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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
vu094041
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Em relação à tenossinovite de De Quervain (tenossinovite estenosante do primeiro compartimento extensor do punho), é correto afirmar:
  1. Aos fatores de risco incluem crianças e indivíduos do sexo masculino sedentários.
  2. Bé rara durante a gravidez e no período pós-parto.
  3. Cdeve-se descartar a presença de um compartimento de tendão separado e liberá-lo completamente, se presente.
  4. Da liberação do primeiro compartimento extensor deve ser realizada na região volar para evitar a lesão de ramo do nervo sensitivo radial.
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GabaritoC — deve-se descartar a presença de um compartimento de tendão separado e liberá-lo completamente, se presente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tenossinovite de De Quervain

Gabarito: letra C. Na tenossinovite de De Quervain, o tratamento cirúrgico (liberação do primeiro compartimento extensor) deve incluir a identificação e liberação de um compartimento acessório, quando presente, pois a persistência de um septo separado é causa conhecida de falha do tratamento. As demais alternativas apresentam erros conceituais: os fatores de risco são adultos, especialmente mulheres; a condição é comum na gravidez e pós-parto; e a liberação deve ser feita pela via dorsal, não volar, para proteger o ramo sensitivo do nervo radial.

A tenossinovite de De Quervain é uma tendinopatia estenosante que acomete o primeiro compartimento dorsal do punho, contendo os tendões do abdutor longo do polegar e do extensor curto do polegar. A inflamação e o espessamento da bainha sinovial comprimem esses tendões, causando dor na região radial do punho, que piora com a movimentação do polegar e com o desvio ulnar. O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo o teste de Finkelstein o mais conhecido: o paciente abduz o polegar, flexiona os demais dedos sobre ele e o examinador realiza desvio ulnar passivo do punho, reproduzindo a dor. O tratamento inicial é conservador, com modificação de atividades, AINEs, órtese e infiltração de corticoides. Quando o tratamento conservador falha, a cirurgia é indicada.

A cirurgia consiste na liberação do primeiro compartimento extensor, seccionando o retináculo que envolve os tendões. Um ponto crucial, e que é exatamente o que a alternativa C aborda, é a variação anatômica: em uma parcela significativa dos pacientes, o compartimento é dividido por um septo que separa o tendão do abdutor longo do polegar do extensor curto do polegar. Se esse septo não for identificado e liberado, a descompressão fica incompleta e o paciente pode não melhorar ou apresentar recidiva. Por isso, o cirurgião deve sempre explorar o compartimento e liberar qualquer septo ou compartimento acessório encontrado.

A via de acesso clássica é a dorsal, sobre o processo estiloide do rádio, pois permite visualizar diretamente o retináculo e os tendões. A alternativa D sugere a via volar, o que é incorreto: a via volar não é a utilizada e, além disso, o ramo sensitivo do nervo radial (nervo cutâneo radial) passa na região dorsal e radial do punho, sendo justamente o nervo que se deve proteger durante a dissecção. A via dorsal, com identificação cuidadosa do nervo, é a que evita a lesão neurológica.

A alternativa A erra ao citar "crianças e indivíduos do sexo masculino sedentários" como fatores de risco. Na verdade, a doença é mais comum em adultos, com pico entre 30 e 50 anos, e tem clara predominância no sexo feminino, especialmente em atividades que exigem movimentos repetitivos do polegar e desvio ulnar do punho. A alternativa B erra ao afirmar que é rara na gravidez e pós-parto: é justamente o contrário, sendo uma condição frequente nesse período, provavelmente relacionada a alterações hormonais e ao manuseio do recém-nascido.

A pegadinha central desta questão é a inversão de fatos epidemiológicos e anatômicos: a banca troca o perfil típico (mulher adulta) por um perfil atípico (criança/homem sedentário), nega uma associação clássica (gravidez) e inverte a via de acesso cirúrgico (volar em vez de dorsal). A alternativa C, por sua vez, exige conhecimento de um detalhe anatômico e cirúrgico importante: a presença de compartimento acessório. Guarde bem: na cirurgia de De Quervain, sempre procure e libere o septo acessório — é isso que a alternativa C afirma, e é o que a banca considera correto.

Tenossinovite de De Quervain
  • 1Acomete
    • 1º compartimento dorsal do punho
    • Tendões: abdutor longo e extensor curto do polegar
  • 2Perfil típico
    • Adultos (30-50 anos)
    • Predomínio feminino
    • Frequente na gravidez/pós-parto
  • 3Diagnóstico
    • Clínico
    • Teste de Finkelstein
  • 4Tratamento
    • Conservador: AINEs, órtese, infiltração
    • Cirúrgico (via dorsal)
      • Liberar o retináculo
      • Identificar e liberar septo acessório
      • Proteger ramo sensitivo do nervo radial
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os fatores de risco incluem crianças e homens sedentários. Errado: a tenossinovite de De Quervain é mais comum em adultos, especialmente mulheres entre 30 e 50 anos, e está associada a atividades repetitivas com o polegar e desvio ulnar do punho. Não há associação com sedentarismo nem com crianças.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que é rara na gravidez e pós-parto. Errado: é uma condição frequente nesse período, sendo a gravidez um fator de risco reconhecido. A banca inverte a realidade epidemiológica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que se deve descartar a presença de um compartimento de tendão separado e liberá-lo completamente, se presente. Correto: é fundamental identificar e liberar qualquer septo ou compartimento acessório durante a cirurgia, pois a não liberação é causa de falha do tratamento e recidiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a liberação deve ser realizada na região volar para evitar lesão do ramo sensitivo radial. Errado: a via de acesso é dorsal, sobre o primeiro compartimento extensor. O ramo sensitivo do nervo radial passa na região dorsal e radial, e a dissecção cuidadosa nessa via é que protege o nervo. A via volar não é a indicada.

Gabarito: letra C

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