Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu094023
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Medicina Intensiva ou Pediatria
Paciente de 2 anos, internado em UTI pediátrica por insuficiência respiratória aguda secundária à pneumonia extensa. Intubado com cânula orotraqueal número 4 com cuff, com bom padrão respiratório, mantendo SatO2 = 96%. Logo após atendimento da fisioterapia, apresentou queda de saturação sustentada até 70% e assincronia ventilatória. Exame físico com ausculta muito diminuída em hemitórax direito, com expansibilidade também diminuída no mesmo lado. Associado a isso, houve queda de PA para 66 x 24 (44) mmHg e piora da perfusão.Realizou-se a ultrassonografia “point-of-care” conforme imagem a seguir, no modo M, vista em todo hemitórax direito (aspecto de “código de barras”).Considerando esses achados, qual é a conduta adequada para a condição apresentada pelo paciente?
ARealizar toracocentese de alívio de derrame pleural em quinto espaço intercostal.
BRealizar punção torácica de emergência em segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular média.
CAjustar parâmetros ventilatórios com o intuito de aumentar o volume corrente.
DRealizar drenagem de tórax em quinto espaço intercostal com dreno tubular.
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GabaritoB — Realizar punção torácica de emergência em segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular média.
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Pneumotórax hipertensivo em paciente pediátrico ventilado
Gabarito: letra B. O quadro descrito — queda súbita de saturação, assincronia ventilatória, ausculta e expansibilidade diminuídas em hemitórax direito, hipotensão e piora da perfusão, com ultrassonografia em modo M mostrando aspecto de "código de barras" — é clássico de pneumotórax hipertensivo. A conduta imediata e que salva a vida é a punção torácica de emergência no segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular média, que descomprime o ar sob pressão e estabiliza o paciente até a drenagem definitiva.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que ocorre quando o ar entra no espaço pleural por uma lesão (neste caso, provavelmente uma fístula broncopleural ou lesão pulmonar desencadeada pela fisioterapia respiratória em um pulmão já comprometido por pneumonia) e não consegue sair, criando um mecanismo de válvula unidirecional. O ar se acumula progressivamente, aumentando a pressão intrapleural, colapsando o pulmão ipsilateral e desviando o mediastino para o lado oposto. Esse desvio compromete o retorno venoso (diminuição do débito cardíaco) e comprime o pulmão contralateral, levando a hipoxemia grave e choque obstrutivo — exatamente o que se observa no paciente: queda de PA para 66 x 24 mmHg e piora da perfusão.
A ultrassonografia point-of-care é uma ferramenta valiosa nesse cenário. No modo M, o pneumotórax se manifesta pelo sinal do "código de barras" ou "sinal de estratosfera", que substitui o sinal normal do "deslizamento pulmonar" (o movimento das pleuras parietal e visceral durante a respiração). A ausência de deslizamento pulmonar, associada ao quadro clínico, confirma o diagnóstico de pneumotórax. A conduta imediata é a descompressão com agulha, que deve ser realizada no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular média (ou no quarto/quinto espaço intercostal na linha axilar anterior, dependendo da preferência e do contexto), pois é a região mais segura e acessível para aliviar a pressão rapidamente.
A alternativa B é a única que descreve corretamente o procedimento de emergência para o pneumotórax hipertensivo. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para o quadro: a toracocentese de alívio é indicada para derrame pleural, não para pneumotórax; ajustar parâmetros ventilatórios para aumentar o volume corrente pioraria o quadro, pois aumentaria ainda mais a pressão intrapleural; e a drenagem de tórax com dreno tubular, embora seja o tratamento definitivo, não é a conduta imediata de emergência — a punção com agulha é o primeiro passo para descomprimir e estabilizar o paciente antes da drenagem definitiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as condutas para pneumotórax hipertensivo e derrame pleural. No pneumotórax hipertensivo, a emergência é a punção com agulha no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular média (descompressão imediata). No derrame pleural, a conduta é a toracocentese ou drenagem no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (ou posterior). A alternativa A e a D descrevem condutas para derrame pleural, não para pneumotórax. Fique atento: a presença de "código de barras" no ultrassom e a ausculta diminuída com expansibilidade reduzida indicam ar no espaço pleural, não líquido.
Pneumotórax hipertensivo: Mecanismo (Válvula unidirecional, Ar acumula e não sai, Colapso pulmonar + desvio mediastino); Diagnóstico (USG modo M) (Sinal do "código de barras", Ausência de deslizamento pulmonar); Conduta imediata (Punção com agulha (2º EIC, linha hemiclavicular), Descompressão de emergência); Tratamento definitivo (Dreno tubular (5º EIC))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A toracocentese de alívio no quinto espaço intercostal é indicada para derrame pleural, não para pneumotórax. No pneumotórax hipertensivo, o problema é o ar no espaço pleural, não líquido. A punção com agulha para descompressão deve ser feita no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular média, que é o local mais seguro e eficaz para remover o ar rapidamente. A alternativa confunde o tratamento de duas condições distintas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A punção torácica de emergência no segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular média, é a conduta imediata e correta para o pneumotórax hipertensivo. Este procedimento, também chamado de descompressão com agulha ou toracocentese de emergência, visa aliviar a pressão intrapleural rapidamente, permitindo a saída do ar e a reexpansão do pulmão. É uma medida que salva vidas e deve ser realizada imediatamente em pacientes com pneumotórax hipertensivo e instabilidade hemodinâmica, como o caso descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Ajustar os parâmetros ventilatórios para aumentar o volume corrente é uma conduta perigosa e contraindicada no pneumotórax hipertensivo. Aumentar o volume corrente ou a pressão inspiratória aumentaria ainda mais a pressão intrapleural, agravando o desvio mediastinal, o comprometimento hemodinâmico e a hipoxemia. A conduta correta é descomprimir o tórax imediatamente, não aumentar a ventilação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A drenagem de tórax com dreno tubular no quinto espaço intercostal é o tratamento definitivo do pneumotórax, mas não é a conduta imediata de emergência. Em um paciente com pneumotórax hipertensivo e instabilidade (hipotensão, piora da perfusão), a prioridade é a descompressão imediata com agulha (punção no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular média) para aliviar a pressão e estabilizar o paciente. A drenagem com dreno tubular deve ser realizada após a descompressão inicial, de forma mais planejada e definitiva. A alternativa D descreve o tratamento definitivo, mas não a conduta de emergência que a questão pede.
Gabarito: letra B — a punção torácica de emergência no segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular média, é a conduta imediata para o pneumotórax hipertensivo.