório prolongado e SatO₂ = 88% em ar ambiente — configurando crise grave, com risco de evolução para insuficiência respiratória.
O tratamento inicial da crise grave segue uma sequência escalonada: oxigenioterapia para manter SatO₂ ≥ 94%, broncodilatador beta-2 agonista de curta duração (salbutamol) em altas doses e repetido, associado a anticolinérgico (ipratrópio), e corticosteroide sistêmico (metilprednisolona ou prednisolona). Essas medidas já foram realizadas no paciente, sem melhora. Quando há resposta inadequada ao tratamento inicial, as diretrizes recomendam terapias adjuvantes, sendo o sulfato de magnésio endovenoso uma das principais opções, por seu efeito broncodilatador e anti-inflamatório, reduzindo a necessidade de ventilação mecânica. A dose usual é de 25 a 50 mg/kg (máximo 2 g) em infusão de 20 a 30 minutos.
A ventilação não invasiva (BIPAP) pode ser considerada em alguns casos de insuficiência respiratória, mas não é a conduta de primeira linha na crise de asma refratária, e seu uso em pediatria é limitado. A intubação orotraqueal é reservada para falência respiratória iminente (rebaixamento do nível de consciência, exaustão, hipoxemia refratária, parada respiratória), que não está presente no caso, pois o paciente mantém SatO₂ = 95% com máscara não reinalante. A terbutalina endovenosa contínua é uma alternativa em casos refratários, mas não é a primeira escolha após falha do tratamento inicial, e o sulfato de magnésio tem melhor perfil de evidência e segurança.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar da gravidade, o paciente ainda não tem indicação de intubação imediata, pois está estável com oxigenioterapia. A banca tenta induzir o candidato a escolher uma conduta mais agressiva (intubação ou ventilação não invasiva) quando a conduta correta é otimizar o tratamento clínico com sulfato de magnésio. O critério decisivo é a resposta ao tratamento inicial: como não houve melhora com broncodilatador e corticoide, o próximo passo é a terapia adjuvante, e não a ventilação mecânica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A intubação orotraqueal é indicada em casos de falência respiratória iminente, como rebaixamento do nível de consciência, exaustão, hipoxemia refratária ou parada respiratória. No caso, o paciente mantém SatO₂ = 95% com máscara não reinalante, está consciente e não apresenta sinais de exaustão iminente. Além disso, a estratégia ventilatória proposta (PEEP baixo, FR baixa, tempo inspiratório alto) é inadequada para asma, pois o paciente precisa de tempo expiratório prolongado para evitar auto-PEEP e hiperinsuflação dinâmica. A intubação precoce, sem tentar terapias adjuvantes, aumenta o risco de complicações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ventilação não invasiva (BIPAP) não é a conduta de primeira linha na crise de asma grave refratária em pediatria. Embora possa ser considerada em alguns casos de insuficiência respiratória, as evidências de benefício na asma são limitadas, e o paciente ainda não apresenta critérios claros para sua indicação. Além disso, a alternativa propõe sedação com dexmedetomidina, que não é necessária e pode mascarar a deterioração clínica. O próximo passo após falha do tratamento inicial é a terapia adjuvante farmacológica, não a ventilação não invasiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A terbutalina endovenosa contínua é uma alternativa em casos de asma refratária, mas não é a primeira escolha após falha do tratamento inicial com broncodilatador inalatório e corticoide. O sulfato de magnésio endovenoso tem melhor perfil de evidência e é a terapia adjuvante recomendada antes da terbutalina EV. Além disso, a alternativa associa a terbutalina EV à ventilação não invasiva, que não é a conduta de primeira linha neste cenário. A sequência correta seria: otimizar o tratamento clínico com sulfato de magnésio antes de considerar intervenções ventilatórias.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente apresenta crise de asma grave refratária ao tratamento inicial (broncodilatador inalatório, anticolinérgico e corticoide sistêmico). A conduta adequada é manter a oxigenioterapia com máscara não reinalante e iniciar sulfato de magnésio endovenoso, na dose de 25 a 50 mg/kg (máximo 2 g), em infusão de 20 a 30 minutos. O sulfato de magnésio é uma terapia adjuvante eficaz na crise grave, reduzindo a necessidade de ventilação mecânica e melhorando a função pulmonar. O paciente está estável com SatO₂ = 95% em máscara não reinalante, portanto não há indicação imediata de intubação ou ventilação não invasiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher uma conduta mais agressiva (intubação ou ventilação não invasiva) diante de um quadro grave. No entanto, o paciente ainda não tem critérios de falência respiratória iminente — está consciente e com SatO₂ = 95% em máscara não reinalante. O próximo passo após falha do tratamento inicial é a terapia adjuvante com sulfato de magnésio, não a ventilação mecânica. Lembre-se: na asma, a intubação é o último recurso, pois pode piorar a obstrução e aumentar a mortalidade.
PEGA ESSA DICA!
Na crise de asma grave refratária, memorize a sequência de condutas: 1) oxigenioterapia + broncodilatador inalatório (salbutamol) + anticolinérgico (ipratrópio) + corticoide sistêmico; 2) se não melhorar, adicionar sulfato de magnésio EV; 3) se ainda não melhorar, considerar terbutalina EV ou ventilação não invasiva; 4) intubação apenas em falência respiratória iminente. Essa escada terapêutica é cobrada com frequência em provas de pediatria e emergência.
Gabarito: letra D — manter oxigenioterapia e iniciar sulfato de magnésio endovenoso.