Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094043
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Com relação à displasia radial longitudinal, podemos afirmar:
Anos casos mais severos (tipos 3 e 4), a reconstrução do polegar deve preceder a estabilização do punho.
Bno tipo 1, encontramos uma hipoplasia leve proximal do radio.
Cno tipo 2, os ossos do carpo estão normais.
Das alterações do polegar e do carpo ocorrem independentemente do tipo de displasia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — as alterações do polegar e do carpo ocorrem independentemente do tipo de displasia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Displasia radial longitudinal: classificação e implicações
Gabarito: letra D. Na displasia radial longitudinal, as alterações do polegar e do carpo ocorrem de forma independente do tipo de displasia — ou seja, não há uma correlação direta entre a gravidade da deformidade radial (tipos 1 a 4) e a presença ou ausência de anomalias no polegar e nos ossos do carpo. Essa é a afirmação correta, pois a classificação de Bayne e Klug, amplamente utilizada, baseia-se exclusivamente na morfologia do rádio, não na integridade do polegar ou do carpo.
A displasia radial longitudinal (também chamada de "mão torta radial" ou radial club hand) é uma malformação congênita caracterizada por hipoplasia ou aplasia do rádio, que pode estar associada a outras anomalias do membro superior, como alterações no polegar (hipoplasia ou aplasia) e nos ossos do carpo. A classificação mais utilizada é a de Bayne e Klug, que divide a doença em quatro tipos, baseando-se exclusivamente na morfologia do rádio:
Tipo 1: rádio curto (hipoplasia leve proximal do rádio).
Tipo 2: rádio hipoplásico (pequeno, mas com epífises presentes).
Tipo 3: aplasia parcial do rádio (apenas a porção proximal está presente).
Tipo 4: aplasia total do rádio (ausência completa do rádio).
É fundamental entender que essa classificação não leva em consideração o estado do polegar ou do carpo. Um paciente com tipo 1 (a forma mais leve) pode ter um polegar ausente, enquanto um paciente com tipo 4 (a forma mais grave) pode ter um polegar presente e funcional. Da mesma forma, os ossos do carpo podem estar normais ou hipoplásicos em qualquer um dos tipos. Essa independência é o ponto central da questão.
Na prática clínica, o tratamento cirúrgico é planejado de forma individualizada, considerando separadamente as deformidades do rádio, do carpo e do polegar. A estabilização do punho (centralização ou radialização) e a reconstrução do polegar (policização, por exemplo) são procedimentos que podem ser realizados em momentos diferentes, dependendo da idade da criança e das prioridades funcionais. Não há uma regra fixa de que a reconstrução do polegar deva sempre preceder a estabilização do punho, mesmo nos casos mais graves.
A pegadinha desta questão está em associar a gravidade da displasia radial (tipos 3 e 4) a uma necessidade de sequência cirúrgica específica ou a uma presença obrigatória de alterações no polegar e no carpo. A banca explora a confusão entre a classificação do rádio e a avaliação das outras estruturas do membro, que são independentes. Guarde bem: a classificação de Bayne e Klug é exclusivamente radial — o polegar e o carpo são avaliados e tratados à parte.
Classificação (Bayne e Klug)
Característica do Rádio
Alterações do Polegar/Carpo
Tipo 1
Rádio curto (hipoplasia leve global)
Independentes do tipo (podem ou não estar presentes)
Tipo 2
Rádio hipoplásico (pequeno, com epífises presentes)
Independentes do tipo (podem ou não estar presentes)
Tipo 3
Aplasia parcial (apenas porção proximal presente)
Independentes do tipo (podem ou não estar presentes)
Tipo 4
Aplasia total (ausência completa)
Independentes do tipo (podem ou não estar presentes)
Displasia radial longitudinal: Classificação de Bayne e Klug (Tipo 1: rádio curto, Tipo 2: rádio hipoplásico, Tipo 3: aplasia parcial, Tipo 4: aplasia total); Base da classificação (Exclusivamente morfologia do rádio, Não avalia polegar, Não avalia carpo); Alterações independentes (Polegar (hipoplasia/aplasia), Ossos do carpo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, nos casos mais severos (tipos 3 e 4), a reconstrução do polegar deve preceder a estabilização do punho. Não há essa sequência obrigatória na literatura. A ordem dos procedimentos é individualizada, baseada na idade, na gravidade das deformidades e nos objetivos funcionais. Em muitos casos, a estabilização do punho é realizada primeiro para proporcionar uma base estável, e a reconstrução do polegar pode ser feita posteriormente. A alternativa erra ao impor uma regra fixa de sequência cirúrgica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que no tipo 1 encontramos uma hipoplasia leve proximal do rádio. O tipo 1 é caracterizado por um rádio curto, mas a hipoplasia não é especificamente proximal — o rádio é globalmente curto, porém com morfologia preservada. A hipoplasia proximal (apenas a porção proximal presente) é característica do tipo 3, que é uma aplasia parcial. A alternativa confunde a descrição do tipo 1 com a do tipo 3.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que no tipo 2 os ossos do carpo estão normais. A classificação de Bayne e Klug não avalia o carpo — ela se baseia exclusivamente na morfologia do rádio. Os ossos do carpo podem estar normais ou alterados em qualquer tipo de displasia radial, incluindo o tipo 2. A alternativa erra ao afirmar uma normalidade que não é garantida pela classificação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que as alterações do polegar e do carpo ocorrem independentemente do tipo de displasia. Esta é a afirmação correta, pois a classificação de Bayne e Klug é baseada apenas na morfologia do rádio. O polegar e o carpo são avaliados separadamente, e suas alterações não estão correlacionadas com o tipo de displasia radial. Um paciente com tipo 1 pode ter aplasia do polegar, enquanto um com tipo 4 pode ter polegar presente. Essa independência é o conceito central que a alternativa D expressa corretamente.