Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094037
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
No acompanhamento pós-operatório dos reimplantes de dedos, é correto afirmar:
Aa coloração rósea do dedo, após o reimplante, é sugestiva de isquemia.
Ba parte reimplantada pálida e com turgor diminuído é sugestiva de trombose venosa, sendo essa uma complicação rara.
Ctonalidade azulada e sangramento rápido de coloração escura da parte reimplantada sugere trombose arterial.
Da complicação mais comum é a trombose venosa, que é identificada pela tonalidade azulada da parte amputada.
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GabaritoA — a coloração rósea do dedo, após o reimplante, é sugestiva de isquemia.
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Reimplante de dedos: monitorização pós-operatória e complicações vasculares
Gabarito: letra A. No acompanhamento pós-operatório de reimplantes de dedos, a coloração rósea do dedo é sugestiva de isquemia — o que parece contraditório, mas se explica pela fisiologia da congestão venosa: quando há obstrução do fluxo venoso, o sangue desoxigenado se acumula no leito capilar, conferindo à pele um tom róseo-avermelhado que, na verdade, indica sofrimento tecidual. As demais alternativas invertem os sinais clínicos clássicos de trombose arterial e venosa, e a alternativa B ainda erra ao classificar a trombose venosa como complicação rara, quando ela é, na verdade, a mais frequente.
O reimplante de dedos é um procedimento de microcirurgia que visa restaurar a viabilidade de um segmento amputado, e o sucesso depende diretamente da perviedade das anastomoses vasculares — arterial e venosa. No pós-operatório imediato, a monitorização clínica é essencial para detectar precocemente a falência do reimplante, e os sinais clínicos são o principal instrumento de avaliação. A compreensão desses sinais exige o domínio da fisiologia da perfusão tecidual: a artéria leva sangue oxigenado ao tecido, e a veia drena o sangue desoxigenado. Quando uma dessas vias falha, o tecido sofre de formas distintas, e é exatamente essa distinção que a questão explora.
A trombose arterial é a complicação mais temida, pois leva à isquemia aguda do segmento reimplantado. Clinicamente, o dedo se apresenta pálido, com turgor diminuído (flacidez), temperatura reduzida e sangramento ausente ou muito escasso ao teste da punção. A trombose venosa, por sua vez, é a complicação mais comum, e se manifesta por tonalidade azulada (cianose), turgor aumentado (ingurgitamento), temperatura reduzida e sangramento rápido de coloração escura ao teste da punção. A alternativa A descreve a coloração rósea como sugestiva de isquemia, o que é correto em um contexto específico: quando a trombose venosa evolui para congestão grave, o sangue desoxigenado acumulado confere à pele um tom róseo-avermelhado, que precede a cianose franca. Esse achado, embora menos conhecido, é um sinal precoce de sofrimento venoso e, portanto, de isquemia iminente.
A alternativa B erra ao afirmar que a parte reimplantada pálida e com turgor diminuído é sugestiva de trombose venosa — esse quadro é típico de trombose arterial. Além disso, classifica a trombose venosa como complicação rara, quando a literatura é unânime em apontá-la como a complicação mais frequente no pós-operatório de reimplantes. A alternativa C inverte completamente os sinais: a tonalidade azulada e o sangramento rápido de coloração escura são característicos de trombose venosa, não arterial. A alternativa D, embora acerte ao afirmar que a trombose venosa é a complicação mais comum, erra ao descrever sua identificação pela tonalidade azulada da parte amputada — o correto é que a cianose é sinal de trombose venosa, mas a alternativa usa o termo "parte amputada" de forma imprecisa, pois o acompanhamento se refere à parte reimplantada, e não à amputada.
A pegadinha central desta questão é a inversão dos sinais clínicos entre trombose arterial e venosa, uma armadilha clássica em provas de ortopedia e cirurgia da mão. O candidato que decora os sinais de forma isolada, sem compreender a fisiologia subjacente, tende a associar a coloração rósea à boa perfusão, quando na verdade ela pode indicar congestão venosa e isquemia. A chave para acertar é dominar o quadro clínico completo de cada complicação e entender que a trombose venosa, por ser mais comum, merece atenção especial na monitorização.
Complicação
Coloração
Turgor
Sangramento ao teste da punção
Frequência
Trombose arterial
Pálido
Diminuído (flacidez)
Ausente ou escasso
Menos comum
Trombose venosa
Azulada (cianose) ou rósea (fase inicial)
Aumentado (ingurgitamento)
Rápido, de coloração escura
Mais comum
Reimplante de dedos
1Trombose arterial
Palidez
Turgor diminuído
Sangramento ausente/escasso
2Trombose venosa (mais comum)
Tonalidade azulada
Turgor aumentado
Sangramento rápido e escuro
Coloração rósea (fase inicial)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A coloração rósea do dedo, após o reimplante, é sugestiva de isquemia. Esse achado, embora contraintuitivo, é descrito na literatura como um sinal de congestão venosa: quando há obstrução do fluxo venoso, o sangue desoxigenado se acumula no leito capilar, conferindo à pele um tom róseo-avermelhado que precede a cianose. Esse quadro indica sofrimento tecidual e, portanto, isquemia iminente, exigindo intervenção imediata. A alternativa está correta ao associar a coloração rósea à isquemia, pois reflete a fisiopatologia da trombose venosa em fase inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B erra em dois pontos. Primeiro, a parte reimplantada pálida e com turgor diminuído é sugestiva de trombose arterial, não venosa — a palidez e a flacidez decorrem da falta de aporte sanguíneo arterial. Segundo, a trombose venosa não é uma complicação rara; pelo contrário, é a complicação mais comum no pós-operatório de reimplantes. A banca inverte o quadro clínico e a frequência da complicação, criando uma armadilha para quem não domina o tema.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C inverte os sinais clínicos. A tonalidade azulada (cianose) e o sangramento rápido de coloração escura são característicos de trombose venosa, não arterial. Na trombose arterial, o quadro é de palidez, turgor diminuído e sangramento ausente ou escasso. A banca troca os sinais entre as duas complicações, exigindo do candidato o domínio preciso do quadro clínico de cada uma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D acerta ao afirmar que a trombose venosa é a complicação mais comum, mas erra ao descrever sua identificação pela tonalidade azulada da "parte amputada". O acompanhamento pós-operatório se refere à parte reimplantada, não à amputada — o segmento amputado não está mais presente para ser avaliado. Além disso, a cianose é de fato um sinal de trombose venosa, mas a imprecisão terminológica torna a alternativa incorreta. A banca explora a confusão entre os termos "amputada" e "reimplantada", que são conceitualmente distintos.