Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094031
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Na deformidade em botoeira crônica, a técnica de Matev consiste em realizar
Ao avanço capsular dorsal.
Ba sutura medializada das hemibandeletas laterais.
Ca transposição da bandeleta lateral.
Do enxerto tendíneo transósseos.
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GabaritoB — a sutura medializada das hemibandeletas laterais.
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Deformidade em botoeira crônica: técnica de Matev
Gabarito: letra B. Na deformidade em botoeira crônica, a técnica de Matev consiste na sutura medializada das hemibandeletas laterais, reposicionando-as dorsalmente ao eixo de rotação da articulação interfalangiana proximal (IFP). Essa é uma técnica clássica de reconstrução do mecanismo extensor, descrita na literatura de cirurgia da mão.
A deformidade em botoeira (ou "dedo em botoeira") é uma lesão do mecanismo extensor do dedo que ocorre quando há ruptura ou avulsão da banda tendinosa central na base da falange média, na altura da articulação interfalangiana proximal (IFP). Com a perda da inserção central, as bandas laterais do tendão extensor deslizam volarmente (para a palma) em relação ao eixo da articulação, passando a agir como flexoras da IFP. O resultado clínico é a postura característica: flexão da IFP e hiperextensão compensatória da articulação interfalangiana distal (IFD) — o chamado "pescoço de cisne" inverso.
O tratamento da deformidade em botoeira depende do estágio e da cronicidade. Nas fases agudas, com lesão fechada e sem fratura, o tratamento conservador com órtese (tala) em extensão da IFP por 6 a 8 semanas costuma ser eficaz. Já nas deformidades crônicas, com falha do tratamento conservador ou com lesão extensa, a abordagem cirúrgica se impõe. É nesse cenário que entram as técnicas de reconstrução do mecanismo extensor, entre elas a técnica de Matev.
A técnica de Matev, descrita pelo cirurgião búlgaro Ivan Matev, é uma das opções para o tratamento da deformidade em botoeira crônica. O princípio é reposicionar as hemibandeletas laterais que escaparam volarmente, suturando-as uma à outra na linha média dorsal da falange média, restaurando assim a extensão da IFP. Essa sutura medializada das hemibandeletas laterais é o passo central da técnica — exatamente o que a alternativa B descreve.
É importante distinguir a técnica de Matev de outras abordagens cirúrgicas para a deformidade em botoeira. A transposição da bandeleta lateral (alternativa C) é uma técnica diferente, na qual uma das bandas laterais é transferida para substituir a banda central lesada. O avanço capsular dorsal (alternativa A) é um procedimento que pode ser utilizado em casos de deformidade em pescoço de cisne, não em botoeira. O enxerto tendíneo transósseo (alternativa D) é uma técnica mais complexa, geralmente reservada para casos de perda extensa de tecido tendíneo, não sendo a descrição da técnica de Matev.
A pegadinha desta questão está na confusão entre as diferentes técnicas cirúrgicas para deformidades dos dedos. O candidato que conhece superficialmente o tema pode confundir a técnica de Matev com a transposição da bandeleta lateral, que é outra técnica clássica. A distinção fundamental é: na técnica de Matev, as hemibandeletas laterais são suturadas entre si na linha média (medialização); na transposição, uma bandeleta é transferida para substituir a banda central.
Guarde essa fronteira: Matev = sutura medializada das hemibandeletas laterais; transposição = transferência de uma bandeleta para substituir a central. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Deformidade em botoeira crônica
1Mecanismo
Ruptura da banda central
Bandas laterais escapam volarmente
Flexão IFP + hiperextensão IFD
2Tratamento
Agudo: órtese em extensão (6–8 semanas)
Crônico: cirurgia
Técnica de Matev
Sutura medializada das hemibandeletas laterais
Transposição da bandeleta lateral
Transfere uma bandeleta p/ substituir a central
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O avanço capsular dorsal é uma técnica utilizada no tratamento da deformidade em pescoço de cisne, não na botoeira. No pescoço de cisne, há hiperextensão da IFP e flexão da IFD, e o avanço capsular dorsal visa restringir essa hiperextensão. Na botoeira, o problema é a flexão da IFP, e a abordagem é diferente. A banca troca a deformidade-alvo da técnica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A técnica de Matev consiste exatamente na sutura medializada das hemibandeletas laterais. Ao reposicionar as bandas laterais dorsalmente e suturá-las na linha média, restaura-se a extensão da IFP, corrigindo a deformidade em botoeira crônica. Essa é a descrição clássica da técnica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A transposição da bandeleta lateral é uma técnica distinta, na qual uma das bandas laterais é transferida para substituir a banda central lesada. Embora seja outra opção para o tratamento da botoeira crônica, não é a descrição da técnica de Matev. A banca explora a confusão entre duas técnicas cirúrgicas diferentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O enxerto tendíneo transósseo é uma técnica mais complexa, indicada para casos de perda extensa de tecido tendíneo, como em lesões traumáticas graves ou após ressecção de tumores. Não é a descrição da técnica de Matev, que é um procedimento de partes moles, sem necessidade de enxerto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a técnica de Matev e a transposição da bandeleta lateral, duas técnicas cirúrgicas para a deformidade em botoeira crônica. O candidato que conhece superficialmente o tema pode marcar a alternativa C, mas a distinção é clara: Matev sutura as hemibandeletas entre si (medialização), enquanto a transposição transfere uma bandeleta para substituir a central. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪