Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
- Código
- vu094036
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- HIAE
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
- ALittler.
- BMoberg.
- CKite.
- Dcross-finger.
GabaritoB — Moberg.
Gabarito: letra B. O retalho de Moberg é o único, entre os citados, que é bipediculado, homodigital e que proporciona sensibilidade distal superior, pois é um retalho de avanço que inclui os dois feixes vásculo-nervosos digitais volares. Os demais retalhos (Littler, Kite e cross-finger) não são bipediculados homodigitais, sendo o Littler um retalho neurovascular ilhado heterodigital, o Kite um retalho dorsal da falange proximal e o cross-finger um retalho heterodigital.
O retalho de Moberg é uma técnica clássica para reconstrução de perdas de substância da polpa do polegar. Ele é classificado como um retalho de avanço homodigital, ou seja, utiliza tecido do próprio dedo lesado, e é bipediculado porque é elevado com base nos dois pedículos neurovasculares volares digitais. Essa característica é fundamental para garantir a viabilidade do retalho e, principalmente, para proporcionar sensibilidade protetora e discriminativa à polpa reconstruída, já que os nervos digitais são preservados. A sensibilidade é um dos pontos mais críticos na reconstrução da polpa, pois a polpa do polegar é essencial para a pinça e para a percepção tátil fina.
Na prática, o retalho de Moberg é indicado para defeitos da polpa do polegar de tamanho moderado, geralmente até 2 cm, e é particularmente útil quando há exposição óssea ou tendinosa. A técnica consiste em elevar a pele e o subcutâneo da face volar do polegar, desde a polpa até a prega interfalangiana proximal, mantendo os dois feixes vásculo-nervosos. O retalho é então avançado distalmente para cobrir o defeito. A principal limitação é a extensão do defeito, pois o avanço máximo é limitado pela elasticidade do tecido e pela tensão na articulação interfalangiana, podendo causar flexão residual.
É importante distinguir o retalho de Moberg dos demais retalhos citados, pois cada um tem indicações e características próprias. O retalho de Littler, por exemplo, é um retalho ilhado neurovascular heterodigital, geralmente retirado da face ulnar do dedo anular, que é transferido para a polpa do polegar. O retalho de Kite é um retalho dorsal da falange proximal do dedo indicador, baseado na artéria metacarpiana dorsal, e é usado para reconstruções maiores. O retalho cross-finger é um retalho heterodigital, retirado da face dorsal da falange média do dedo vizinho, que é suturado sobre o defeito e posteriormente desligado. A escolha do retalho depende do tamanho do defeito, da necessidade de sensibilidade e da preferência do cirurgião.
A pegadinha desta questão está em associar corretamente as características do retalho. O candidato pode confundir o retalho de Moberg com o de Littler, pois ambos são usados para reconstrução da polpa do polegar e proporcionam boa sensibilidade. No entanto, o Littler é heterodigital e não é bipediculado, enquanto o Moberg é homodigital e bipediculado. A banca explora exatamente essa distinção, que é o critério decisivo para a resposta.
Retalho | Pedículo | Origem | Sensibilidade distal |
|---|---|---|---|
Moberg (✅) | Bipediculado | Homodigital (polegar) | Superior (preserva nervos digitais) |
Littler | Único (ilhado neurovascular) | Heterodigital (face ulnar do anular) | Boa (transferida com o retalho) |
Kite | Único (artéria metacarpiana dorsal) | Heterodigital (dorso da falange proximal do indicador) | Inferior (sem neurorrafia) |
Cross-finger | Único (pedículo subcutâneo) | Heterodigital (dorso da falange média do vizinho) | Inferior (sem neurorrafia) |
O retalho de Littler é um retalho ilhado neurovascular heterodigital, geralmente retirado da face ulnar do dedo anular, e não é bipediculado. Ele é transferido para a polpa do polegar com sua própria vascularização e inervação, proporcionando boa sensibilidade, mas não é homodigital nem bipediculado.
O retalho de Moberg é um retalho de avanço homodigital e bipediculado, pois é elevado com os dois feixes vásculo-nervosos volares do polegar. Essa característica preserva a inervação, proporcionando sensibilidade distal superior à polpa reconstruída. É a técnica clássica para defeitos moderados da polpa do polegar.
O retalho de Kite é um retalho dorsal da falange proximal do indicador, baseado na artéria metacarpiana dorsal. Ele é heterodigital e não é bipediculado, sendo utilizado para reconstruções maiores da polpa do polegar, mas não se encaixa na descrição do enunciado.
O retalho cross-finger é um retalho heterodigital, retirado da face dorsal da falange média do dedo vizinho. Ele é suturado sobre o defeito e posteriormente desligado, não sendo homodigital nem bipediculado, e a sensibilidade final é inferior à do retalho de Moberg.
Gabarito: letra B
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